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Original para a Internet

“Concidadãos … da família de Deus”

DO Arauto da Ciência Cristã . Publicado on-line – 19 de março de 2019


Ultimamente tenho pensado e orado sobre as dificuldades que os migrantes estão enfrentando em muitos cantos do mundo. Essa questão se apresenta tão complexa e dolorosa, que às vezes parece que não sou capaz de orar para ajudar a resolvê-la. Mas, certo dia, veio-me ao pensamento uma mensagem angelical, mostrando como eu poderia orar. Essa mensagem também me proporcionou uma nova perspectiva a respeito de uma história bíblica muito conhecida: a parábola do filho pródigo, contada por Cristo Jesus (ver Lucas 15:11–32).

Nessa história, um filho está ansioso para sair de casa e pede sua parte na herança do pai. Ele vai para uma “terra distante” e lá dissipa toda sua herança, chegando à pobreza total e ao desespero. Ele finalmente decide voltar para sua terra natal, acreditando que já não é digno de ser chamado filho de seu pai, mas mesmo assim tem a esperança de poder trabalhar como empregado do pai. Mas ele recebe muito mais do que isso: o pai o acolhe de braços abertos, e sua posição de filho amado e honrado é reintegrada (ou melhor, novamente confirmada) ― e, além disso, seu regresso é festejado em meio a muita alegria.

Essa narrativa sempre me dá muito em que pensar e, nessa manhã em particular, pedi a Deus que me desse uma nova percepção de como eu poderia entender melhor a moral da história, tanto para mim como para outros. Então, este pensamento me veio à mente: “Você não é uma pessoa com dupla cidadania”. Isso me abriu os olhos. Evidentemente, há momentos em que ter dupla cidadania inclui certas vantagens, de um ponto de vista humano. Mas eu me perguntei o que essa mensagem poderia significar, do ponto de vista espiritual.

Pensei a respeito da verdade de que, falando sob esse ponto de vista espiritual, ninguém realmente tem uma identidade dupla, ou identidades conflitantes. Quer dizer, cada um de nós é somente espiritual e imortal. Somos feitos à imagem e semelhança de Deus (ver Gênesis 1:26, 27), e Deus é o Espírito, por isso somos espirituais. Em outras palavras, nós não somos tanto imortais como mortais, nós não abrangemos duas realidades, ou seja, não temos um pé no reino do Espírito e o outro em uma suposta existência material.

Essa verdade aplica-se a todos, incluindo os migrantes. A mensagem angelical que veio a mim, a respeito de eu não ter dupla cidadania, afirma que todas as pessoas realmente moram no reino do Espírito, de onde ninguém pode ser excluído ou despojado de todo o bem, porque Deus, a fonte de todo o bem, está sempre conosco.

Isso me fez lembrar de uma experiência que ocorreu há muitos anos. Eu trabalhava em um escritório de advocacia, e uma advogada me disse que ela e uma colega estavam trabalhando em um caso difícil de pedido de asilo, por parte de um jovem desesperado para escapar de seu país por causa do opressivo regime político ali vigente. Ele havia embarcado clandestinamente em um navio que se dirigia para o porto de Nova York nos Estados Unidos, e estava preso em um centro de detenção. A advogada estava muito preocupada com o que podia acontecer. Se a juíza encarregada do caso decidisse não conceder asilo, o jovem seria mandado de volta ao seu país. A probabilidade de sobrevivência após seu retorno era muito precária. Além disso, a advogada me disse que o caso estava nas mãos de uma juíza que chegara a ter o apelido de “Juíza Não”, porque com frequência adotava uma linha dura quando se tratava desse tipo de petição.

Quando ouvi essa história fiquei muito perturbada, e devo admitir que a tirei da mente para não ter de ficar pensando nela. No entanto, algumas semanas depois, as duas advogadas me apresentaram uma testemunha especializada no caso. O especialista me disse que o caso seria ouvido no tribunal na manhã seguinte. Foi então que eu me dei conta de que eu tinha de orar. Mas como?

Naquele dia, quando cheguei em casa do trabalho, pedi a Deus que me mostrasse o que eu precisava saber. Abri o livro-texto da Ciência Cristã, Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, de Mary Baker Eddy, e esta frase pareceu saltar da página: “Vi diante de mim o terrível conflito, o Mar Vermelho e o deserto; mas continuei a avançar, com fé em Deus, confiante de que a Verdade, a forte libertadora, me guiaria para a terra da Ciência Cristã, onde os grilhões caem e os direitos do homem são plenamente conhecidos e reconhecidos” (pp. 226–227). Essa foi a resposta de que eu precisava. Eu podia saber que o homem que estava em busca de refúgio já residia na terra da Verdade, sob o governo e o cuidado protetor de Deus. Além disso, compreendi que Deus, “o forte libertador”, era o único juiz verdadeiro no caso.

Eu tinha certeza de que esses eram fatos espirituais estabelecidos e irreversíveis, e pude confiar em que Deus estava no controle.

Na manhã seguinte, me encontrei com uma das advogadas. Ela acabava de voltar do tribunal e estava absolutamente radiante. Com um enorme sorriso, ela me disse: “A ‘Juíza Não’ disse ‘Sim’!” Mais tarde, tive o prazer de conhecer esse rapaz a quem a juíza havia dito sim, e a alegria que ele expressava em sua recém-encontrada liberdade era algo digno de ser visto.

Fiquei muito grata por testemunhar a prova de que esse homem habita única e permanentemente sob os cuidados do Espírito, assim como todos os homens. Essa é a lição da parábola de Jesus a respeito do filho pródigo. O pródigo havia inicialmente decidido mudar sua “cidadania”, ou sua identidade como um filho amado em segurança na terra natal de seu pai, para ser um esbanjador e desenfreado caçador de emoções em um mundo materialista. Mas ele finalmente compreendeu que tinha de abandonar esse estilo de vida meramente materialista (como a parábola o coloca, o filho pródigo “caiu em si”), e desejou voltar para a casa de seu pai. Pode-se dizer que essa “casa” era a consciência da realidade espiritual. E quando estava vindo de volta, constatou que seu pai o havia visto mesmo quando ele ainda estava “bem distante”. Podemos dizer que, onde quer que o filho pródigo tenha estado em sua jornada, o pai nunca perdera de vista a verdadeira identidade de seu filho, como boa, espiritual e sempre a salvo.

A conclusão para nós é que não estamos realmente vivendo uma vida separada de nosso Pai, Deus, porque Deus sempre nos ama e nos mantém sob Seus cuidados, como também nos mantém em nossa verdadeira identidade espiritual e perfeita. Que mensagem maravilhosa de esperança e força é essa, para qualquer migrante que possa estar em situação difícil!

A Ciência Cristã mostra que em nossa verdadeira natureza espiritual, não estamos sujeitos às crenças de um mundo material com suas sugestões desarmoniosas de pecado, doença e morte. O Apóstolo Paulo apresentou bem claramente esse ponto, quando escreveu: “Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte” (Romanos 8:2).

Em Ciência e Saúde, a Sra. Eddy oferece “a declaração científica sobre o existir”, a qual declara: “O Espírito é Deus, e o homem é Sua imagem e semelhança. Por isso o homem não é material; ele é espiritual” (p. 468). Ela também escreve, na mesma obra: “O homem à semelhança de Deus, como é revelado na Ciência, não pode deixar de ser imortal” (p. 81). E Deus nos deu a capacidade de comprovar a realidade de nosso existir espiritual. Quando compreendemos algo dessa realidade espiritual, estamos capacitados não só a encontrar o refúgio de que precisamos, mas também a curar a doença e o pecado. 

Meus esforços muito modestos para compreender a magnitude disso tudo e utilizá-lo em minha própria vida me encorajaram a continuar a apreciar o propósito para o qual Deus criou a mim e a todos. Quando entendi claramente o fato de que a vida é espiritual, não material, encontrei a cura.

Certa vez, eu estava tratando de resolver uma irritação na pele, que não cedia. Um dia, estava conversando com uma Praticista da Ciência Cristã a quem eu havia pedido para orar por mim. A praticista me disse que eu vivo no reino de Deus e não em um corpo material. Ela deve ter percebido que eu estava tentando transformar uma condição material ruim em uma condição material melhor, em vez de realmente apreciar o que verdadeiramente sou como o reflexo de Deus. O que ela me disse ajudou a elevar meus pensamentos acima da imagem material de irritação da pele, de modo que eu pudesse saber o que era espiritualmente verdadeiro sobre mim ― e fui curada desse problema.

Abordar o assunto com total convicção de que a vida é algo inteiramente espiritual, e não material, requer disciplina. Mas essa abordagem é sempre apropriada, quando se trata de nossa opinião a respeito de nós mesmos e de todos. Todos nós temos para sempre um lugar no reino de Deus. Sempre fomos e sempre seremos filhos e filhas do Espírito. Não somos cidadãos com dupla cidadania, vivendo ao mesmo tempo no reino da realidade espiritual, onde estamos em união com Deus, e em um mundo material separado de Deus. Como a Bíblia nos diz: “Assim, já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos e sois da família de Deus” (Efésios 2:19).

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A Missão dO Arauto

Quando Mary Baker Eddy estabeleceu o Arauto em 1903, ela disse que sua missão era a de "anunciar a atividade e a disponibilidade universal da Verdade" (The First Church of Christ, Scientist, and Miscellany, p. 353).

O Arauto registra, em suas páginas, a transformação que ocorre na vida de muita gente e mostra que cada um de nós pode chegar à Verdade.

Que alegria pensar que o efeito da Verdade atua na consciência humana, trazendo cura e renovação! Nosso Mestre, Cristo Jesus, nos prometeu algo que de fato está se cumprindo: "E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará" (João 8:32).

Cyril Rakhmanoff, O Arauto da Ciência Cristã, edição de julho de 1998
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