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Original para a Internet

O Natal e a certeza da cura

Da edição de dezembro de 2017 dO Arauto da Ciência Cristã

Publicado anteriormente como um original para a Internet em 26 de outubro de 2017.


Nesta época, os cristãos em todo o mundo prestam homenagem à chegada do bebê que ficou conhecido como Cristo Jesus. As circunstâncias em torno do seu nascimento, ou seja, a virgem mãe, sua vinda cumprindo a profecia do Antigo Testamento, a presença dos pastores e dos três reis sábios, para quem a ocasião foi uma manifestação revolucionária do grande amor de Deus pela humanidade, foram circunstâncias totalmente singulares e significativas para a vida e a missão de Jesus. A história é sempre nova para os corações receptivos e continua a evocar nossa mais profunda reverência e gratidão.

Talvez nenhuma declaração elucide melhor o significado duradouro, para a humanidade, daquele primeiro Natal, do que esta de Mary Baker Eddy, a Descobridora da Ciência Cristã: “Jesus foi o mais elevado conceito humano de homem perfeito. Ele era inseparável do Cristo, o Messias ― a ideia divina de Deus fora da carne. Isso habilitou Jesus a demonstrar controle sobre a matéria. Anjos anunciaram aos Magos de outrora esse aparecimento dual e, pela fé, anjos sussurram esse aparecimento ao coração faminto em todas as épocas” (Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, p. 482).

Muitos de nós estamos incluídos entre aqueles corações famintos a que a Sra. Eddy se refere. Ansiamos por vivenciar a cura puramente espiritual praticada pelo Mestre e por seus discípulos, até mesmo certa medida daquele domínio sobre a matéria que Jesus demonstrou. Portanto, é natural recorrermos aos relatos dos evangelhos para que nos informem mais sobre a natureza desse “aparecimento dual” e o potencial que ele tem, em termos de cura, para nossa própria vida.

Nos Evangelhos, descobrimos que Jesus falava sobre si mesmo como o “Filho de Deus” e o “Filho do homem”. “Filho de Deus” se referia ao eterno Cristo, a Verdade, sua natureza divina; e “Filho do homem” se referia à manifestação que coincidia com a do Cristo na vida humana e nas obras de cura do homem Jesus. Os dois títulos representam papéis correlatos, conforme indica o nome duplo Cristo Jesus. Eles estão intrinsicamente ligados, na história cristã, e dão destaque à mensagem central do cristianismo, isto é, de que o aparecimento da Verdade é acompanhado pela cura.

O Apóstolo João deve ter percebido em certo grau o significado inefável desse fato, quando declarou o seguinte sobre a missão de Jesus: “...o Verbo se fez carne e habitou entre nós...” (João 1:14). Aqueles que buscavam ajuda em Deus não mais seriam deixados na dúvida, se Ele atenderia ou não às orações de maneira tangível. O Mestre lhes mostraria a prova divina de que a Verdade, humildemente aceita na consciência humana, sempre resulta em cura. Essa cura fica invariavelmente confirmada na vida das pessoas por meio de um significativo progresso humano, cura física, mudança positiva de caráter e um produtivo propósito de vida.

Um fio condutor nas narrativas dos evangelhos é o simples fato de que Deus nos ama, isto é, Ele ama você e a mim. Deus é o Amor divino onipresente e isso significa que o Seu Cristo, Sua mensagem sanadora da Verdade e do Amor, vem à nossa consciência individual exatamente onde quer que nos encontremos em nossa compreensão espiritual. Quando damos nosso consentimento à influência sagrada do Cristo, recebemos do Pai mais luz e mais compreensão espiritual a respeito da verdade sobre o nosso existir como filhos de Deus.

De forma bem real, o Cristo é nosso advogado e defende a verdade em relação a quem nós realmente somos como filhos e filhas de Deus. O Cristo nos mostra nossa identidade espiritual, criada pelo Pai à Sua própria semelhança, como expressão individual de Si mesmo, o Espírito. Na verdade, não somos mortais com mente própria e identidade separada de Deus, existentes na matéria. Por sermos Seus filhos amados, cada um de nós é espiritual, imaculado, saudável, bom, forte e livre. O Cristo nos comunica esse fato de maneira tal que podemos sentir e compreender.

Nós correspondemos naturalmente ao que o Cristo nos assegura, passando a não acreditar na evidência que os sentidos materiais apresentam. É possível, aliás, que sintamos certa rebelião mental contra essa falsa evidência! À medida que tomamos cada vez mais consciência daquilo que Deus está nos revelando, as imagens mentais de doença e desarmonia deixam de ter realidade em nosso pensamento. O medo, o desânimo, o estresse, o senso de sofrimento, cedem diante do influxo de verdade e amor que recebemos do nosso Pai-Mãe Deus. O corpo então corresponde naturalmente à harmonia estabelecida na consciência pelo Cristo.

À medida que tomamos cada vez mais consciência daquilo que Deus está nos revelando, as imagens mentais de doença e desarmonia deixam de ter realidade em nosso pensamento.

Nesse sentido, o Cristo vem à carne, vem à chamada mente mortal carnal, e destrói aquilo que Ciência e Saúde denomina “erro encarnado”. A definição completa do Cristo dada no Glossário do livro-texto é: “A divina manifestação de Deus, que vem à carne para destruir o erro encarnado” (p. 583).

Nada realmente pode impedir que a Verdade seja manifestada em nossa vida. O Mestre estava continuamente demonstrando isso para nós. Um exemplo especialmente pungente foi a cura de um homem que ele encontrou junto ao tanque chamado Betesda (ver João 5:2–9). Esse homem estivera esperando, juntamente com muitos outros doentes e inválidos, “que se movesse a água”, porque se acreditava que o primeiro a entrar no tanque, uma vez agitada a água, seria curado. De acordo com a narrativa, o homem estava doente havia 38 anos. A pergunta que Jesus lhe fez foi simples e direta: “Queres ser curado”? Ao invés de responder simplesmente: “Sim”, o homem começou a explicar a razão pela qual ainda não havia sido curado. Disse que não tinha ninguém que o ajudasse a entrar no tanque quando a água era agitada e, portanto, sempre descia outro antes dele.

O Mestre não tentou convencer esse homem de que sua crença era infundada, mas demonstrou-lhe que, apesar da evidência angustiante diante dos sentidos materiais, a Verdade estava plenamente à altura de sua necessidade. Por meio da experiência ímpar da cura pelo Cristo, foi demonstrado a esse bom homem que Deus não estava apenas indicando que o bem era possível mas sim, Ele estava lhe dando concretamente o bem, sob a forma de saúde restaurada.

Jesus devia saber com clareza que a capacidade da Verdade de penetrar no íntimo desse homem sobrepujava as dúvidas e os temores pessoais dele. Tal capacidade venceu a aparente posição pré-definida da mente mortal de focar o quadro material e de repetir a total inutilidade dos esforços humanos para curar. Para a visão divinamente inspirada do Mestre, esse homem era a ideia espiritual saudável, forte e livre que Deus criara; ele não era um mortal doente e desanimado. Jesus lhe mostrou que sim, ele podia ser curado de imediato porque já era de fato perfeito. Nenhum dos argumentos da mente mortal em contrário poderia se opor ao Cristo sanador.

Da mesma forma, a atividade do Cristo em nossa consciência exclui tudo o que imaginamos estar nos separando do amor do Pai e adiando o bem que por tanto tempo ansiamos. Ela substitui nosso próprio julgamento pessoal e até mesmo erros morais, quando nos dispomos a seguir suas orientações amorosas. Ela suplanta o falso pressuposto de que determinada dificuldade está no controle da situação e que a cura é improvável. Não importa o que a mente mortal está nos mostrando como razão pela qual o bem não pode se realizar agora. Na quietude da oração sincera, ouvimos o eterno Cristo nos dizendo: “Aqui está sua cura. ‘Semper paratus é o lema da Verdade’ (Ciência e Saúde, p. 458). A Verdade está sempre pronta e você também está, por ser a expressão de seu Pai. Aqui está sua cura”.

É a falsa teologia, um ponto de vista incorreto e totalmente ilegítimo a respeito de Deus e do homem, que mantém a cura inatingível à nossa frente, tal como a proverbial cenoura pendurada em uma vara, sempre fora do nosso alcance. É uma mentira deslavada, essa sugestão de que não podemos ser curados agora. Na verdade, podemos ter certeza de que somente a mente carnal, o magnetismo animal, e não Deus, o Amor divino, afirmaria que não estamos qualificados para a cura espiritual. 

Um hino querido de Natal nos lembra: “E onde humildade houver, O Cristo reinará” (Philip Brooks, Hinário da Ciência Cristã, 222). Se apenas permitirmos, em espírito de oração, a entrada do Cristo, a verdade sobre quem somos como filhos de Deus suprimirá as insinuações da mente mortal, dispersará a insegurança, e compelirá a sugestão mental agressiva a ceder lugar ao fato científico. Perante a luz do amor do Pai por nós, as alegações do magnetismo animal são silenciadas, anuladas. Embora possivelmente tenhamos de renunciar a alguma forma de materialismo, ou pecado, que estiver atrapalhando nosso crescimento espiritual, a regeneração necessária se processa à medida que continuamos a ouvir e a obedecer ao terno Cristo sanador.

A questão fundamental é que, tal como um advogado, desejamos ficar a favor dos fatos relativos ao caso, os fatos espirituais. Precisamos, mentalmente e em espírito de oração, nos posicionar ao lado da supremacia da Verdade em nossa vida. A mente mortal não vai dar sua permissão para que sejamos curados, portanto, precisamos continuar ouvindo aqueles anjos sussurrantes a que a Sra. Eddy se refere: as intuições espirituais que nos dizem que aquilo que vislumbramos a respeito de Deus é verdadeiro e demonstrável agora. Estamos livres para seguir em frente e aceitar a cura que o Cristo está nos proporcionando.

A mais simples experiência de cura na Ciência Cristã nos mostra que o aparecimento da Verdade é para todo o sempre, inclusive para nossa própria época.

Mesmo que tenha passado um bom lapso de tempo e tenhamos permanecido junto a Deus em oração sem ver muito progresso em alguma dificuldade, podemos continuar a orar com a firme certeza de que a Verdade se manifesta. Cada bocadinho de compreensão espiritual se manifesta na experiência humana, mesmo quando a cura completa ainda não seja aparente. O fato de que o Mestre tenha banido todo tipo de pecado e doença, em todos os casos, demonstra que a cura cristã pode ser corretamente considerada científica, porque o resultado é invariável, de acordo com a lei divina. Esta declaração da Sra. Eddy, adotada como nosso próprio ponto de partida na oração, fortalece a convicção da cura pelo Cristo: “Nenhuma evidência perante os sentidos materiais pode fechar meus olhos para a prova científica de que Deus, o bem, é supremo” (Miscellaneous Writings [Escritos Diversos] 1883–1896, p. 277).

A mais simples experiência de cura na Ciência Cristã nos mostra que o aparecimento da Verdade é para todo o sempre, inclusive para nossa própria época. A saúde e o bem são o nosso direito divino; eles são, na verdade, inerentes ao nosso existir como filhos de Deus. Cada um de nós tem a capacidade espiritual, dada pelo Pai, de discernir e compreender que esse é um fato, e de vê-lo tornar-se tangivelmente evidente em nossa experiência. 

Neste Natal, de maneiras talvez mais abrangentes e diversas do que em outras épocas da história, a humanidade almeja a cura. À medida que nos aproximamos do Amor divino em oração, a nosso favor e a favor de outros, podemos sentir e saber que o Amor divino está abraçando a humanidade na cura pelo Cristo. Nosso Mestre definiu o reino da Verdade e do Amor divinos como supremo “assim na terra como no céu” (Mateus 6:10). 

Nesta época de festas, reservemos o tempo necessário para orar profundamente e receber o Cristo sanador. Fiquemos na escuta, atenta e silenciosamente, de forma fiel e humilde, para ouvir mais revelações da Verdade. Certamente ouviremos anjos sussurrando ao nosso próprio coração faminto o anúncio do aparecimento do Cristo, a Verdade, e veremos mais curas pelo Cristo.

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A Missão dO Arauto

Em 1903, Mary Baker Eddy estabeleceu O Arauto da Ciência Cristã. Seu propósito: "...para anunciar a atividade e disponibilidade universal da Verdade". A definição de “arauto”, conforme consta de um dicionário: “precursor, um mensageiro enviado com antecedência para anunciar a proximidade daquilo que está por vir”, proporciona um significado especial ao nome Arauto, além de destacar a obrigação de cada um de nós, a de nos certificarmos de que nossos Arautos cumpram sua incumbência, uma incumbência que é inseparável do Cristo e que foi anunciada primeiramente por Jesus (Marcos 16:15), “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura”.

Mary Sands Lee, Christian Science Sentinel, 7 de julho de 1956

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