Skip to main content
Original para a Internet

“Jejuar” em momentos de crise econômica

Da edição de outubro de 2018 dO Arauto da Ciência Cristã

Publicado anteriormente como um original para a Internet em 20 de agosto de 2018.


Aqueles que estão atentos às notícias recentes de Angola podem compreender como a crise econômica mudou os hábitos das pessoas de diferentes maneiras, com relação à vida profissional, aos hábitos de consumo ou estilo de vida. Muitas empresas e organizações fecharam suas portas e demitiram seus funcionários, e muitas pessoas emigraram de Angola por razões financeiras e por outros motivos.

Por outro lado, quem estuda a Ciência Cristã sabe que podemos orar com a verdade absoluta, e perceber, como Mary Baker Eddy escreve em Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, que: “A Ciência Cristã influi na corporalidade inteira — ou seja, na mente e no corpo — e traz à tona a prova de que a Vida é contínua e harmoniosa. A Ciência neutraliza e ao mesmo tempo destrói o erro. A humanidade se torna melhor graças a esse sistema de cura espiritual e profundo” (p. 157).

Em 2016, fui demitido da empresa de construção em que havia trabalhado por cinco anos. Não havia divisas para fechar as contas com os fornecedores fora de Angola e, consequentemente, muitas obras nossas de grande importância estavam sendo canceladas pelo governo central.

Quando recebi a notícia, fiquei com muito medo, porque nossa família já estava bem estabelecida na cidade de Huambo, no sul de Angola, e o negócio da minha esposa estava começando a florescer. Nós gostávamos muito dessa cidade, do clima e da humildade dos seus habitantes. Após o nascimento de nosso segundo filho, compramos um lote de terra para construir nossa própria casa. Mas com o cancelamento do meu contrato, nos vimos obrigados a interromper a construção e a pensar em mudar de cidade. Foi um período muito doloroso para minha esposa, para as crianças e para mim. Depois de quase um mês de oração e reflexão, decidimos voltar para Luanda, a capital de Angola.

Sob o meu ponto de vista, jejuar significa abster-se da maneira mundana de pensar.

Uma vez em Luanda, decidi fazer aquilo que sei fazer: “Jejuar” por algumas semanas. Antes que o leitor pense que estou me referindo à abstinência de comida, gostaria de esclarecer que gosto muito de comer e não aguento ficar muitas horas sem ingerir algo. E quanto ao jejum? O leitor pensou que eu ia privar-me de comer, privar-me do meu funje [comida típica que em Angola se come no dia a dia]? Não! Sob o meu ponto de vista, jejuar significa abster-se da maneira mundana de pensar, isto é, abster-se de acreditar no que os sentidos materiais e enganadores nos mostram.

Eu afirmava que aquela situação era mais uma oportunidade de provar para mim mesmo que Deus, o Espírito, é Tudo e que ninguém está fora do Seu reino nem de Seu cuidado. Eu precisava me dedicar a reconhecer a verdade de que Deus é real, perfeito, permanente e está para sempre em ação. Jejuar, no meu entender, é ceder ao senso espiritual, que Ciência e Saúde define desta forma: “O senso espiritual é a capacidade consciente e constante de compreender a Deus” (p. 209). Essa capacidade consciente e constante nos ajuda a ver mais além do cenário mortal e a reconhecer os fatos espirituais e verdadeiros, que Deus nos proporciona 24 horas por dia.

Ao começar a partir dessa premissa, decidi enviar muitas cópias do meu currículo a várias agências de emprego e empresas, sabendo, por experiência, que eu não deveria traçar um plano. Delinear um plano significa acreditar que temos de ser responsáveis por elaborar um plano humano, para que, então, Deus possa “operar” de acordo com o que nós pensamos que precisa ocorrer. Mas Deus não é executor de vontades humanas. Em Ciência e Saúde, a Sra. Eddy escreve: “O poder da vontade humana só deveria ser exercido em subordinação à Verdade; senão, ele desorientará o discerni­mento e dará rédeas soltas às propensões mais baixas. É prerrogativa do senso espiritual governar o homem” (p. 206).

Depois de constatar que as respostas tão esperadas quanto aos currículos enviados não estavam a chegar, decidi ajudar um amigo a organizar administrativamente sua microempresa, sem lhe cobrar nada.

Eu estava seguro de que Deus, o Princípio divino, é o provedor uno e único. Não havia necessidade de eu ficar triste nem frustrado. Quando os pensamentos de tristeza tocavam meu coração, o Salmo 23 enchia-me de alegria, da alegria de perceber que, visto que o “...Senhor é o meu pastor...”, nada me pode faltar. Eu não suplicava a Deus para dar-me algo, mas percebia, dia após dia, que minha família e eu vivemos em Deus, o Amor infinito, aqui e agora, e que em Deus tudo é harmonioso e permanente. Cristo Jesus revelou que o reino de Deus está presente.

Com base nessas verdades, eu sabia que tinha de compreender que todas as imagens e notícias de crise não procedem de Deus, o Amor divino. Em realidade, poderiam ser vistas como mentiras e ilusões. Os problemas não podem ser ignorados, mas em Deus, onde vivemos aqui e agora, não existe crise, não existe desemprego, não existe fim de contrato, não existe cancelamento de projetos. Deus é Tudo-em-tudo, e as sugestões do materialismo consistem em uma mentira.

Nesse meu estado de “jejum”, eu estava a permitir-me ver a mim mesmo como Deus me vê. Deus não estava a ver-me como um desempregado ou como um mortal cheio de responsabilidades e inquietações, com uma personalidade finita e medíocre. Em Ciência e Saúde, lemos: “Tudo o que indica a queda do homem, ou o oposto de Deus, ou a ausência de Deus, é o sonho de Adão, que não é nem a Mente nem o homem, pois não foi concebido pelo Pai” (p. 282). Nessa página do livro-texto, lemos ainda a respeito da “regra da inversão” na metafísica.

Mas como isso se aplicava à crise em meu país e à minha situação? Meu jejum consistia na regra da inversão: compreender o oposto do erro (o erro sendo as crenças de limitação, as quais se manifestam em empresas falidas, finanças instáveis, etc.). O oposto do erro é a Verdade, que transmite a compreensão de que a Mente é a única Vida e de que não existe uma existência separada de Deus, e que em Deus nada falta.

Lembro-me da reação da minha esposa, quando me ligaram para uma entrevista em uma fábrica e linha de distribuição de uísque. Depois da entrevista, agradeci os entrevistadores por terem me escolhido para a vaga, mas a recusei por razões éticas. Minha esposa ficou muito triste e um pouco “brava” comigo, porque aquela entrevista fora a primeira depois de quatro meses de espera.

Em uma longa conversa, falamos a respeito de como a compreensão espiritual, sob a luz da Ciência Cristã, nos guiara até então, e tomamos a decisão de ler o Salmo 18 todas as noites. Pela leitura, percebemos que somente Deus é a fonte do bem e que o bem nunca cessa de ser proporcionado para o filho de Deus. Lembro-me de imprimir duas folhas de papel com as seguintes palavras: “Não existe nenhuma oportunidade perdida na Mente divina. Quando fecha-se uma porta, outra abre-se”. Fixei essas folhas na porta do nosso quarto.

Não tinha passado muito tempo quando, certo dia, recebi a ligação de uma agência de emprego, convidando-me para uma entrevista no dia seguinte. Apresentei-me na hora marcada e fui selecionado. Então, assinei um contrato com salário três vezes maior comparado ao do emprego anterior. Fiquei muito grato por constatar que o local no qual fui alocado para trabalhar de segunda a quinta-feira ficava a 10 minutos de distância, a pé, de minha casa.

E para completar a bênção, quando a igreja da qual sou membro, Segunda Igreja de Cristo, Cientista, em Luanda, precisou de novos leitores, meu nome foi proposto entre outros candidatos, e fui eleito como Segundo Leitor.

Toda essa experiência é mais uma prova para mim de que Deus está sempre conosco, que coexistimos com Deus, onde quer que estejamos, e que as ideias espirituais estão acessíveis a todos e podem ser aplicadas por todos. Quando o poder do Espírito, do Amor divino e da Verdade divina enche a consciência humana, demonstrar a Verdade torna-se inevitável. A Sra. Eddy nos diz: “A pergunta: Que é a Verdade? se responde pela demonstração — tanto na cura da doença como na do pecado; e essa demonstração prova que a cura cristã propicia o máximo de saúde e faz os melhores homens” (p. viii), e isso também se aplica à abundância de suprimento. 

A Ciência Cristã nos ensina a erradicar de imediato o erro em nosso pensamento. Ciência e Saúde diz: “O escultor se volve do mármore para seu modelo, a fim de aperfeiçoar sua concepção. Todos nós somos escultores, que trabalhamos em formas variadas, modelando e cinzelando o pensamento. Qual é o modelo que está diante da mente mortal? Será a imperfeição, a alegria, a tristeza, o pecado, o sofrimento? Aceitaste o modelo mortal? Acaso o estás reproduzindo? Então ficas assombrado em teu trabalho por escultores maus e formas hediondas. Não ouves a humanidade toda falar do modelo imperfeito? ...

“Para remediar isso, temos primeiro de volver o olhar para a direção certa, e então seguir esse caminho. Precisamos formar modelos perfeitos no pensamento e contemplá-los continuamente, senão nunca os esculpiremos em uma vida sublime e nobre” (p. 248).

Toda vez que leio essa citação vejo a necessidade de estar constantemente em “jejum”, abstendo-me do erro e permanecendo receptivo à verdade em meu pensamento. Também vejo o crescimento espiritual que provém de agir assim. Agora considero esse “jejuar”, ou abster-se do modo mundano de pensar, como uma arte, como uma forma de glorificar a Deus. Não é algo que fazemos por algum tempo e então paramos, é uma maneira muito enriquecedora de viver.

TENHA ACESSO A MAIS ARTIGOS TÃO BONS COMO ESTE!

Bem-vindo ao Arauto-Online, o portal dO Arauto da Ciência Cristã. Esperamos que tenha gostado deste artigo que foi partilhado com você.

Para ter acesso total aos Arautos, ative sua conta usando seu número de assinante do Arauto impresso, ou assine JSH-Online ainda hoje!

More in this issue / outubro de 2018

A Missão dO Arauto

Quando Mary Baker Eddy estabeleceu o Arauto em 1903, ela disse que sua missão era a de "anunciar a atividade e a disponibilidade universal da Verdade" (The First Church of Christ, Scientist, and Miscellany, p. 353).

O Arauto registra, em suas páginas, a transformação que ocorre na vida de muita gente e mostra que cada um de nós pode chegar à Verdade.

Que alegria pensar que o efeito da Verdade atua na consciência humana, trazendo cura e renovação! Nosso Mestre, Cristo Jesus, nos prometeu algo que de fato está se cumprindo: "E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará" (João 8:32).

Cyril Rakhmanoff, O Arauto da Ciência Cristã, edição de julho de 1998
Conheça melhor O Arauto e sua missão.