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REFLEXÃO

Quem foi Jesus? O que é a trindade e por que devemos nos importar com ela?

Da edição de dezembro de 2010 dO Arauto da Ciência Cristã


Desde que Jesus iniciou seu ministério, tem havido equívocos e divergências sobre quem ele realmente era. A crescente discórdia entre os cristãos do século IV, a respeito da real identidade do Mestre, especialmente de sua relação com o Pai e o Espírito Santo, motivou o imperador romano Constantino a reunir um conselho de bispos no ano 325 da Era Cristã, para resolver a questão e restaurar a harmonia na Igreja: Seria Jesus Cristo, o Messias prometido, Deus ou o Filho de Deus; coexistente com o Pai ou criado por Ele? Nesse Conselho de Niceia, os bispos redigiram um documento conhecido como o Credo Niceno, no qual está declarado que o Filho é o "verdadeiro Deus oriundo do verdadeiro Deus", que desceu dos céus e "foi encarnado pelo poder do Espírito Santo por meio da Virgem Maria, e foi feito homem".

Essa noção de que Deus existe como três pessoas em uma única Divindade, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, conhecidos como a trindade, é o que a grande maioria dos cristãos aceita até hoje. Mas como será que o próprio Jesus via a si mesmo em relação a Deus e por que isso é importante? É importante porque Jesus disse: "...aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço e outras maiores fará..." (João 14:12) e: "Estes sinais hão de acompanhar aqueles que crêem..." (Marcos 16:17). Claramente, Jesus esperava que as curas que fazia continuassem a ser feitas. Além disso, se nós acreditarmos, isto é, tivermos suficiente compreensão espiritual da verdade que ele trouxe ao mundo, em vez de mera fé cega, poderemos realizar essas mesmas obras de cura e até maiores. No século XIX, uma cristã devota, que conhecia a promessa que Jesus fizera com relação às grandes obras que fariam aqueles que acreditassem nele, estava com problemas crônicos de saúde e sofrendo muito. Ela não encontrou nenhum alívio nos medicamentos convencionais, nem nos ensinamentos de sua igreja. A cura na igreja cristã havia diminuído consideravelmente, desde o século IV. Essa senhora pesquisou outros sistemas, tais como: homeopatia, hipnotismo e mesmerismo, mas foi em vão. Quando tudo a que ela recorreu falhou, em um momento de extrema necessidade após um sério acidente, ela buscou a Deus. Depois de ler sobre uma das curas de Jesus em sua querida Bíblia e orar sinceramente, ela foi curada, muito embora os que estavam presentes não esperassem que ela sobrevivesse.

Ao compreender a importância do que lhe havia acontecido, essa senhora, Mary Baker Eddy, comprometeu-se a levar avante uma pesquisa que explicasse o que tornara possível, tanto sua cura, como também as curas que constam da Bíblia. O que ela acabou descobrindo revelou uma perspectiva a respeito da trindade, que capacita os cristãos a realizar as curas que Jesus prometeu àqueles que creem, curas essas fundamentadas no que ele disse sobre Deus, sobre si mesmo e sobre a humanidade.

Eu descobri que uma melhor compreensão de quem foi Jesus e de seu relacionamento com Deus, seria importante para mim, tanto do ponto de vista teológico quanto prático. Há alguns anos, essa compreensão desempenhou um papel vital em uma cura que tive, após um grave acidente de carro. Na ocasião, disseram-me que fora um milagre eu ter sobrevivido ao acidente, mas que eu ficaria paralítica pelo resto da vida. Ao invés disso, uma semana após o acidente estava novamente caminhando.

Qual foi essa compreensão espiritual que me curou tão rápida e completamente? Ela está diretamente relacionada à descoberta de Mary Baker Eddy, descoberta essa que ela partilhou com o mundo como a Ciência Cristã que vê a trindade através das lentes da Ciência do Cristo.

Jesus se identificou a si mesmo

Quando Jesus disse: "Eu e o Pai somos um" (João 10:30), será que ele estava reivindicando ser idêntico ou igual a Deus? Ou estava ele dizendo que era inseparável de Deus, tal como o raio é inseparável do sol, como o efeito é insperável da causa? Estaria ele indicando que era coexistente com Deus e criado por Deus? Esses foram pontos cruciais para mim em minhas orações após aquele acidente. Quando Jesus perguntou aos seus discípulos quem eles pensavam que ele fosse, Pedro respondeu: "...Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo" (Mateus 16:16). Com a aceitação por parte de Jesus dessa declaração de Pedro, entendi que Jesus se identificou a si mesmo como o efeito ou emanação de Deus, o Espírito, em vez de como o próprio Deus.

Compreendi que Jesus reconhecia que Deus era a fonte ou causa de suas obras, e que aquilo que o capacitava a realizá-las era o espírito do Pai, a natureza do Cristo que permanecia nele.

Jesus curou, alimentou multidões, andou sobre as águas, ressuscitou mortos, mas disse: "Eu nada posso fazer de mim mesmo..." (João 5:30) e "...o Pai que permanece em mim, faz as suas obras" (Ibidem, 14:10). Compreendi que Jesus reconhecia que Deus era a fonte ou causa de suas obras, e que aquilo que o capacitava a realizá-las era o espírito do Pai, a natureza do Cristo que permanecia nele. Também compreendi essas obras como sendo a evidência da atividade do Cristo na consciência, curando a mente e o corpo, como comprovação do que Deus estava causando e Jesus manifestando.

O Evangelho de João relata: "Disse, pois, Jesus aos judeus que haviam crido nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará" (João 8:31, 32) e: "...Quem crê em mim crê, não em mim, mas naquele que me enviou" (12:44). Para mim, essas declarações sugerem que ser um discípulo significa que, na verdade, crer nas palavras do Mestre é crer em Deus, e dar continuidade àquilo que Jesus ensinava. Essas declarações também significam que crer nele como o Cristo, reconhecer sua verdadeira identidade como a manifestação do Espírito, capacita-nos, como discípulos, a compreender o que é verdadeiro sobre a nossa identidade e a nos livrarmos de todos os males e limitações que nos são impostos.

Para mim, entender esses conceitos ajuda a explicar a terceira entidade da trindade: o Espírito Santo. Quando alguém acredita em Deus como Espírito/Pai/Causa e reconhece o Filho como a emanação/efeito, então esse alguém está receptivo para compreender a grande verdade do ser e vivenciar o Espírito Santo. Pensemos em Isabel, Zacarias e Maria, bem como nos apóstolos no Dia de Pentecostes (ver Lucas capítulo 1 e Atos capítulo 2). Embora cada um deles tivesse vivenciado a graça de Deus, ou o que alguns poderiam chamar de milagre, essa foi a manifestação do Espírito Santo, que considero como a lei de Deus, a lei de causa e efeito, com Deus sendo a causa e o Filho o efeito, e o Espírito Santo a lei que une a causa e o efeito. Considero essas grandes obras de acordo com a lei divina de causa e efeito, como indiscernível aos cinco sentidos, mas em perfeita conformidade com essa lei divina.

A "divina trindade"

A Ciência Cristã, a Ciência do Cristo, está fundamentada nessa lei de causa e efeito, e revela a trindade como extremamente prática em nossa vida diária. Portanto, Mary Baker Eddy deu à trindade um lugar proeminente em Ciência e Saúde, como também a tornou essencial para os seis Artigos de Fé da Ciência Cristã, que a autora estabeleceu e relacionou no capitulo "Recapitulação", capítulo esse que se constitui em um resumo de seu livro. O segundo desses Artigos de Fé declara: "Reconhecemos e adoramos um Deus único, supremo e infinito. Reconhecemos Seu Filho, o Cristo único; o Espírito Santo ou Consolador divino; e o homem à imagem e semelhança de Deus" (p. 497). Em uma plataforma de princípios teológicos fundamentais dessa Ciência, Mary Baker Eddy descreveu sua interpretação da trindade, desta maneira: "A Vida, a Verdade e o Amor constituem a Pessoa trina e una chamada Deus—isto é, o Princípio triplamente divino, o Amor. Representam uma trindade em unidade, três em um—idênticos em essência, embora multiformes em função: Deus, o Pai-Mãe; Cristo, a ideia espiritual de filiação; a Ciência divina, ou o Santo Consolador" (p. 331).

"Multiformes em função" designa papéis separados ou funções para cada um:

Pai—Deus, o Pai-Māe, a causa, o criador, a origem, a Vida.

Filho—o efeito, a manifestação da causa una e única; o Messias ou o Cristo, a Verdade.

Espírito Santo—que está sempre nos inspirando, guiando e animando; o Consolador que cumpre a lei do Amor divino, demonstrando o poder do Cristo, impelindo e inculcando a Verdade divina; a Ciência Divina, que atesta a lei de causa e efeito, tendo Deus como a causa e o Filho como o efeito.

Ao concluir sua explicação sobre a trindade em Ciência e Saúde, Mary Baker Eddy escreveu: "Esses três expressam na Ciência divina a natureza tríplice e essencial do infinito. Indicam, também, o Princípio divino do ser científico, a relação inteligente de Deus com o homem e o universo" (pp. 331–332). A natureza do infinito inclui tanto a fonte quanto sua manifestação, porque a causa precisa incluir seu efeito para ser completa. A causa não pode existir sem o efeito, e o efeito não pode existir sem a causa. Ambos são inseparáveis, e eles jamais podem ser invertidos: O sol jamais será o efeito e o raio jamais será a causa. O Pai-Māe será sempre a fonte criadora, e o Filho será sempre seu efeito, pois manifesta sua natureza.

A trindade é uma explanação da própria essência e do fundamento do próprio ser. Ela ajuda a explicar a relação entre Deus (Criador) e o homem e o universo (Sua criação), e estabelece nossa substância espiritual e unidade com Deus, nossa fonte divina. Ela está no âmago da "exposição científica do ser" de Mary Baker Eddy, a qual diz, em parte: "Tudo é Mente infinita e sua manifestação infinita, porque Deus é Tudo-em-tudo" (Ciência e Saúde, p. 468).

O primeiro capítulo do livro Ciência e Saúde, "A Oração", já nos prepara a mesa para o banquete espiritual que se seguirá. Nesse capítulo aprendemos que a oração não é o "simples pedido de que Deus cure os doentes..." ou nos dê o bem que desejamos. Mas podemos aprender a orar como Jesus "...cujas orações humildes eram profundos e conscienciosos protestos da Verdade—da semelhança do homem com a Deus e da unidade do homem com a Verdade e o Amor" (p. 12). Saber que não podemos estar separados da Verdade e do Amor nos capacita a reconhecer e afirmar que temos todo o bem que necessitamos agora. Uma vez que prezamos orar a Deus, o segundo capítulo do livro Ciência e Saúde, "Reconciliação e Eucaristia", ilustra, por meio da vida de Jesus, nosso relacionamento indestrutível com Deus.

A cura fundamentada na divina trindade

Compreender esse relacionamento entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo, conforme explicado por Mary Baker Eddy na Ciência Cristã, capacita-nos a curar como Jesus o fazia, e como eu e inúmeros outros estamos comprovando hoje em dia. Revela também a lei subjacente às curas de Jesus, a lei de causa e efeito, que estabelece nosso relacionamento inseparável com Deus como o efeito da causa una e única.

"A Vida, a Verdade e o Amor constituem a Pessoa trina e una chamada Deus—isto é, o Princípio triplamente divino, o Amor. Representam uma trindade em unidade, três em um—idênticos em essência..."

Essa Ciência do Cristo é uma lei imutável e eterna que jamais pode ser violada, estar ausente ou ser interrompida, ou mesmo ser posta em risco. Ela não é abstrata, mas sim um princípio sólido, que está disponível para cada um de nós, em qualquer parte, a qualquer momento, sem exceçāo, assegurando-nos que nada é irremediável ou que está fora do controle de Deus, a despeito de qual seja sua aparência. É a eterna presença do amor que nosso Pai-Māe Deus tem para cada um de nós, manifestado como o Santo Consolador, renovando, restaurando, regenerando, destruindo qualquer espécie de discórdia, inquietação, aflição ou deterioração. Ela está trazendo ao mundo inteiro hoje a compreensão vital da verdade que pode nos curar e nos libertar do medo, da carência, da perda, das limitações, das imposições, da opressão e do sofrimento de qualquer espécie!


Rosalind é Praticista e Professora de Ciência Cristã em Saint Louis, Missouri, EUA.

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A Missão dO Arauto

Quando Mary Baker Eddy estabeleceu O Arauto em 1903, ela disse que sua missão era a de "anunciar a atividade e a disponibilidade universal da Verdade" (The First Church of Christ, Scientist, and Miscellany, p. 353).

O Arauto registra, em suas páginas, a transformação que ocorre na vida de muita gente e mostra que cada um de nós pode chegar à Verdade.

Que alegria pensar que o efeito da Verdade atua na consciência humana, trazendo cura e renovação! Nosso Mestre, Cristo Jesus, nos prometeu algo que de fato está se cumprindo: "E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará" (João 8:32).

Cyril Rakhmanoff, O Arauto da Ciência Cristã, edição de julho de 1998
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