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Reconhecer o único Ego gera um governo harmonioso

Da edição de maio de 2017 dO Arauto da Ciência Cristã

Tradução do original em inglês publicado na edição de 31 de outubro de 2016 do Christian Science Sentinel.

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Eu estava vendo televisão na primeira noite da tentativa de golpe na Turquia, há alguns meses. O caos, a fúria, o tiroteio, as bombas, milhares de pessoas gritando, tanto a favor como contra o golpe, tudo era uma confusão extremamente perigosa e meu coração condoeu-se por todos os envolvidos em ambos os lados desse conflito.

Desliguei a TV para orar um pouco. Em seguida, abri a Bíblia nesta passagem, que me veio ao pensamento: “Por que se enfurecem os gentios e os povos imaginam coisas vãs? Os reis da terra se levantam, e os príncipes conspiram contra o Senhor e contra o seu Ungido, dizendo: Rompamos os seus laços e sacudamos de nós as suas algemas. Ri-se aquele que habita nos céus; o Senhor zomba deles” (Salmos 2:1–4).

Quando li essa passagem, senti algo do que esse salmo transmite em relação ao poder supremo de Deus e da impotência de tudo o que se enfurece contra Deus, tudo o que se esforça para se reafirmar como um ego, uma identidade ou um poder separado de Deus. O que me inspirou foi a ver-dade de que todo aquele cenário de muitas mentes em conflito era, em essência, sem valor e sem poder diante do que a Bíblia ensina sobre Deus, porque esse caos é uma descarada negação do governo supremo e harmonioso de Deus.

A Bíblia se refere a Deus como “EU SOU” (Êxodo 3:14). Na Ciência Cristã essa expressão é considerada como mais do que apenas um nome. É considerada como o Ego divino, infinito, sempre afirmando sua bondade, harmonia e o fato de Deus ser o único Ego que existe. A Bíblia também menciona a Deus como a Mente que cumpre Sua vontade divina sem hesitação ou oposição. Por exemplo: “...se ele resolveu alguma coisa, quem o pode dissuadir?” (Jó 23:13). Sabendo que Deus é o bem, eu podia entender que Sua vontade, expressa em Sua lei e governo todo abrangente, é também boa. E se a humanidade compreendesse suficientemente que essa Mente é a única que existe, o resultado seria mais união na terra, mais harmonia, cooperação, justiça e bem-estar.

Ao terminar de orar eu havia chegado a um senso elevado de como é importante para o bem-estar do mundo o fato de se compreender melhor o único Ego, Deus, bem como a verdadeira natureza do homem, que é a própria expressão de Deus. A união e a sabedoria em assuntos humanos não podem ser sustentadas em uma base material, porque as características subjacentes a esse senso de vida são a divisão e o erro, ou seja, a divisão entre muitas mentes e muitos egos e o erro de aceitar que a vida e a mente sejam materiais e, portanto, separadas do único Deus, o Espírito divino infinito, que governa toda a realidade.

Um erro, ou equívoco, em qualquer aspecto de nossa experiência, geralmente produz problemas. Um dos resultados do conceito errôneo de que a vida é material fica evidente nas inúmeras dificuldades que vemos nos governos humanos, como por exemplo, a tirania gerada pela ambição louca, pela cobiça por poder, pela ganância e pelo medo. Ou, na extremidade oposta do espectro, o impasse e a disfunção criados pelos interesses políticos obstinados e conflitantes, e pelo egoísmo que só vê seus próprios interesses. O erro da materialidade também resulta em governos humanos que, às vezes, embora normais, tomam decisões mal-orientadas.

Como a Bíblia indica, de diferentes maneiras, a união, a sabedoria e a prosperidade estão ancoradas em um único Deus, um único Princípio divino, o Espírito infinito, que governa tudo em harmonia. No Glossário do livro-texto da Ciência Cristã, Mary Baker Eddy dá esta definição da palavra “Eu ou Ego”. Começando com os termos para Deus, lemos, em parte: “O Princípio divino; o Espírito; a Alma; a Mente eterna, incorpórea, infalível e imortal.

“Existe um só Eu, ou Nós, um só Princípio divino, a Mente, que governa toda a existência; o homem e a mulher, para sempre inalterados em seu caráter individual, tal como os números, que nunca se fundem uns com os outros, embora sejam governados por um só Princípio” (Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, p. 588).

A infinitude não se expressa naquilo que é finito. A imagem do Ego único, da única Mente divina, não se constitui em muitos egos finitos, separados, todos seguindo seus próprios caminhos diferentes, com suas próprias vontades, agendas e interesses separados. Individualmente, todos somos inconfundíveis. Nunca nos fundimos “uns com os outros”, nunca perdemos nossa individualidade. Mas todos nós expressamos a Deus, portanto expressamos a mesma Mente e somos “governados por um só Princípio”. Portanto, nós todos expressamos o movimento e o governo da Mente, para o qual não há obstáculos, e estamos incluídos no desdobramento constante do propósito divino da Mente. Sob o governo de Deus, os confrontos, os interesses conflitantes, as obstruções e as desagregações não são possíveis, porque a Mente nunca está em desacordo consigo mesma, assim como cada um de nós, como ideia espiritual individual de Deus, nunca está em conflito com os outros. Ciência e Saúde nos orienta sobre como orar a esse respeito: “Mantém-te firme na compreensão de que a Mente divina governa e de que na Ciência o homem reflete o governo de Deus” (p. 393).

O senso material a respeito da vida não pode compreender a Deus e Seu governo harmonioso, supremo. Portanto, é importante, para cada um de nós, orar diariamente a fim de nos elevarmos acima do senso material de que os filhos de Deus sejam mortais, com suas próprias pessoalidades finitas.

Nós podemos saber se estamos aceitando o senso material; se estamos, por exemplo, constantemente encantados com a pessoalidade material; ou se o tumulto no mundo nos deixa em estado de choque, revoltados, com raiva ou com medo. O antídoto para não nos deixarmos absorver pela pessoalidade é nos tornarmos mais conscientes da verdadeira individualidade, ou seja, os filhos perfeitos, amados, de Deus, expressando a única Mente. O remédio para não sermos abalados pelos acontecimentos do mundo é nos elevarmos mentalmente por meio da oração, para que possamos discernir melhor a ideia-Cristo, a verdadeira ideia de Deus e do homem, caminhando amorosamente sobre as ondas do sofrimento humano, falando ao nosso coração expectante e receptivo.

Duas estrofes de um poema de Mary Baker Eddy transmitem a promessa que nos espera quando buscamos elevar espiritualmente nosso pensamento:

Avisto sobre o bravo mar

O Cristo andar,
E com ternura a mim chegar,
E me falar.

Na rocha da Verdade vim
A Vida achar;
Ali, nem vento ou onda a mim
Vem abalar.

(Hinário da Ciência Cristã, 253, tradução © CSBD)

Em uma casa, a luz entra através das janelas. Na “casa” onde todos nós vivemos juntos neste mundo, a luz do Cristo, a Verdade, vem à humanidade através da janela individual dos nossos pensamentos espiri-tualizados e da nossa vida transformada.

Cada dia é uma nova oportunidade para orarmos por mais discernimento espiritual e por mais amor, para discernirmos, com nosso coração e nossa alma (senso espiritual), que Deus é um só Deus, o bem, e então ver o homem como a emanação de Deus, refletindo o fato de que Deus é um só e único, refletindo a sabedoria da Mente, refletindo aquele bem que é desprovido do ego e que é próprio do Amor, e refletindo a ordem, a integridade e a justiça do Princípio divino. Não devemos ficar desanimados se estivermos em falta nesse sentido. Qual de nós já não se sentiu às vezes assim? Mas nosso desejo sincero de obter mais discernimento espiritual é sustentado pelo Amor divino, nosso Pai-Mãe, que nos leva a reinos mais elevados de compreensão, à medida que trabalhamos e oramos de forma honesta e sincera.

A influência levedante do Amor,  percebida na atividade purificadora do Cristo e da ação imperativa da Ciência divina, ou seja, do Confortador, transforma nossos pensamentos, e transforma também os pensamentos dos outros. Então, tudo o que for conflituoso para o governo sábio e justo é posto a descoberto. Um maior número de pessoas percebe o que está errado e o que precisa ser corrigido.  As pessoas começam a tomar medidas para mudar ou eliminar o que está errado. 

Mas o mais importante é que esses erros  ficam mais evidentes ao senso espiritual das pessoas, e são reconhecidos como algo irreal, porque a opressão, o caos, a confusão e o impasse não têm lugar na criação de Deus. Essa percepção espiritual é essencial, como também é essencial que oremos frequentemente para que essa compreensão progrida em nós mesmos e nos outros, porque somente o reconhecimento da irrealidade do mal pode realmente destruí-lo e proporcionar apoio seguro aos esforços humanos para trazer reforma. 

Não existe nenhum Ego separado de Deus e tudo o que Ele criou dá testemunho do Seu governo sábio e harmonioso. Ao volver-nos diariamente ao Amor divino em busca de compreensão e inspiração, somos renovados pela percepção crescente da supremacia do Amor acima de tudo e pela nulidade de tudo o que se “enfurece” em vão contra o Amor. O crescimento contínuo nessa direção ajudará nosso mundo.

Tradução do original em inglês publicado na edição de 31 de outubro de 2016 do Christian Science Sentinel.

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A Missão dO Arauto

Em 1903, Mary Baker Eddy estabeleceu O Arauto da Ciência Cristã. Seu propósito: "...para anunciar a atividade e disponibilidade universal da Verdade". A definição de “arauto”, conforme consta de um dicionário: “precursor, um mensageiro enviado com antecedência para anunciar a proximidade daquilo que está por vir”, proporciona um significado especial ao nome Arauto, além de destacar a obrigação de cada um de nós, a de nos certificarmos de que nossos Arautos cumpram sua incumbência, uma incumbência que é inseparável do Cristo e que foi anunciada primeiramente por Jesus (Marcos 16:15), “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura”.

Mary Sands Lee, Christian Science Sentinel, 7 de julho de 1956

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