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Original para a Internet

Desarmar a violência

DO Arauto da Ciência Cristã. Publicado on-line – 30 de agosto de 2021


Certo dia, este ano, uma menina de 12 anos entrou de manhã em sua escola em uma comunidade agrícola dos Estados Unidos e atirou em três pessoas. Logo depois, uma corajosa professora saiu de sua sala de aula e, vendo quem havia atirado, dirigiu-se calmamente à menina e conversou com ela. Em poucos minutos, a professora, com bastante calma, desarmou a criança. Então ficou segurando e consolando aquela garota “muito infeliz” até a polícia chegar. Posteriormente, o cunhado da professora a chamou de “mãe por natureza”. E escreveu em seu blog: “Ela agiu com determinação, mas foram a ternura e o amor maternal — não a força — que passaram a arma das mãos da menina para as dela” (“How a teacher disarmed school shooter with motherly love” [Como uma professora, com amor maternal, desarmou uma criança na escola], The Christian Science Monitor, 20 de maio de 2021).

Felizmente, não morreu ninguém, e os feridos logo se recuperaram. Mas, para começo de conversa, o que é que leva as pessoas, até mesmo uma garotinha, a recorrer à violência?

O autor de um livro publicado há pouco tempo sobre resolução de conflitos argumenta que o problema fundamental na maioria das situações explosivas é o que tem sido chamado de “a bomba nuclear das emoções”: a humilhação. (Ver “Is any conflict unsolvable? This author doesn’t think so” [“Existe algum conflito que não possa ser resolvido? Este autor não pensa assim”], de Stephen Humphries, Monitor, 14 de junho de 2021.) Para alguns, parece constante a sensação de estarem sendo degradados, de não pertencerem a grupo algum, ou de que ninguém nem sequer se importa com eles. E essas pessoas, ao acreditarem que sua própria identidade está em risco, farão qualquer coisa para lutar contra o que quer que seja ou contra quem quer que os esteja tratando como inferiores.

Mas nada disso é realmente novidade. Cristo Jesus enfatizou esse mesmo ponto no Sermão do Monte: “Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; e: Quem matar estará sujeito a julgamento. Eu, porém, vos digo que todo aquele que [sem motivo] se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento; e quem proferir um insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal; e quem lhe chamar: Tolo, estará sujeito ao inferno de fogo” (Mateus 5:21, 22). É claro que os pensamentos são letais, muito antes das emoções, palavras, ações e reações às quais dão origem. 

No mesmo sermão, Jesus convocou seus ouvintes a dar um passo radical, tanto na mente quanto no coração, para corrigir esses erros: “Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste, porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos… Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste” (Mateus 5:44, 45, 48).

Nossa individualidade criada por Deus não é de maneira alguma propensa à violência, raiva, frustração ou humilhação. E essas não são inatas a nenhuma criança, mulher ou homem, como parte da criação de Deus, assim como a doença também não é parte dessa criação. A verdade é que somos feitos para amar, não para odiar ou ferir — seja aos outros ou a nós mesmos. E fomos criados para viver em relação amistosa com todos, porque o Deus que nos criou é o Amor — o único poder real. Essa é a única explicação para o contínuo apelo do Cristo aos seus seguidores, para amarem a todos — vizinhos ou forasteiros, parentes ou inimigos.

A obra mais importante de Mary Baker Eddy, Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, explica que o amor vivido pelo Cristo é universal e é sempre o bastante. “A profundidade, a largura, a força, a majestade e a glória do Amor infinito enchem todo o espaço. Isso é suficiente!” Esse bem genuíno e imparcial é inevitavelmente pacífico e cheio de sabedoria, despertando pensamentos e ações que não visam só a remendar as coisas ou aplacar motivos maus, mas trazem solução do problema básico: uma interpretação errada de quem somos e do que pensamos uns dos outros, como mortais perdidos e capazes de agir com desonra, por conta própria e motivados pelo medo. Em vez disso, o Amor reconhece nossa eterna e imutável união com Deus, e faz com que sejamos semelhantes a Deus, espirituais e incapazes de sentir-nos humilhados, assim como somos incapazes de perder a paciência, perder o controle, ou deixar de receber o amor de Deus. 

O livro-texto da Ciência Cristã realça a garantia que isso traz com relação a estarmos a salvo de correr o risco, tanto de perpetrar a violência e agir por vontade humana, quanto de ser por elas vitimado. Esse livro mostra um caminho para todos seguirem: “Revestido com a armadura do Amor, tu não podes ser atingido pelo ódio humano. O cimento de uma humanidade mais elevada unirá todos os interesses na natureza divina, que é una e única” (Ciência e Saúde, p. 571).

Podemos nos esforçar, buscando reconhecer a criação do Amor, tanto nas pessoas que nos rodeiam como em nós mesmos. Dessa maneira, nos aprimoramos e crescemos em paciência, bondade, generosidade e afeto, os quais recebemos do Amor. À medida que assim agirmos, seremos capazes de resistir aos pensamentos que tentariam nos fazer sentir indignos ou irados; e ao dar-nos conta de que não são reais esses sentimentos, podemos desarmar a insatisfação e outros angustiosos pedidos de ajuda, os quais silenciosamente alegam ser parte de nossa identidade (ou da identidade dos outros) fazendo a vingança parecer justificada. 

O amor santo, puro e incessante que emana de Deus, e está em cada um de nós, se alegra com a oportunidade de valorizar e elevar os outros. Ao permitir que esse amor nos guie o coração e a consciência, nos tornamos pacíficos e pacificadores. E isso nos ajudará a abandonar a violência — em pensamentos, palavras e atos — a favor de Deus e Seu amor maternal que ternamente mantém cada um de nós.

Ethel A. Baker
Redatora-Chefe

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