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Original para a Internet

Uma página nova e limpa, tanto para vítimas quanto para agressores

Da edição de março de 2019 dO Arauto da Ciência Cristã

Publicado anteriormente como um original para a Internet em 17 de janeiro de 2019.


A recente onda de histórias dos sobreviventes de violência sexual me toca o coração, como também o de muitas pessoas. Em geral, mas não sempre, as vítimas são mulheres. Muitos estão se pronunciando publicamente sobre o assunto pela primeira vez. 

Essas revelações, que vieram à tona nos últimos tempos, foram desencadeadas no âmbito de personagens de destaque na política, muitos deles em posições proeminentes. Tal como outros espectadores em todo o mundo, eu me mantive focado nas ramificações morais e de ordem prática sobre o que estava se desdobrando. Mas, com certa preocupação, notei uma crescente tendência, que vai se infiltrando na totalidade do debate: a ampla aceitação de que uma experiência traumática causa danos permanentes. A avalanche de histórias deixou claro para mim que muitas pessoas seriam beneficiadas se fosse possível derrubar pelo menos esse pressuposto, no que se refere à vida delas. A Ciência Cristã me mostrou que podemos nos libertar das consequências de tragédias passadas. Por isso eu tive um enorme desejo de que outras pessoas também conhecessem essa liberdade.

Não pretendo negar o quanto duram na memória os problemas vivenciados por tantos sobreviventes de traumas, inclusive as vítimas de outros crimes violentos e atos terroristas, e também os veteranos de guerra. Muitos se sentem sem saída em um labirinto de raiva, ansiedade e do peso da vergonha, que eles carregam, injustamente. Mas alguns encontraram um caminho para escapar desse labirinto mental, encontraram uma libertação espiritual que não depende dos pensamentos, palavras ou ações dos outros. Esse caminho depende só de se aceitar um fato espiritual eternamente estabelecido, isto é, a relação que todos temos com o nosso Criador. A Ciência Cristã explica que esse Criador é a Mente divina e define nossa verdadeira identidade como a manifestação dessa Mente. Ali mesmo onde o medo profundo e a raiva parecem estar, podemos despertar para essa identidade, que é consciente do eterno bem, que é de Deus, conforme diz Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, de autoria de Mary Baker Eddy: “O homem e seu Criador estão correlacionados na Ciência divina, e a consciência real só tem conhecimento das coisas de Deus” (p. 276).

À medida que passamos a entender que nossa verdadeira consciência é o conhecimento do bem eterno, vemos que não existe lugar dentro desse pensar espiritual onde as recordações temporais possam se enraizar. Dia após dia, podemos crescer no entendimento e comprovação de que somos o reflexo, a reflexão da Mente, de um modo que subjuga e acaba por silenciar o implacável relembrar dos acontecimentos traumáticos.

Esse tema me veio recentemente ao pensamento devido a uma história comovente, contada por uma mulher que sofrera intenso abuso na infância. Essa senhora me contou que durante décadas reprimira as lembranças dos maus-tratos recebidos, até que, tempos depois, essas recordações reapareceram, de um modo avassalador. Foi tão doloroso, que lhe provocaram tendências suicidas. (O agressor já havia falecido, portanto ela não podia confrontá-lo sobre os atos que ele cometera). Ao contar sua história, disse que havia dias melhores e piores, e dias em que não queria nunca mais ver o sol nascer.

Ela pediu ajuda a outros, inclusive a membros da igreja, mas sentiu que, do modo como eles reagiram, era porque não a haviam compreendido. Então, em vez disso, buscou respostas diretamente na Bíblia e em Ciência e Saúde, e o que encontrou teve o efeito almejado. Ela disse: “Entender o conceito de que Deus é amoroso, e que sou filha de Deus, bem amada por Ele, foi um bálsamo para mim. Continuei lendo, e com o passar de vários meses, a escuridão se dissipou. Lágrimas diárias deram lugar à oração diária. Percebi que ‘Deus é luz, e não há nele treva nenhuma’ (1 João 1:5)”.

Ela compreendeu que, por ser filha de Deus, sua verdadeira herança era estar em união com essa luz divina. Assim, viu que sua verdadeira existência era exclusivamente espiritual, e nunca fora afetada por atos malévolos de outra pessoa. À medida que reconheceu que sua verdadeira história era de pureza e inocência, ela se deu conta de que podia viver de modo puro e inocente. Assim ficou livre, de maneira completa e definitiva, daquelas recordações e do desassossego mental.  

Ao olhar para trás com gratidão pelos 25 anos desde a cura, ela oferece uma mensagem para todas as pessoas que possam estar sofrendo os efeitos de um passado traumatizante: “Existe esperança; existe luz; e elas são suas gratuitamente agora mesmo e para sempre. E essa luz é poderosa o bastante para vencer as trevas”.   

E com relação às pessoas que causaram a história traumatizante? Raciocinei que essa mensagem espiritual, tão importante para as vítimas, também se aplica aos que fizeram o mal. Também eles podem chegar a compreender sua natureza espiritual, que os habilita a suplantar o seu próprio passado. Porém existe uma grande diferença entre cometer um crime e ser vítima de um crime. E essa diferença determina o que é necessário para que haja uma libertação quanto à culpa. É preciso haver um despertar moral, é preciso que a pessoa reconheça e, quando apropriado, expresse diretamente um genuíno remorso, um arrependimento sincero. Despertar, e admitir que seus próprios motivos e atos estavam errados, é um passo crucial quando alguém busca a redenção por haver feito o mal. No caso das vítimas, por outro lado, despertam para ver que os pensamentos de culpabilidade pelo que aconteceu são ilegítimos.

O poder que produz a transformação é o mesmo, tanto em um caso quanto no outro, é a compreensão da ideia espiritual da qual Jesus deu provas, ou seja, de que Deus é a Mente única. Isso põe a descoberto a irrealidade da natureza mortal, tanto a pecadora como a que foi vitimizada por um pecador, embora pareça existir essa natureza materialmente formada e governada por uma mentalidade limitada, que a Bíblia chama de mente carnal. É nessa mentalidade mortal, que não é nossa mente, que se encontram as recordações de um passado doloroso ou pecador. A falsidade desse senso material a respeito de nós mesmos foi posta a descoberto por meio da mentalidade diametralmente oposta, ou a natureza do Cristo, que Jesus, por meio de suas palavras e obras de cura, demonstrou estar em todos nós. Com o exemplo dele, podemos entender de que modo nossa expressão da pureza espiritual da Mente, quando compreendida e aceita como nossa verdadeira natureza, rompe os grilhões que nos fazem sentir acorrentados a um passado trágico.

Nem todos entre nós tivemos a experiência de sentir na pele o que é passar por violações, terrorismo ou guerra. E a maioria de nós não transpassa a barreira da normalidade e comete atos ilícitos. Mas apesar disso, ocorrências menores podem ainda assim nos fazer remoer uma experiência de vulnerabilidade já passada, ou sentir remorso por atos indecentes. Toda vez que o reconhecimento e a aceitação de nossa verdadeira pureza, que é o reflexo de Deus, supera um senso recorrente do passado, indica o rumo da liberdade para os que se debatem com memórias traumáticas mais graves. E qualquer pessoa que tenha comprovado que mesmo a mais escura recordação pode ceder à libertação que reside em saber quem realmente somos, está mostrando como o amor de Deus sempre pode produzir uma página nova e limpa, para todos.

Tony Lobl
Redator-Adjunto

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O Arauto registra, em suas páginas, a transformação que ocorre na vida de muita gente e mostra que cada um de nós pode chegar à Verdade.

Que alegria pensar que o efeito da Verdade atua na consciência humana, trazendo cura e renovação! Nosso Mestre, Cristo Jesus, nos prometeu algo que de fato está se cumprindo: "E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará" (João 8:32).

Cyril Rakhmanoff, O Arauto da Ciência Cristã, edição de julho de 1998
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