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Original para a Internet

Consolo, força e reconciliação

Da edição de dezembro de 2021 dO Arauto da Ciência Cristã

Publicado anteriormente como um original para a Internet em 6 de setembro de 2021.


 Recentemente, no Canadá, foram descobertos centenas de túmulos de crianças não identificadas. Essas descobertas deixaram o país atônito. Os túmulos estão localizados perto de antigos internatos religiosos mantidos pelo estado, cujo objetivo era fazer com que as crianças das Nações Nativas assimilassem a cultura euro-canadense. Tais descobertas chocaram a maioria dos canadenses e confirmaram o que muitos membros das Nações Nativas denunciam há anos. (Ver, por exemplo, “An Indigenous children’s grave unearths Canada’s grim history” [O túmulo de crianças indígenas desenterra a sombria história do Canadá], CSMonitor.com, 4 de junho de 2021.)

Como pode um país, que celebra a diversidade de tantas maneiras, enfrentar com coragem e honestidade um lado tão cruel de sua história, uma história que continua a deixar marcas nos sobreviventes e nas gerações que se seguiram?

De acordo com Perry Bellegarde, ex-chefe nacional da Assembleia das Nações Nativas, o país está avançando em direção a uma reconciliação. E embora as histórias desses povos sejam geralmente dolorosas, muitas delas estão sendo contadas com espírito de alegria e até mesmo com humor, o que tem ajudado a mim e a outros a perceber que fazemos parte de uma mesma humanidade e a renovar a empatia entre nós.

Embora contar a história com exatidão seja importante para a cura, o estudo e a prática da Ciência Cristã me ajudam a ver que há certas verdades que existem acima da história humana e que são muito valiosas ​​para que haja uma reconciliação. Jesus apontou para a imanente eternidade da existência, quando disse: “...antes que Abraão existisse, eu sou” (João 8:58). Essa afirmação certamente indica a natureza atemporal do Cristo, a verdadeira ideia de Deus, que Jesus trouxe à luz por meio de sua incomparável vida. Também pode ser compreendida como uma profunda declaração a respeito da identidade de todos nós como filhos de Deus, a qual Jesus provou em suas inúmeras curas. A partir dessa perspectiva, podemos começar a compreender que cada um de nós sempre coexistiu com nosso Pai-Mãe Deus e uns com os outros: antes da fundação da Cidade de Quebec, por Samuel de Champlain em 1608; antes de Jacques Cartier ter chegado nos anos 1500 e começado a chamar com esse nome o que se tornaria o Canadá; mesmo antes de os vikings chegarem àquela que vários grupos indígenas chamam de Ilha Tartaruga (América do Norte).

“Antes” na afirmação de Jesus não tem um significado cronológico, mas sim metafísico, espiritual. Cada um de nós existe, existiu e sempre existirá independentemente da história humana, como progênie de nosso Pai-Mãe celestial, o Amor infinito — em paz e harmonia uns com os outros.

Essa é a realidade a respeito de toda identidade, a qual Mary Baker Eddy, a Descobridora da Ciência Cristã, encontrou nas Escrituras: que fundamentalmente, a identidade de todos é puramente espiritual e livre como expressão do Amor eterno. Ela escreveu: “Inteiramente separada da crença e sonho no viver material, está a Vida divina, que revela a compreensão espiritual e a consciência do domínio que o homem tem sobre toda a terra” (Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, p. 14).

Reconhecer essa verdade a respeito de nossa pura espiritualidade, e manter-nos conscientes do domínio que Deus nos deu e que a Bíblia atribui a todos, como filhos de Deus, não significa ignorar a história humana. Mas nos dá uma base sólida para que não sejamos controlados por essa história. Como filhos de Deus, o Amor, todos nós somos capazes de, com humildade, empenhar-nos em alcançar, em nossas experiências individuais e coletivas, o discernimento necessário para valorizar o que há de bom na história, a força para nos libertar dos erros e sofrimentos do passado, e a habilidade de amar nosso próximo com mais liberalidade.

Recentemente, caminhando pelo centro da cidade, em uma ensolarada manhã de verão, fui inspirado a me aproximar de uma senhora do povo inuíte, e que parecia estar precisando de um pouco de apoio (muitos inuítes vêm do norte do Canadá para a cidade em que moro, Ottawa, para ter acesso a serviços de saúde e escolas). Naqueles breves momentos, um sentimento de amor e afeto fraternal encheu meu coração. Senti-me impelido a dizer, com profunda convicção: “Deus ama você. Você é muito importante”. A mulher agarrou meu polegar, segurou-o com força e disse: “Obrigada”. 

Naquela singela troca de palavras, senti que, não obstante sermos de raças diferentes e termos experiências de vida diferentes, estávamos recebendo um presente espiritual, vislumbrando a realidade mais elevada de nossa existência em Deus. Embora aquele momento tenha sido breve, o espírito daquele amor divinamente impelido permaneceu em meu pensamento como uma melodia, trazendo-me inspiração. Duvido que eu venha a passar por aquele local novamente, sem lembrar aquela doce experiência.

Verdadeiramente, o amor fraternal é a única maneira de propiciar reconciliação e igualdade duradouras. Somente o amor nos dá a força para realizar a mudança em nós mesmos, a qual repercute na maneira como nos relacionamos com os outros e pode até causar impacto na política e nas instituições. Felizmente, nossa verdadeira natureza como irmãos e irmãs espirituais — cada um de nós eternamente amado na família universal de Deus — nos dá o poder de expressar mais e mais esse amor.

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— Mary Baker Eddy, The First Church of Christ, Scientist, and Miscellany p. 353 [A Primeira Igreja de Cristo, Cientista, e Outros Textos]

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