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Original para a Internet

Neutralizar o racismo com a Verdade

Da edição de dezembro de 2021 dO Arauto da Ciência Cristã

Publicado anteriormente como um original para a Internet em 9 de setembro de 2021.


De volta das férias de Natal, minha família e eu estávamos no aeroporto, passando pelo controle da segurança. Meu marido e nosso filho foram encaminhados para a fila expressa, devido ao seu status de passageiro frequente, enquanto eu e nossa filha de dez anos ficamos na fila de passageiros comuns.

Quando coloquei nossas malas na esteira transportadora, o homem à nossa frente virou-se de repente e, visivelmente irritado, jogou nossa bagagem no chão.

Eu não disse nada. Não tendo a menor ideia de qual seria o problema, achei melhor dar mais espaço ao homem, e esperei que ele avançasse alguns metros, antes de recolocar nossa bagagem na esteira.

De novo, o homem se virou, com o rosto vermelho de raiva, e atirou nossa bagagem no chão. Com voz deliberadamente calma e em tom normal, perguntei se havia algum problema. Agitando as mãos, ele gritou: “Com certeza há um problema! Você e sua raça!” (Eu sou negra.) Ele estava a pouco mais de um braço de distância de nós, e se aproximou, lançando por vários minutos invectivas de ódio racista. O aeroporto estava lotado, mas ninguém veio em nosso auxílio.

Visto que situações como essa só acontecem quando meu marido, que é branco, não está por perto, eu estou habituada a confiar em Deus como “...socorro bem presente nas tribulações” (Salmos 46:1). Acalmei meus pensamentos e perguntei a Deus o que eu precisava saber. Qual era a verdade que nos libertaria? Em tais circunstâncias, passagens bíblicas me vêm muitas vezes à mente com clareza cristalina, e o que lembrei naquele momento foi o seguinte: “Pois disseste: O Senhor é o meu refúgio. Fizeste do Altíssimo a tua morada. Nenhum mal te sucederá” (Salmos 91:9, 10). As pessoas não são o nosso refúgio; Deus sim. Por isso, nós estávamos protegidas e em segurança.

Logo após essa compreensão, veio-me outro escudo espiritual: “O mal não é poder”, verdade fundamental encontrada no livro-texto da Ciência Cristã, Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, de Mary Baker Eddy (p. 192). Raciocinei: “Ou Deus, o bem, tem todo o poder, ou não é Deus. Visto que Deus é o único poder, o ódio e o preconceito não podem ter nenhum poder”.

Fiquei parada, pensando nessas verdades, e não respondi de modo algum àquele homem, que parou de gritar, deu meia volta e continuou a cuidar da própria bagagem. Minha filha e eu pudemos sair daquela área sem mais incidentes e nos reunimos com meu marido e meu filho. Eu estava um pouco abalada mas, acima de tudo, estava grata por me sentir livre do sentimento de vitimização, o qual transcende as circunstâncias e tem o potencial de se tornar perpétuo.

 Continuei a orar por orientação e compreensão. Ouvir com o coração tranquilo me permitiu compreender que, em realidade, não há nenhum elemento no racismo ― nenhum vilão, nenhuma vítima, nenhuma testemunha.

O VERDADEIRO VILÃO

O verdadeiro vilão do ódio racial não é uma pessoa. É uma mentira dos sentidos materiais. Essa mentira perpetua o mito de que somos materiais, separados de Deus, divididos em grupos que têm como base a cor, e que possuímos mentes próprias, com as quais podemos praticar o mal. Onde quer que essa crença seja tolerada, ela causa estragos, até ser corrigida pela Verdade divina, que afirma que possuímos a inocente e invulnerável Mente do Cristo, abençoando a todos, sem prejudicar ninguém. A consciência de nossa união com Deus é alcançada unicamente por meio dos sentidos espirituais. Manter essa verdade acima de tudo em nosso pensamento neutraliza a suposta potência do mal.

Como Líder do movimento da Ciência Cristã e como mulher, Mary Baker Eddy vivenciou tanto o ódio como a discriminação, mas recusou-se a reconhecer pessoas como inimigas ou como agentes do mal. Compreendia que a verdadeira natureza do homem é espiritual, incapaz de ofender ou causar dano, e ela sempre enfrentava os oponentes com o amor do Cristo.

Em um de seus artigos, intitulado “Amai os vossos inimigos”, a Sra. Eddy pergunta ao leitor: “Quem é teu inimigo, para que devas amá-lo? Será uma criatura ou alguma coisa que não tenhas tu mesmo criado?

“Será que podes ver um inimigo, a não ser que primeiro o concebas e depois contemples o objeto de tua própria concepção? O que é que te causa dano? Pode a altura, ou a profundidade, ou qualquer outra criatura separar-te do Amor que é o bem onipresente — que abençoa infinitamente a um e a todos?” (Miscellaneous Writings [Escritos Diversos] 1883–1896, p. 8).

LIVRE DA VITIMIZAÇÃO

A história humana talvez nos impressione com suas evidências de injustiça e discriminação, e sua narrativa frequentemente leva a sentimentos de raiva, desconfiança, amargura, e a um senso de vitimização. Encobrir esses sentimentos simplesmente ignorando-os, não ajuda em nada. Tampouco podemos aceitar a sugestão de que o homem esteja à mercê de acontecimentos históricos. Como filhos de Deus, temos a autoridade divina e a obrigação de rejeitar essa imposição, porque é falsa. O homem é a ideia mais elevada de Deus. Ele é livre para trilhar com amor o seu caminho de ascendência sobre o mal, como observamos na experiência de Nelson Mandela e outros. Nenhuma circunstância pode limitar a capacidade natural intuitiva do homem para vencer o mal com o bem. 

Quer estejamos sofrendo com a crença de sermos vítimas do racismo, ou com a crença igualmente errônea de sermos racistas ― o Amor divino está à altura da necessidade humana. O amor corrige aquilo que não tem o direito de estar no pensamento. As manchas de amargura, desconfiança e ressentimento talvez tentem perdurar, mas não podem existir na consciência daqueles que compreendem que o Amor divino e a ideia do Amor são suscetíveis apenas ao bem. “A escravidão do homem não é legítima. Cessará quando o homem entrar na posse de sua herança de liberdade, ou seja, o domínio que Deus lhe deu sobre os sentidos materiais” (Ciência e Saúde, p. 228).

O QUE É QUE ESTAMOS DECLARANDO?

Quanto maior parece ser a injustiça, mais urgente é a exigência de darmos testemunho da Verdade ― declarando, não uma verdade relativa, uma verdade pessoal, ou uma verdade variável, mas sim a Verdade divina, a única Verdade. Este é o propósito da oração na Ciência Cristã: dar testemunho da verdade que cura tanto a injustiça como a doença. Lemos em Ciência e Saúde: “Para entrar no coração da prece, é preciso que a porta dos sentidos errôneos esteja fechada. Os lábios têm de estar mudos e o materialismo calado, para que o homem possa ter audiência com o Espírito, o Princípio divino, o Amor, que destrói todo o erro” (p. 15).

Quando damos à injustiça uma identidade pessoal, dando-lhe uma causa (um nome, um rosto, ou um acontecimento), nós, sem querer, tornamos realidade uma inverdade, o mal. O mandamento que Moisés recebeu de Deus: "Não dirás falso testemunho contra o teu próximo" (Êxodo 20:16) indica que devemos dar testemunho apenas daquilo que Deus conhece e criou, daquilo que o senso espiritual revela.

As crenças racistas e o caos que elas causam dependem de uma análise material do homem. Ao passo que: “As Escrituras nos informam que o homem é feito à imagem e semelhança de Deus. A matéria não é essa semelhança... O homem é ideia, a imagem, do Amor; ele não é físico” (Ciência e Saúde, p. 475). O conceito correto sobre o homem procede somente do senso espiritual. Cabe a nós, então, ceder a esse senso espiritual ― dar testemunho a favor do homem real, espiritual e inocente.

No entanto, os incidentes de racismo podem ser tão chocantes a ponto de causar um recuo mental, então, ou nos afastamos horrorizados ou negamos que haja racismo. Mas, por mais tentador que isso seja, o mal não deve ser ignorado. Quando Deus instruiu Moisés a lançar no chão seu bordão de pastor, este se transformou em uma serpente (símbolo da mentira do mal). Aterrorizado, Moisés se afastou. Mas Deus lhe ordenou que voltasse, pegasse a serpente (dominasse a mentira), e superasse seu medo. Com isso, a serpente voltou a ser um bordão, em demonstração da impotência da sugestão maligna, porque Deus, o bem, é todo o poder que existe (ver Ciência e Saúde, p. 321).

Para neutralizar o racismo, temos de pegar a serpente que se nos apresenta ― neste caso, a sugestão do senso material de que a humanidade esteja dividida em grupos, com base no tom da pele ou outros atributos físicos. Em primeiro lugar, temos de ver que isso é mentira. Depois temos de aplicar a verdade, invertendo a mentira e reduzindo-a a nada, ou seja, nenhuma ameaça, nenhum dano. Se tivermos coragem suficiente para dominá-la, a demonstração será um bordão sobre o qual podemos nos apoiar, a saber, a compreensão de que o mal não é poder, porque Deus, o bem, é tudo.

NOSSA HERANÇA ESPIRITUAL

No ano passado, aqui nos Estados Unidos, quando as tensões raciais atingiram um ponto crítico, protestos e motins irromperam por toda parte devido aos relatos alarmantes de injustiça racial, eu recebi uma série de mensagens de texto e e-mails de pessoas preocupadas com a minha segurança e o meu estado mental. Essas mensagens diziam que compreendiam a dor que eu devia sentir por ser negra, e se solidarizavam comigo.

Embora eu estivesse agradecida pela preocupação dessas pessoas com o meu bem-estar, a suposição de que eu estivesse sofrendo não era uma verdade. Eu não me identifico como uma negra chamada Nicole. Sou apenas Nicole, cujo maior desejo é expressar o amor universal de Deus que satisfaz todas as necessidades humanas. A Ciência Cristã deu-me a bênção de uma família que não é determinada pelo sangue e pela raça; deu-me também a compreensão espiritual da individualidade e da identidade, na qual a história humana, as circunstâncias e as características físicas não nos definem nem podem nos definir. Isso mantém elevado meu coração e elimina a solidão e o isolamento conferido às minorias. Sinto-me como realmente sou ― como todos nós somos: amada por Deus, e sujeita somente ao nosso Criador, o Amor divino.

O antídoto para a opressão de um grupo de pessoas não é a solidariedade nem a culpa de outro grupo de pessoas, mas sim a compaixão que reconhece a inocência e a independência espiritual de todas as pessoas. Não foi a missão de Jesus a de elevar o pensamento à compreensão de que somos os filhos justos, íntegros e livres, criados pelo Espírito divino?

Cada um de nós é igualmente digno e infinitamente abençoado. A noção de que a raça confere valor ou status é uma fraude. Não se deixe impressionar nem fique horrorizado, mas considere essa noção pelo que realmente é: nada. Conheça a verdade que liberta a todos nós.

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A Missão dO Arauto

“...para anunciar a atividade e disponibilidade universal da Verdade...”

— Mary Baker Eddy, The First Church of Christ, Scientist, and Miscellany p. 353 [A Primeira Igreja de Cristo, Cientista, e Outros Textos]

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