Skip to main content Skip to search Skip to header Skip to footer

“Nós” somos nossa Sala de Leitura

Da edição de abril de 1986 dO Arauto da Ciência Cristã


A Sala de Leitura mantida por toda filial da Igreja de Cristo, Cientista, nunca pode ser encarada como um simples local de distribuição de literatura da Ciência Cristã. Sabemos que é muito mais do que isso. É uma das amáveis determinações do Manual de A Igreja Mãe de autoria da Sra. Eddy, para que a igreja vá ao encontro de sua comunidade. A Sala de Leitura é parte integrante da igreja e não está separada dela. A Sala de Leitura e a igreja são em essência uma unidade, a manifestação exteriorizada da idéia espiritual de Igreja Ver Ciência e Saúde de autoria da Sra. Eddy, 583:14–15..

Sabemos também que independentemente da boa situação financeira de nossa igreja ou da boa localização da Sala de Leitura, o sítio que esta ocupa terá pouco sentido a não ser que abracemos a comunidade em um amplexo fraternal, acolhendo-a como filhos queridos e orando: “agora somos filhos de Deus” 1 João 3:2.. A Sala de Leitura simboliza o voltar-se para a comunidade, em espírito de oração, e é isso o que vale. A menos que nossa Sala de Leitura esteja ativa em nós, estará morta.

Uma Sala de Leitura que não é apreciada espiritualmente e que está, portanto, despreparada, pode ser comparada a uma loja ostentando uma tabuleta em que se diz: “Comida de graça aqui”; e, no entanto, quando o conviva entra no local, recebe apenas uma preleção a respeito de comida. Paulo, em sua epístola aos coríntios, disse: “A letra mata, mas o espírito vivifica.” 2 Cor. 3:6. A Sra. Eddy, referindo-se aos sanadores antigos, escreve: “Tão divinamente imbuídos estavam do espírito da Ciência, que a falta da letra não pôde impedir a obra deles; e essa letra, sem o espírito, lhes teria tornado nula a prática.” Ciência e Saúde, p. 145. Diznos também: “A parte vital, o coração e a alma da Ciência Cristã, é o Amor. Sem o Amor, a letra nada mais é que o corpo morto da Ciência — sem pulso, frio, inanimado.” Ibid., p. 113. Nossa Sala de Leitura necessita de amor espiritual, tanto quanto seu bibliotecário.

Onde não há progresso visível, talvez procuremos a culpa fora de nós e a chamemos de resistência à verdade. Mas, onde está tal resistência? Talvez se ache na nossa própria relutância em apreciar devidamente essa atividade da igreja. A relutância talvez se mostre em falta de tempo. Tempo, ou antes, a falta de tempo, é a maior das desculpas humanas! Quantos horas dispendemos entre a casa e o local de trabalho? Quantos minutos esperamos num banco ou numa fila de supermercado, ou num ponto de ônibus? Por que não aproveitar esse tempo e orar?

Por que não dedicar à Sala de Leitura, por exemplo, o tempo gasto num ponto de ônibus ou numa condução? Eis um bom começo. Dar-lhe continuidade haverá de anular eficazmente a pretensão de “falta de tempo”. Percepções mais claras da Sala de Leitura, de seu propósito, e da comunidade se tornarão cada vez mais espontâneas.

A relutância em fazer essa oração talvez provenha de pensarmos que outras pessoas estão apoiando a Sala de Leitura, por isso hoje não será necessário dar-lhe nosso apoio. O que aconteceria se todos pensássemos dessa maneira? Cada Sala de Leitura representa o braço estendido da igreja filial a sua comunidade. Se estiver faltando o amor contínuo, baseado em oração, que braço estendido haverá? A Bíblia nos previne sobre a necessidade de estarmos mentalmente alerta. “Pela muita preguiça desaba o teto, e pela frouxidão das mãos goteja a casa.” Ecles. 10:18.

A palavra mãos, usada metaforicamente, denota poder espiritual. Ver Ciência e Saúde, p. 38. Precisamos procurar a resposta dentro em nós. Os ensinamentos da Ciência Cristã ressaltam a importância do auto-exame, o desarraigar de qualquer estorvo ao nosso progresso espiritual, embora inocentemente disfarçado, e a necessidade de estar determinadamente do lado do bem, Deus, o único poder.

Se a atividade na Sala de Leitura decresce, talvez se ouça a recomendação de que cada membro a visite regularmente. Usar as instalações de nossa Sala de Leitura e nela permanecer para orar, a fim de que se cumpra a finalidade atribuída a uma Sala de Leitura no seio da comunidade, são coisas que se devem fazer; mas, se o motivo de nossa visita é apenas o desejo de que se manifeste atividade aos olhos do público, para assim atrair visitantes, seria isso suficientemente honesto? Procuraríamos dar à comunidade a impressão de algo que não é genuinamente espontâneo? O sentido mortal tenta envolver-nos em mais outra atividade física, quando é a oração individual tranqüila o que é mais necessário.

O bibliotecário nunca deveria cair na armadilha de supor que os membros estão inativos (até mesmo desinteressados), porque não usam muito a Sala de Leitura. Talvez se sinta inconscientemente ressentido com isso. É preciso defendermo-nos desse tipo de reação. O que nós damos à Sala de Leitura é o que devemos verificar. Precisamos ter cuidado em não deixar coisa alguma diminuir-nos a gratidão por tudo o que os membros fazem mediante suas orações.

Talvez os membros tenham trabalhado arduamente, conseguindo instalar uma Sala de Leitura e nomear uma pessoa encarregada dela. E, então, descansando mentalmente, pensam: “Bom trabalho.” Pensando quão felizes somos por ter um bibliotecário capaz e disposto, reclinamo-nos complacentemente numa cadeira e nada mais? Convém lembrar que a Sala de Leitura simboliza o amplexo do Amor divino dado ao homem e, bem assim, o amor contínuo de todos os membros pela comunidade. A eficácia e a capacidade de curar exercidos por nossa Sala de Leitura dependem, portanto, de cada um dos membros. É, por assim dizer, uma questão de “família”.

Nesse trabalho é muito importante identificar corretamente o homem. É importante para a nossa própria segurança, para a segurança de nossa Sala de Leitura e para a cura de nosso irmão. Quem quer que ponha o pé por essas portas deve ser imediatamente reconhecido e saudado pelo que é: o filho de Deus! Prestar atenção ao fato de que na aparência mortal há uma imagem invertida do homem real, sendo essa aparência carente de realidade e sem substância na Verdade, abre o caminho para poder-se contemplar o homem perfeito que existe, ali mesmo, com o propósito de honrar a Deus, de espelhar o que Deus é.

O homem é inseparável de Deus como Sua testemunha. O homem não pode relacionar-se de modo algum com um corpo material ou com uma mentalidade agressiva ou doentia. Nem pode um mau caráter ser eventualmente mudado, e tornar-se um filho de Deus; o homem é o reflexo de Deus. Agora mesmo, o homem está declarando Deus. Cada aspecto da mortalidade é uma mentira a respeito de Deus, mentira que desafiamos e destruímos mediante o reconhecimento do que é real.

Cristo Jesus via além do aspecto mortal e contemplava o homem real, com resultados gloriosos. Via, naqueles que vinham ao seu encontro, a identidade criada pela Alma. Diante dessa visão, as sombras fugiam e o povo rejubilava. Humanamente, isso se manifestava em curas e mais curas.

Como é vital reconhecermos o homem à imagem de Deus e, em particular, assim saudarmos a todos os que entram em nossa Sala de Leitura! Ousaremos estar menos do que espiritualmente preparados? Quando rechaçarmos a pretensão errônea de um mortal e amarmos o homem que, em decorrência disso, se nos faz presente, também ele estará mais apto a reconhecer o Cristo em nós; e a Sala de Leitura estará funcionando em seu verdadeiro sentido.

Pode ser que os plantonistas da Sala de leitura enfrentem sugestões malévolas de vandalismo, intimidação etc. Devemos afirmar continuamente nossa unidade com Deus, pois, sentirmo-nos separados dEle, virá a embrutecer nosso amor e limitar nossa demonstração da Verdade. Podemos estar bem cônscios de que nunca estamos sozinhos. Como poderíamos estar, quando Deus é a Mente onipresente, é a nossa Mente? Estar conscientes dessa proximidade é algo precioso, mesmo que tenhamos apenas fraco vislumbre desse companheirismo. Devemos cultivá-lo e acalentá-lo, pois essa compreensão tem o poder da Verdade a sustentá-la.

Jesus estava alerta para sua unidade com Deus e assim pôde, quando ameaçado, passar por entre “eles” (os falsos representantes do homem?) e continuar em segurança a tratar dos negócios do Pai, como o relata o quarto capítulo do Evangelho de Lucas. De igual modo, o podemos fazer nós. O dedicado apoio diário que cada membro dá individualmente à Sala de Leitura, ajuda bibliotecário e plantonistas a vencerem desafios. Faz parte desse trabalho conscientizarmo-nos da proteção total que envolve todos os que estão a serviço do Todopoderoso. Pensemos, por um instante, no significado desta expressão: “Todo-poderoso”!

Nossa Sala de Leitura e seu braço estendido, com amor, estão a salvo e são eficazes, quando tanto o bibliotecário como os membros estão ativos em seus postos de dever. Essa unidade de propósitos mostra que realmente nos importamos com a Sala de Leitura. É a Sala de Leitura em ação, e essa unidade se manifestará em plantonistas espiritualmente motivados e competentes, em maior número de indagações genuínas e, como resultado, em crescimento da igreja.

Portanto, a responsabilidade de ser pedras vivas na estrutura de nossa Sala de Leitura repousa sobre cada um de nós, a fim de que, quando vierem os que têm fome do prometido alimento espiritual, não lhes ofereçamos um discurso de letra fria. A atividade de nossa Sala de Leitura precisa ter, para cada um de nós, significação tão vital, para ela devemos estar tão bem preparados, que o visitante receba, de fato, o alimento — o pão da Vida. Então ele partirá levando consigo algum reconhecimento de sua identidade espiritual e o anseio de aprender mais.


Toda boa dádiva e todo dom perfeito
é lá do alto,
descendo do Pai das luzes,
em quem não pode existir variação,
ou sombra de mudança.

Tiago 1:17

TENHA ACESSO A MAIS ARTIGOS TÃO BONS COMO ESTE!

Bem-vindo ao Arauto-Online, o portal dO Arauto da Ciência Cristã. Esperamos que tenha gostado deste artigo que foi partilhado com você.

Para ter acesso total aos Arautos, ative sua conta usando seu número de assinante do Arauto impresso, ou assine JSH-Online ainda hoje!

More in this issue / abril de 1986

A Missão dO Arauto

“...para anunciar a atividade e disponibilidade universal da Verdade...”

— Mary Baker Eddy, The First Church of Christ, Scientist, and Miscellany p. 353 [A Primeira Igreja de Cristo, Cientista, e Outros Textos]

Conheça melhor O Arauto e sua missão.