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Original para a Internet

Ancorados em segurança sob os cuidados de Deus

Da edição de outubro de 2020 dO Arauto da Ciência Cristã

Publicado anteriormente como um original para a Internet em 3 de agosto de 2020.


Meu vizinho é pescador. Uma manhã, ao passear com meus cachorros por perto de casa, vi seu barco de pesca atracado em segurança no pequeno ancoradouro. Era um dia lindo, e o mar estava calmo. Ao olhar para além do barco até a grande extensão do mar adiante, comecei a perguntar-me como alguém deve se sentir em uma embarcação pequena, quando ventos fortes fazem com que grandes ondas se levantem contra as rochas e se choquem contra os quebra-mares. Perguntei-me: “Como é que eu me sentiria? Será que eu teria medo? Será que entraria em pânico e temeria pela minha vida?” Enquanto ponderava sobre tudo isso, veio-me o pensamento: “Mas os barcos são feitos para flutuar, para se manter à tona!”

Quão importante é então manter o barco impermeabilizado, à prova de água. Qualquer fissura no casco, e logo a água irá encontrá-las e infiltrar-se. Aliás, se passarem despercebidas, vamos ver que a embarcação está fazendo água, o que nos causaria um grande problema.

A atual pandemia do coronavírus tem causado enormes ondas de perturbação em todo o mundo e, em meio a esse desafio, o governo do Reino Unido tem usado frequentemente a expressão que já nos é familiar: “Estamos todos juntos nisso”. É reconfortante saber que estamos nos apoiando e nos ajudando mutuamente durante esse período difícil, por meio de atos de solidariedade e de amor, com muito desprendimento. Claro que, muito embora estejamos todos enfrentando a mesma crise, nossas experiências podem ser muito diferentes.

Há um relato na Bíblia sobre uma ocasião em que Cristo Jesus estava em um barco, atravessando um lago com os discípulos (ver Marcos 4:35–41). Logo se levantou um grande temporal de vento. Grandes ondas se arremessavam contra o barco, e este já estava a encher-se de água. Jesus estava na popa dormindo e os discípulos o despertaram. Temendo pela vida, eles perguntaram: “Mestre, não te importa que pereçamos?” Jesus imediatamente levantou-se e “repreendeu o vento e disse ao mar: Acalma-te, emudece! O vento se aquietou, e fez-se grande bonança”.

Eles estavam todos no mesmo barco, mas a experiência dos discípulos foi totalmente diferente da do Mestre. Onde os discípulos viam uma tempestade violenta e ficaram tomados de preocupação, Jesus estava ciente da calma e da tranquilidade. Ali mesmo onde eles sentiam medo, Jesus estava em paz. Mary Baker Eddy escreveu: “O ser verdadeiro e consciente de Jesus nunca deixou o céu pela terra” (Não e Sim, p. 36). Nunca, nem por um momento, confiou ele no testemunho dos sentidos físicos para obter um registro exato da criação de Deus, inteiramente boa.

Nós também podemos escolher a forma como conduzimos nossos “barcos” mentais através de tempos turbulentos. Podemos fazer o melhor possível ao manobrar através de tempos difíceis, com uma mistura de frustração e paciência, medo e amor — ou podemos ancorar por um momento o nosso barco e reconhecer humildemente a onipotência e onipresença de Deus. Podemos encontrar alento no livro-texto da Ciência Cristã, Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, que diz: “O Amor divino sempre satisfez e sempre satisfará a toda necessidade humana” (p. 494). A autora do livro, Mary Baker Eddy, comprovou essa declaração em sua própria vida, e nós podemos comprová-la também em nossa experiência.

Manter o rumo em meio a águas turbulentas exige coragem, mas se sabemos que o Amor divino está no controle do leme, e temos uma fé inabalável no amor de Deus por todos os Seus filhos, podemos encontrar nosso caminho em segurança em meio a águas mais calmas. A Sra. Eddy coloca esse ponto desta maneira em uma mensagem publicada em outro de seus livros: “Nada temos a temer quando o Amor está ao leme do pensamento; pelo contrário, temos tudo para ser felizes, na terra e no céu” (Miscellaneous Writings [Escritos Diversos] 1883–1896, p. 113).

Por mais turbulentas que as águas pareçam estar, navegaremos em segurança rumo ao porto divino do Amor, sabendo que estamos todos ancorados em segurança sob os cuidados de Deus.

Quando a notícia sobre a pandemia chegou às manchetes, meu marido e eu estávamos nos preparando para mudar de casa. Na iminência do isolamento, a empresa de mudanças que havíamos contratado entrou em contato conosco para nos perguntar se poderíamos estar preparados para mudar-nos dez dias antes do previsto. Eles explicaram que, na tentativa de fazer a mudança do maior número possível de clientes, fariam a nossa em duas etapas, sendo a segunda etapa três dias após a primeira. Devido a compromissos de trabalho, meu marido não havia conseguido embalar todas as suas ferramentas, maquinaria e equipamentos essenciais, por isso concordamos que eu iria na primeira etapa da mudança, e ele seguiria três dias depois, com o resto.

Na véspera da segunda etapa, foi decretado o isolamento total, portanto, já não poderia se fazer a mudança. Entretanto, todo o conteúdo da oficina do meu marido tinha de ser retirado da casa, para evitar que incorrêssemos em custos pelos quais não poderíamos pagar. Isso obrigaria meu marido a se atrasar por mais dez dias até poder reunir-se a mim.

Percebendo que eu ficaria sozinha em quarentena em uma área totalmente desconhecida, sem internet nem telefone fixo ligado, porque eu havia chegado àquele lugar mais cedo do que o previsto, comecei a me sentir oprimida. Eu nem sequer sabia onde ficavam as lojas. Eu não havia imaginado ter de ficar ali sozinha durante dez dias, e tudo isso me parecia muito assustador.

Logo em seguida me veio o pensamento: “Agora sei como João deve ter se sentido quando foi exilado para Patmos!” João, o seguidor de Jesus Cristo, fora banido para essa pequena ilha grega, onde, tendo sido afastado de tudo o que conhecia, foi deixado ali completamente só. Claro, a situação dele era muito mais grave do que a minha, no entanto, seu exemplo calou fundo em mim quando de repente e de forma rápida, logo após aquele pensamento, me veio a mensagem: “Bem, não imagino que João tenha passado seu tempo se debulhando em lágrimas e sentindo pena de si mesmo!” João explica no livro do Apocalipse: “Achei-me em espírito, no dia do Senhor…” (1:10). Seu pensamento estava elevado e preparado para receber as verdades espirituais que estavam prestes a ser-lhe reveladas.

Essa percepção trouxe uma mudança em meu pensamento, e eu comecei a me sentir grata pela maneira incrível como eu havia me mudado “de forma rápida” para a minha nova casa, exatamente antes de tudo ter sido fechado devido ao isolamento.

Na manhã seguinte, fui dar um passeio e continuei a expressar gratidão pela bela paisagem e pelo local maravilhosamente tranquilo. Enquanto caminhava, esta mensagem veio bem clara à minha consciência: “[Deus] aos seus anjos dará ordens a teu respeito, para que te guardem em todos os teus caminhos” (Salmos 91:11). Pensei: “Uau! Deus ordenou aos Seus anjos para cuidarem de mim! Uma multidão das hostes celestiais está ao meu redor!” Ciência e Saúde dá esta definição espiritual de anjos: “Pensamentos de Deus que vêm ao homem; intuições espirituais, puras e perfeitas; a inspiração do bem, da pureza e da imortalidade, atuando contra todo o mal, toda a sensualidade e toda a mortalidade” (p. 581). Eu sabia que o que precisava fazer era ouvir e obedecer a esses mensageiros espirituais que estavam me guiando e me guardando.

Mais tarde naquele dia, quando comecei a desempacotar, deparei-me com uma pequena peça de madeira em formato de anjo, com estas palavras inscritas: “Os anjos estão todos ao seu redor”. Senti-me envolvida pelo amor de Deus.

Os dez dias passaram depressa. Um vizinho conversou comigo à distância, outro deixou um cartão de boas-vindas debaixo da minha porta, e a companhia telefônica conseguiu fazer algumas instalações que me mantiveram suficientemente ligada para que eu conseguisse fazer compras on-line no supermercado. Nunca mais, durante esse período, me senti sozinha ou preocupada. Meu marido chegou após os dez dias, depois de ter encontrado um local seguro para guardar todo o conteúdo da oficina, até que o isolamento fosse suspenso.

Quando comparamos nossas experiências individuais com barcos de pesca em um mar tempestuoso, podemos optar por impedir que pensamentos temerosos inundem nossa consciência. Podemos também ajudar a consertar os barcos dos nossos irmãos e irmãs, levando palavras de conforto e encorajamento àqueles que se sentem preocupados ou com medo. Precisamos vigiar para que não haja fissuras na nossa consciência, por onde as enchentes do medo possam infiltrar-se e afogar a nossa confiança em Deus. Se mantivermos nosso foco no “farol” da Verdade divina, então, por mais turbulentas que as águas pareçam estar, navegaremos em segurança rumo ao porto divino do Amor, sabendo que estamos todos ancorados em segurança sob os cuidados de Deus.

Sim, os barcos são feitos para permanecer à tona, para flutuar, e nós podemos encontrar a paz em nosso barco, agora mesmo!

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A Missão dO Arauto

Quando Mary Baker Eddy estabeleceu O Arauto em 1903, ela disse que sua missão era a de "anunciar a atividade e a disponibilidade universal da Verdade" (The First Church of Christ, Scientist, and Miscellany, p. 353).

O Arauto registra, em suas páginas, a transformação que ocorre na vida de muita gente e mostra que cada um de nós pode chegar à Verdade.

Que alegria pensar que o efeito da Verdade atua na consciência humana, trazendo cura e renovação! Nosso Mestre, Cristo Jesus, nos prometeu algo que de fato está se cumprindo: "E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará" (João 8:32).

Cyril Rakhmanoff, O Arauto da Ciência Cristã, edição de julho de 1998
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