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Original para a Internet

Compaixão cristã em tempos difíceis

Da edição de novembro de 2020 dO Arauto da Ciência Cristã

Publicado anteriormente como um original para a Internet em 6 de agosto de 2020.


Os relatos de tristeza e sacrifício nas reportagens da mídia sobre o coronavírus são de partir o coração. A chocante perda súbita de um ente querido, o desgosto por não ter podido segurar a mão de um familiar em seus últimos momentos e a angústia devida às restrições que impedem as pessoas de se reunirem para dar apoio e amor umas às outras, todas essas dolorosas circunstâncias se tornaram lugar-comum.    

A compaixão cristã impele cada um de nós a envolver em oração aqueles que necessitam ser reconfortados e fortalecidos. Embora não saibamos qual é a comovente história de vida de cada um, podemos com humildade dizer que Deus, nosso Pai celeste, conhece e dá valor a cada um de Seus filhos e filhas. Nas primeiras horas e dias depois que alguém passa pela perda de um ente querido, nosso abraço mental e espiritual, refletindo o amor de Deus, e possivelmente fazendo-se acompanhar de palavras ou atos de gentileza, podem ser a forma mais sábia de alcançar e abençoar esse coração sofredor, encorajando-o a seguir em frente.  

Se a tristeza e o pesar se prolongam, podemos, por meio da oração, atestar que o Cristo sanador, a ideia espiritual de Deus, que é o Amor, está conduzindo o sofredor a alcançar um estado mental mais elevado, em que prevalece o domínio que o homem tem sobre o pecado, a doença e a morte. O Cristo, a Verdade que Jesus manifestou, mostra que podemos expressar a humildade e o amor que nos permitem perceber, não apenas a nossa natureza inocente e imperturbável, mas também a dos outros.  

Esse pode ser o momento perfeito para dar voz ao poder que Deus tem para curar. Se algum sofredor nos pedir ajuda, podemos fazer face à crença na doença e na morte, e despertar-lhe o pensamento para que perceba que ao homem foi prometida a vida eterna, e saúde e felicidade duradouras, por ser ele filho de Deus.

Lembro-me de tempos em minha vida quando o amor e o cuidado carinhoso de outras pessoas para com a minha felicidade e bem-estar foram tão visíveis que me levaram a fazer maiores esforços para me voltar a Deus. Foi-me trazido à lembrança repetidas vezes o amor incondicional de Deus. Em momentos assim, percebemos exatamente quão valiosos e importantes somos uns para os outros. 

Quando eu era rapaz e buscava encontrar o rumo a seguir na vida, atravessando tentações e desafios difíceis, voltei a morar na casa de meus pais por um tempo, depois de ter vivido sozinho. Meu estilo de vida era diferente do de meus pais, que estudavam a Ciência Cristã e buscavam seguir os ensinamentos de Jesus. Quando criança, eu havia frequentado a Escola Dominical da Ciência Cristã, mas na adolescência havia me afastado. Mesmo assim, me beneficiei enormemente daqueles anos iniciais de lições morais e espirituais.    

Um dia, meu pai me convidou para ir pescar com ele, em seu barco. Saímos cedo, e logo estávamos completamente ocupados com o programa do dia. Talvez por ele haver percebido, implícito em meu comportamento, algum turbilhão íntimo em meu pensar, nossa conversa foi direcionada para Deus. Meu pai encontrou o jeito certo de falar comigo, me tocou o coração e me elevou o pensamento. Não me lembro dos detalhes da nossa conversa, mas recordo-me de meus olhos cheios de lágrimas e da humildade mais profunda, e ao fim do dia, eu tinha uma paz mais abrangente e um senso mais esclarecido de propósito na vida.   

Meu pai me amava, mas foi o Amor divino que me alcançou naquele dia. Ele me amou com o amor de Deus. Isso fez toda a diferença. 

Quando lembro daquele dia, não sei ao certo se pegamos algum peixe, mas depois compreendi que a pescaria não foi o ponto principal do passeio. Foi a compaixão cristã do meu pai o que me encontrou, me validou como filho de Deus, e me estimulou a seguir em frente.  

Anos depois, eu estava com meu pai quando ele faleceu. Estávamos compartilhando ideias a respeito da Vida eterna quando os olhos dele subitamente se tornaram de um azul luminoso, cheios de alegria diante do que ele estava vislumbrando. Ele faleceu silenciosamente. Eu sabia que ele estava OK.

Desde muito pequena, Mary Baker Eddy aprendeu a recorrer a Deus.

Continuo a amar meus pais ternamente, mas nunca sinto saudades, pois sei que eles estão prosseguindo espiritualmente, expressando o bem infinito. Deus, a Mente perfeita, está sempre pensando no homem e na mulher de Sua criação; e mantém você e eu e todos os nossos entes queridos, como perfeitas ideias espirituais dEle. Estamos todos unidos à Mente divina e na Mente divina. 

Jesus instruiu seus seguidores: “…sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste” (Mateus 5:48). Ele compreendia e vivia a perfeição da Mente divina, e seu exemplo cristão nos mostra o caminho, para também nós compreendermos e demonstrarmos a Vida e o Amor eternos, aqui e agora.

Do mesmo modo que Jesus, também nós podemos compassivamente reconhecer quando uma necessidade humana é muito grave, e orar, buscando perceber e estabelecer em nosso pensar o que Deus, a Mente única, conhece agora sobre a perfeição de todos. A oração diligente em busca de perceber que Deus, que é a Vida e o Amor infinito, está sempre presente em todos os lugares, inclusive no coração sofredor, pode preencher um vazio. Os filhos e as filhas de Deus são insubstituíveis. Cada um é e sempre será mantido na eterna e radiante luz do Espírito, Deus, e continuará sendo indestrutível, único. Cada um é querido e tem um propósito para sua existência. 

Podemos reconhecer essas verdades para nós mesmos, e para outros que se encontrem diante da agressiva crença de vazio, escuridão mental ou perda.  

Mary Baker Eddy, a Descobridora e Fundadora da Ciência Cristã, passou por uma tragédia pessoal quando era jovem, depois de apenas seis meses de casada, quando seu marido morreu de febre amarela. Ela estava grávida, sem um tostão, e a uma distância de mais de dois mil quilômetros da família. Graças à bondade abnegada de outras pessoas, ela foi levada de volta para a casa dos pais, e foi recebida nos braços de uma pessoa da família. Podemos fazer uma ideia não apenas de sua tristeza diante da inesperada perda do marido, mas também das suas graves preocupações: onde morar, como se sustentar e cuidar do seu bebê.  

Desde muito pequena, Mary Baker Eddy aprendeu a recorrer a Deus. Quando estudamos sua vida, podemos compreender como sua fortaleza espiritual e confiança em Deus a ajudaram a atravessar períodos difíceis. A Ciência Cristã, que ela descobriu, nos ensina que, quaisquer que sejam as nossas circunstâncias, nós também podemos humildemente e com fé nos voltar a Deus em busca de respostas para as nossas necessidades humanas.

Estas ternas palavras, de um hino de Thomas Moore e Thomas Hastings, me reconfortaram muitas vezes: 

Vem, tu, da opressão
em que suspiras,
Aqui Verdade há,
Vida e Amor.
Teu triste coração
Já paz respira,
Pois o Amor faz cessar
Toda a dor.

(Hinário da Ciência Cristã, 40, trad. e adapt. da letra em inglês © CSBD)

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“...para anunciar a atividade e disponibilidade universal da Verdade...”

— Mary Baker Eddy, The First Church of Christ, Scientist, and Miscellany p. 353 [A Primeira Igreja de Cristo, Cientista, e Outros Textos]

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