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Original para a Internet

Veja-se como você realmente é

Da edição de agosto de 2018 dO Arauto da Ciência Cristã

Publicado anteriormente como um original para a Internet em 7 de junho de 2018.


Na igreja de Cristo, Cientista, que frequento, e nas igrejas dessa denominação em todo o mundo, uma determinada passagem da Bíblia é lida para a congregação todas as semanas, um pouco antes da bênção que encerra o culto dominical. Ela encontra-se na epístola de 1 João: “Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos chamados filhos de Deus; e, de fato, somos filhos de Deus. Por essa razão, o mundo não nos conhece, porquanto não o conheceu a ele mesmo. Amados, agora, somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é. E a si mesmo se purifica todo o que nele tem esta esperança, assim como ele é puro” (3:1–3).

Essa é a perfeita mensagem para a congregação, ao final do culto dominical! Ela lembra a cada um de nós que somos filhos de Deus, que Ele nos ama muito e que, independentemente do que esteja nos acontecendo, ao despertarmos para a verdadeira natureza de Deus, veremos a nós mesmos “semelhantes a ele”, refletindo a Deus e expressando as qualidades do Cristo. 

Durante anos, eu simplesmente ouvia essa passagem de forma mecânica. Quando estava chegando a hora de ir embora, meus pensamentos começavam a divagar... “O que vou fazer para o almoço?” “Tenho de ver se as crianças fizeram a lição de casa”, ou “Tenho de falar com fulano de tal depois do culto”!

Foi então que uma amiga chamou minha atenção para o significado da palavra Vede, que quer dizer: “Dê uma olhada” ou “Preste atenção!”. Ela continuou, dizendo que a palavra Vede sempre precede algumas das mais importantes passagens na Bíblia, pois era uma maneira de os escritores nos informarem que precisávamos “prestar atenção”. Desde aquela ocasião, tenho procurado a passagem acima em muitas traduções modernas da Bíblia e, realmente, ela começa muitas vezes com vede ou olhe ou considere. Dito de outro modo, isso quer dizer que não devemos negligenciar essas importantes palavras a respeito de cada um de nós como filhos de Deus.

Daquele ponto em diante, percebi que essa passagem sempre se destacava. Ela começou a ter um significado cada vez maior para mim e passei a dedicar tempo a estudá-la de uma forma mais aprofundada.

Mediante esse estudo, comecei a conhecer melhor a mim mesma e aos outros, da maneira como Deus nos conhece. Esse trecho das Escrituras estabelece, de forma direta e inequívoca, que cada um de nós é um amado filho de Deus e que somos e sempre seremos semelhantes a Ele. Uma herança e tanto! Pude constatar como essa compreensão me permitiu abandonar preocupantes traços pessoais de caráter que pareciam herdados de meus pais ou de outros membros da família. Dei-me conta de que eu era livre, a filha que Deus, meu Pai-Mãe divino e eterno, criou à Sua imagem e semelhança.

Então, conforme a passagem nos faz lembrar, mesmo que nem sempre esteja claro em nosso pensamento o que “haveremos de ser” quando despertarmos para o que realmente somos, nós podemos confiar no exemplo do Cristo para ver claramente nossa natureza verdadeira. Mary Baker Eddy, teóloga e pensadora espiritual, que descobriu a Ciência do Cristo, define o Cristo como “A divina manifestação de Deus, que vem à carne para destruir o erro encarnado” (Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, p. 583). O Cristo nos mostra o que somos, como filhos de Deus. Como a imagem e semelhança de Deus, não somos imperfeitos e não carregamos o peso da hereditariedade mortal, mas cada um de nós é a manifestação, ou reflexão, dEle. Isso não significa que somos todos idênticos ― cada um de nós reflete a natureza divina de Deus de uma maneira bela e individual, e damos prova, em igual medida, da magnitude, majestade e perfeição da criação de Deus.

À medida que o senso espiritual dessa passagem se tornava mais claro para mim, eu muitas vezes me voltava a ela em busca de inspiração ou ajuda enquanto orava. Sempre que me sentia confusa sobre que caminho tomar na vida, preocupada com o futuro, ou fisicamente doente, eu recorria ao trecho de 1 João 3:1–3, a fim de lembrar a mim mesma exatamente o que eu sou. Para mim, essa passagem inteira se constitui em uma oração, ou seja, uma maneira de me reconectar com Deus e ver mais claramente como Ele me vê todos os dias.

Reconheci que, se eu tivesse essa esperança e compreensão, eu veria meu filho puro e bom. 

Essa passagem também tem sido muito útil quando oro por meus filhos, a fim de reconhecer neles o bem, ou seja, sua perfeição e sua semelhança com Deus. Como mães e pais, somos por vezes tentados a observar traços pessoais de caráter em nossos filhos e, de novo, traços que talvez nos façam lembrar os problemas de um membro da família, ou dar ouvidos ao que os outros veem ou percebem neles. Mas nós nunca desejaríamos limitar a rica herança deles, pressupondo que essa herança esteja sob o peso de algo que talvez tenhamos feito ou por algo que sejamos tentados a pensar que estamos vendo neles.

Pelo contrário, podemos saber que Deus é o Pai de todos e que em Sua sabedoria e amor, que são infinitos, Ele cuida de Seus filhos de todas as maneiras possíveis. O Pai-Mãe Deus expressa em todos, incluindo cada um de nossos filhos, uma gama infinita de qualidades semelhantes a Deus. Ele os criou e os vê como saudáveis, bons e completos. O que desejamos que nossos filhos tenham é esse fundamento de saúde e plenitude, e essas possibilidades infinitas! Ao reconhecer dessa maneira a verdadeira natureza espiritual de nossos filhos, nós nos tornamos melhores defensores de sua perfeição, bondade e saúde, somos mais capazes de ajudá-los e de curá-los em tempos difíceis.

Quando meu filho era bem pequeno, nós fazíamos parte de um grupo de recreação, realmente agradável, de mães e crianças. As mães sentavam-se juntas e conversavam, trocando dicas úteis sobre a criação de filhos, enquanto vigiavam as crianças que brincavam e corriam pelo playground. Uma sexta-feira, quando nos reunimos, um menininho apareceu com um olho irritado e inflamado, o que uma das mães rapidamente descreveu como conjuntivite. Ela nos explicou que essa doença é muito contagiosa.

Bem, eu nunca vi um grupo de pessoas sair tão depressa de um lugar, como aquelas mães, preocupadas com seus filhos. No caminho para casa, notei que o olho do meu filho parecia muito vermelho e ele o estava esfregando muito. Depois, quando o coloquei na cama, dava para notar que o olho não estava bem. Fiquei muito apreensiva pelo menino e ainda mais preocupada porque tínhamos amigos que viriam se hospedar conosco no dia seguinte e eu não queria que eles ficassem com medo de contágio.

Mais tarde, no meio da noite, meu filho acordou chorando e fui dar uma olhada. Ele estava com os dois olhos inflamados. Limpei-os com uma toalha molhada e quentinha e o reconfortei, cantando alguns hinos conhecidos para fazê-lo voltar a dormir.

Depois que ele adormeceu, apanhei minha Bíblia, abrindo-a naquela passagem conhecida e reconfortante sobre a qual estive falando: 1 João 3:1–3. Cada palavra sobressaía para mim, como se estivesse exigindo que eu a compreendesse e a enxergasse claramente. Eu sabia que essa passagem estava descrevendo meu filho como ele verdadeiramente era, o amado filho de Deus, com uma herança boa e perfeita. Mas, quando terminei de ler e coloquei a Bíblia sobre a mesa, os temores começaram de novo a surgir em meu pensamento. E se ele ainda estiver com os olhos vermelhos, quando acordar? Como posso lidar com isso e ajudá-lo? E o que fazer com relação aos amigos que vinham nos visitar?

Logo me ocorreu que, se eu soubesse realmente que essa passagem era verdadeira a respeito do meu filho, então eu não teria medo do que veria pela manhã; eu esperaria vê-lo feito à imagem de Deus. Também reconheci que, se eu tivesse essa esperança e compreensão em mim, eu veria meu filho puro e bom, exatamente como Deus o fez e o conhece. Portanto, decidi com determinação que me sentaria ali com essa definição a respeito do meu filho e a estudaria até que eu não mais tivesse nenhuma dúvida com relação ao que eu veria pela manhã.

Não sei quanto tempo fiquei desperta, mas, quando apaguei a luz e voltei para a cama, eu estava completamente em paz e aguardando o dia seguinte com muita alegria.

Logo cedo, acordei e comecei a preparar o café da manhã para as crianças. Quando fui dizer bom dia para meu filho, lembrei-me de que eu veria uma criança à semelhança de Deus. E foi isso o que eu vi. Não havia mais nem um pouquinho de inflamação ou vermelhidão em seus olhos. Eles estavam limpos e completamente normais. Não fiquei surpresa e fiz questão de reconhecer que era perfeitamente natural que ele estivesse bem e normal nessa manhã e em todas as manhãs! Também passamos horas maravilhosas durante a estada dos nossos amigos.

Sejam quais forem os problemas com que nos defrontemos, ou seja como for que os outros possam encará-los ou diagnosticá-los, para nós ou para alguém que amamos, sempre podemos recorrer à passagem em 1 João 3, para um rápido curso de recapitulação sobre quem realmente somos como filhos de Deus.

A Primeira Epístola de João é um dos últimos livros da Bíblia e gosto de considerá-lo como palavra de encerramento a respeito da natureza do homem. De fato, essa palavra final corresponde perfeitamente à “primeira palavra” sobre o homem, conforme consta no primeiro capítulo da Bíblia, em Gênesis 1: “Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou” (versículo 27).

Ao longo de toda a Bíblia, lemos um relato após outro de como as pessoas venceram uma visão incorreta de si mesmas, como doentes, pecadoras ou moribundas, à medida que lhes era mostrada a visão correta delas mesmas, como os amados filhos e filhas de Deus, sempre cuidados, protegidos e inteiramente bons! Quando, de forma espiritual e correta, continuarmos a aprender a ver o homem dessa maneira, não precisaremos recorrer a nenhuma outra fonte, a não ser a Deus, para encontrar nossa natureza e condição verdadeiras. 

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Quando Mary Baker Eddy estabeleceu o Arauto em 1903, ela disse que sua missão era a de "anunciar a atividade e a disponibilidade universal da Verdade" (The First Church of Christ, Scientist, and Miscellany, p. 353).

O Arauto registra, em suas páginas, a transformação que ocorre na vida de muita gente e mostra que cada um de nós pode chegar à Verdade.

Que alegria pensar que o efeito da Verdade atua na consciência humana, trazendo cura e renovação! Nosso Mestre, Cristo Jesus, nos prometeu algo que de fato está se cumprindo: "E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará" (João 8:32).

Cyril Rakhmanoff, O Arauto da Ciência Cristã, edição de julho de 1998
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