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Original para a Internet

Nunca estamos deslocados do bem

DO Arauto da Ciência Cristã. Publicado on-line – 18 de abril de 2022


De acordo com a ACNUR, a Agência da ONU para Refugiados, no final de 2020, 82.4 milhões de pessoas foram deslocadas à força para fora de seu país de origem, como refugiadas, ou internamente, dentro das fronteiras de sua terra (unhcr.org).

Esse número acabou tornando-se uma crescente preocupação aqui mesmo, às portas de minha própria casa. Nas últimas semanas e meses, residentes da Etiópia, onde moro, estão sendo deslocados internamente devido à escalada da guerra civil, e alguns estão fugindo para países vizinhos. Sinto-me profundamente angustiada com a magnitude desse problema e com o que tenho ouvido nos noticiários e na comunidade ao meu redor.

Sempre que me deparo com notícias preocupantes, eu me volto à oração. Mas, quando um problema é assim tão abrangente, aparentemente colossal, como podemos orar e ver o resultado da oração? Certo dia, tive uma resposta alta e clara, nestas palavras a respeito de Deus, no Hino 136 do Hinário da Ciência Cristã: “Comigo sempre hás de estar, E paz Tu vens me dar” (Violet Hay, trad. © CSBD). Deus me deu essa resposta que, curiosamente, também me havia ajudado a orar sobre meus próprios sentimentos de estar deslocada, alguns meses antes.

Na ocasião, essas mesmas palavras haviam vindo ao meu pensamento, quando eu estava me sentindo profundamente triste pela ideia de ter de ir embora de um lugar que eu muito amava. Eu estivera passando alguns meses nesse local rodeado de montanhas, rios e florestas, e precisava encarar um retorno à cidade agitada e muito populosa onde resido, e ali permanecer o resto do ano. Levaria ainda pelo menos outro ano, antes de poder voltar. Mas o que eu queria era ficar onde estava. Esse ir e vir fazia parte da minha vida fazia vinte anos. Eu me perguntava se chegaria um dia em que eu não teria de deixar o santuário das montanhas, ou o que eu chamo de “meu lugar feliz” — em que eu não teria de passar por esses ciclos de tristeza.

Não se pode comparar essa experiência às tribulações que muitos estão enfrentando hoje em dia. Ao sair dali, eu não estava perdendo minha casa, meus bens ou meu sustento. Mesmo assim, eu tinha um senso de perda. Pedi a Deus que me desse paz e me livrasse do medo e da incerteza do que poderia acontecer no ano seguinte, antes de eu poder voltar.

Eu queria ser curada não somente da tristeza, mas também da insatisfação de viver em um lugar e querer estar em outro. Já me mudei muitas vezes e vivi em lugares complicados e desconfortáveis, bem como em alguns lugares encantadores e maravilhosos. Não importa onde eu esteja, sempre tento demonstrar que “…grande fonte de lucro é a piedade com o contentamento” (1 Timóteo 6:6). Mas às vezes eu me achava longe de alcançar esse objetivo. Eu desejava tanto me sentir em paz e não estar ansiosa, onde quer que eu morasse.

Certa manhã, bem cedo, enquanto eu estava orando em meu bosque favorito de álamos, vieram-me à mente mensagens angelicais de Deus, e começaram a elevar meu pensamento. Percebi que eu não estava enfrentando a tristeza devido a uma localização física, mas uma concepção errônea, ou má interpretação, a respeito de Deus e do meu relacionamento com Ele como meu divino Pai-Mãe. Orei para obter um conceito mais espiritual de “lugar” e para sentir a segurança de saber que eu nunca poderia deixar meu lugar feliz em Deus, não importa para onde eu fosse neste mundo imenso. Deus não é um ser corpóreo, Ele é o Espírito divino e nunca pode estar confinado a um local físico nem situado em um lugar. Além disso, eu sou a manifestação ou reflexo do Espírito, portanto, eu sou espiritual. Então eu nunca posso sair do Espírito. O Espírito está em toda parte porque Deus é onipresente. Onde quer que estejamos, o Espírito também está. Vivemos no Espírito, existimos do Espírito.

O Salmo 139 diz: “Para onde me ausentarei do teu Espírito? Para onde fugirei da tua face? Se subo aos céus, lá estás; se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também; se tomo as asas da alvorada e me detenho nos confins dos mares, ainda lá me haverá de guiar a tua mão, e a tua destra me susterá” (versículos 7–10).

Ficou claro para mim que somos inseparáveis do Espírito, como um raio de luz é inseparável do sol. Somos sempre um com Deus, o bem. Como para confirmar esse fato, naquele momento o sol nasceu sobre a montanha, e vi o mais belo raio de sol. Ficou evidente para mim que eu não estava deixando o bem que havia naquele lugar que eu tanto amava, pois o bem não é pessoal e não está confinado a nenhum lugar. Deus é o bem, portanto, o bem está em toda parte. Deus, o bem, anda comigo e eu ando com Ele, porque nós somos um. Fiquei muito grata por reconhecer isso. Senti uma paz profunda, que levei comigo, e tenho me apoiado nessa paz desde esse momento.

Acontece que eu precisei ouvir novamente aquelas mensagens angelicais, pouco depois de voltarmos para a Etiópia, no outono. Ao mesmo tempo em que eu estava orando sobre o número alarmante de pessoas deslocadas no mundo, nossa família teve de abandonar nossa casa, devido à guerra civil, que se intensificara. Não sabíamos quanto tempo ficaríamos fora, nem o que aconteceria enquanto estivéssemos ausentes. As coisas estavam instáveis e havia um exército avançando sobre a cidade. Fomos para um país vizinho e lá ficamos por dois meses, até que fosse seguro voltarmos.

Durante esse período de ausência, em que ficamos na casa de amigos, aprendi mais sobre o que significa nunca estar ausente do Espírito — fora de Deus, o bem. Quando olho para trás agora, vejo que Deus, o Amor divino, alimentou e cuidou de nós no deserto, assim como fez com Moisés e os israelitas nos relatos bíblicos, e o que poderia ter sido uma experiência difícil foi, em vez disso, um momento abençoado, repleto da evidência do cuidado e conforto do Espírito. Quando voltamos para casa, tudo estava em ordem, e a cidade estava intacta, apesar das terríveis previsões.

Essa experiência, embora seja apenas um exemplo pequeno do que as pessoas e famílias deslocadas enfrentam, me dá um desejo ainda maior de orar todos os dias por todos os refugiados, os que buscam asilo político e as pessoas deslocadas na Etiópia e no mundo inteiro, que perderam suas casas, sustento e, em alguns casos, a família. Sei que todos habitam no mesmo Espírito em que eu habito. Oro para ver que todos estão envoltos pela proteção e cuidado desse Espírito divino, da mesma maneira como minha família e eu. Cada um de nós está onde Deus está. Não podemos deixar esse lugar — é nosso lar permanente, onde somos sempre cuidados e estamos a salvo.

Este trecho em Isaías 45 envolve, de uma bela maneira, o mundo inteiro, no abraço do Amor divino e na promessa de libertação: “Congregai-vos e vinde; chegai-vos todos juntos, vós que escapastes das nações… Olhai para mim e sede salvos, vós, todos os limites da terra; porque eu sou Deus, e não há outro” (versículos 20 e 22).

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“...anunciar a atividade e disponibilidade universal da Verdade...”

Mary Baker Eddy, The First Church of Christ, Scientist, and Miscellany [A Primeira Igreja de Cristo, Cientista, e Outros Textos], p. 353

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