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Original para a Internet

A alegria de vencer a presunção

DO Arauto da Ciência Cristã. Publicado on-line – 29 de outubro de 2026


No meu último ano na universidade, tudo parecia estar indo bem em minha vida. Eu estava na faculdade que havia escolhido, especializando-me na área de que mais gostava. Não precisava me preocupar com dinheiro. Namorava a garota que eu queria e com quem me casaria. Contudo, eu estava infeliz. Parecia que para mim nada era bom o suficiente. As aulas eram maçantes e, os professores, aborrecidos e antiquados. O trabalho acadêmico parecia só uma rotina exaustiva.

Então, certa manhã, ao ler a Lição Bíblica semanal que consta do Livrete Trimestral da Ciência Cristã, dei-me conta de que aquela sensação de nada ser bom o suficiente para mim era problema meu e de ninguém mais. O que estava roubando minha alegria era minha presunção de superioridade. Com essa constatação, percebi que a gratidão traria de volta a alegria ao meu trabalho e à minha vida. Mary Baker Eddy, a Descobridora e Fundadora da Ciência Cristã, escreve: “Somos realmente gratos pelo bem já recebido? Então faremos uso das bênçãos que temos e assim estaremos preparados para receber mais” (Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, p. 3).

O efeito dessa percepção foi imediato. A gratidão foi como uma luz que se acendeu em um quarto escuro. Senti alegria em tudo o que fazia. Um amigo querido perguntou-me o que havia acontecido, pois eu estava diferente. Eu fiquei profundamente impressionado ao ver como a Ciência Cristã podia corrigir falhas de caráter dessa maneira.

Será que esse foi o fim da presunção em minha maneira de pensar? Não. Minha insatisfação havia servido para eu enfrentar e curar o problema imediato, mas eu ainda tinha mais a corrigir. A Sra. Eddy também escreve: “A ignorância sobre a própria identidade, a vontade do ego, a presunção de uma retidão pessoal, a luxúria, a cobiça, a inveja e a vingança são inimigas da graça, da paz e do progresso; isso tudo tem de ser enfrentado corajosamente e vencido, caso contrário desarraigará toda a felicidade. Tende bom ânimo; grandiosa é a luta contra o próprio ego; dá-nos muito o que fazer, mas o Princípio divino opera convosco — e a obediência coroa o esforço persistente com uma vitória eterna (Escritos Diversos1883–1896, p. 118).

A “Regra para motivos e atos”, recomendada pela Sra. Eddy no Manual dA Igreja Mãe, nos ajuda a proteger nossos pensamentos da tentação que é a presunção de uma retidão pessoal. Ela diz, em parte: “Os membros desta Igreja devem vigiar e orar diariamente para ficarem livres de todo o mal e para não serem induzidos a profetizar, julgar, condenar, aconselhar, influenciar ou serem influenciados erroneamente” (p. 40).

A presunção de achar que nós pessoalmente sabemos o que é certo ou errado faz com que julguemos os outros erroneamente. Jesus exemplificou isso na parábola do fariseu e o publicano (ver Lucas 18:10–14). A oração do fariseu começa com “Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens”, e depois de descrever complacentemente sua obediência aos rituais, ele conclui que é superior ao publicano. Contudo, o comportamento do publicano, com o reconhecimento de suas fraquezas e a necessidade da misericórdia de Deus, é o que lhe rende o elogio de Jesus. 

Em Ciência e Saúde, a Sra. Eddy identifica as principais exigências da Ciência Cristã — ter um único Deus e amar o próximo como a si mesmo. Ela então continua: “Deve-se compreender plenamente que todos os homens têm uma Mente única, um único Deus e Pai, uma única Vida e Verdade e um único Amor” (p. 467).

Saber que temos um único Deus e Pai não é o suficiente; temos de compreender que todos os homens têm um único Deus e Pai, uma Mente única. Quando me deixo levar pela presunção de uma retidão pessoal, estou declarando que, embora todos os homens tenham uma única Mente, essa Mente fala de maneira especialmente clara comigo. Essa crença errônea me cega, impedindo-me de perceber as intuições espirituais que vêm da Mente. Ao comentar sobre a parábola anteriormente mencionada, a Sra. Eddy declara: “A cegueira e a presunção de uma retidão pessoal se aferram fortemente à iniquidade (Ciência e Saúde, p. 448).

Se a presunção nos deixa cegos, a compreensão de que todos nós refletimos uma Mente única restaura a visão clara. As ideias têm uma única fonte e um único dono, Deus. Não podemos dizer: “Essa ideia foi minha”, pois todas as ideias corretas vêm da Mente única infinita, embora cada um de nós certamente reflita essas ideias à sua maneira individual. Não mais cegos nem ofuscados por um senso de brilhantismo próprio, ficamos mais receptivos às ideias refletidas por todos os filhos de Deus ao nosso redor. Podemos reconhecer e valorizar a inspiração divina, quer a ouçamos nós mesmos, quer seja ouvida por outra pessoa, e sentir gratidão em ambos os casos. Não sentimos a necessidade de defender a todo custo nossas opiniões humanas. Não insistimos em nossa própria preferência, mas, sim, buscamos a mais elevada expressão humana da lei de Deus, em cada situação.

O que podemos fazer, quando um grupo de pessoas com quem estamos trabalhando chegar a uma conclusão que nós consideramos incorreta? Embora um senso elevado de ética e moral seja um requisito que nos protege de cometer erros, os Cientistas Cristãos têm a missão sem igual de afirmar que Deus é o Princípio, a Mente, a Verdade, e que Ele governa tudo, sempre.

O livro de Provérbios, na Bíblia, aconselha: “Confia no Senhor de todo o teu coração e não te estribes no teu próprio entendimento” (3:5). Podemos ter a certeza de que Deus não comete erros, nem Seus filhos cometem erros, pois eles refletem essa inteligência que tudo sabe. Então podemos nos manter firmes na grande verdade de que Deus, o Espírito, mantém a perfeição de Sua criação espiritual. A Verdade divina corrige os erros de informação, raciocínio e julgamento. Podemos apoiar em oração o trabalho honesto de nosso grupo, não importa se concordamos ou não com o rumo que está tomando.

É claro que não vamos tolerar a violação das leis de Deus ou das leis humanas. Todas as decisões precisam abençoar a todos. Mas as pessoas podem diferir quanto à melhor maneira de alcançar um objetivo comum, e não queremos ser presunçosos e concluir que a nossa maneira é a única possível. Constatei que, quando reconheço o poder e o governo de Deus, ou as decisões são corrigidas sem conflito, ou eu acabo percebendo que estava enganado e consigo apoiar o grupo com satisfação. Deus não só é a fonte e o dono de todas as ideias corretas, mas também as apoia e as sustenta. Nosso trabalho é afirmar Seu controle e nos regozijar com Sua obra.

Nos primórdios da Ciência Cristã, as atitudes de alguns dos alunos da Sra. Eddy a desapontaram, inclusive com tentativas de plagiar o trabalho dela como se fosse deles. Apontar-lhes o erro nem sempre fez com que mudassem de atitude. Mas o poema da sra. Eddy “Apascenta minhas ovelhas” inclui estas palavras a respeito de Deus, o grande Pastor:

A teimosia vais restringir,
abrandar o coração,
pôr um freio à presunção,
sacudir o torpor terrenal.

(Escritos Diversos, p. 398)

Para mim, a ideia-chave aqui é que cabe a Deus, o Pastor, nos ajudar a ver que a presunção, seja nossa seja dos outros, é uma delusão. Nossa retidão, até mesmo nossa perfeição, é o direito de nascença que recebemos de Deus, nosso Pai, que nos criou à Sua própria semelhança. Nenhuma opinião humana pode diminuir essa perfeição. 

Antes, eu pensava que a presunção de uma retidão pessoal deveria ser evitada simplesmente porque me deixava infeliz e limitava minha eficiência. À medida que avançava no estudo e na prática da Ciência Cristã, porém, passei a perceber que a presunção também estava dificultando minha compreensão da onipresença e do governo de Deus. O amor a Deus e ao homem exige que humildemente vençamos as tentações da presunção de uma retidão pessoal. Quando lembro que a Sra. Eddy escreveu que a “luta contra o próprio ego” é “grandiosa”, é como se eu visse seu sorriso amoroso e encorajador, e percebo a promessa de “vitória eterna” nessa luta. Por isso, podemos sentir uma alegria grandiosa nessa tarefa!

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