A felicidade não vem de uma variedade de circunstâncias ao acaso, da fama, do sensualismo nem do acúmulo de riquezas materiais. A história está repleta de exemplos de pessoas famosas e financeiramente bem-sucedidas, que amplamente alcançaram seus objetivos e suas aspirações, mas cujo anseio pela verdadeira felicidade nunca ficou satisfeito. Então de onde vem a felicidade, o pleno deleite da vida, aqui e agora?
Para que nossa felicidade seja verdadeira e permanente, ela não pode estar fundamentada em circunstâncias ou sensações materiais, pois estas estão em constante mudança. Cristo Jesus mostrou-nos, nas Bem-aventuranças (ver Mateus 5), o caminho para vivenciarmos a felicidade eterna, pois elas nos ensinam a sermos bem-aventurados. A bem-aventurança é a felicidade que não depende de circunstâncias materiais nem de sensações, mas que se baseia na compreensão do relacionamento imutável de cada um com o Amor divino, Deus. O caminho consiste em manifestar apenas qualidades divinas em nosso dia a dia.
Mary Baker Eddy, a Descobridora e Fundadora da Ciência Cristã, explica: “Para ser verdadeiramente feliz, é preciso que o homem se harmonize com seu Princípio, o Amor divino…” (Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, p. 337).
Harmonizar-se com Deus é perceber tudo a partir do ponto de vista divino e ajustar o pensamento para estar em sincera sintonia com essa perspectiva divina. Isso significa ter a Mente que havia em Cristo Jesus (ver Filipenses 2:5). Deus só conhece Suas qualidades espirituais, tais como alegria, paz, gratidão, mansidão, harmonia, saúde e santidade. Somente o que Deus conhece é real, por isso as qualidades divinas constituem a realidade espiritual, a única realidade. Vivenciamos a verdadeira felicidade ao expressarmos cada vez mais essas qualidades, e ao nos recursarmos a acreditar na irrealidade retratada pelos sentidos materiais.
Deus criou cada um de Seus filhos para refletir e manifestar a felicidade divina, de maneira natural e eterna. O pensamento humano inclui essa felicidade, a menos que a perca de vista, por acreditar que ela depende de algum motivo material. Essa crença limita muito a profundidade e a frequência de nossa felicidade.
O pensamento humano obcecado pela suposta realidade da doença, do pecado, da injustiça, da limitação, da carência e da morte — problemas esses retratados pelos sentidos materiais — é decididamente infeliz e está em desarmonia com a verdadeira felicidade. Então, para nos harmonizarmos com o Princípio, o Amor, precisamos abandonar as vontades e emoções descontroladas, tais como a autopiedade, o medo, a raiva, o ódio, a inveja, a vingança e a luxúria. “Se o homem não triunfa sobre as vontades e emoções descontroladas, elas arruínam a felicidade, a saúde e a plenitude do homem” (Ciência e Saúde, p. 407).
Toda emoção descontrolada que cultivamos representa uma forma de infelicidade que aceitamos, pois é uma experiência vivida na ilusão do senso material, isto é, no efeito sedutor de acreditar que vivemos na matéria, separados de Deus, o bem. A realidade espiritual é que cada um de nós vive em Deus como uma ideia da Mente divina. O homem individual reflete a Mente, Deus, portanto, cada indivíduo é Sua perfeita concepção espiritual, Sua ideia divinamente inspirada.
Ser seduzido é ser enganado quanto ao que é verdadeiro e ao que é uma delusão. Por exemplo, alguém que esteja com raiva tende a ouvir e ver somente evidências que corroborem sua raiva. Nutrir qualquer um dos sentimentos descontrolados é uma forma de autoindulgência sustentada pelo autoengano. A luxúria consiste em acreditar erroneamente que a sensualidade seja necessária para nosso bem-estar e nossa felicidade, e então entregar-se obsessivamente a esse prazer ilusório. Aqueles que consomem bebidas alcóolicas ou fazem uso de drogas acreditam erroneamente que isso os deixa felizes, ao passo que isso acaba deixando-os muito infelizes nos momentos de abstenção.
Muitas décadas atrás, alguns parentes e amigos meus deliberadamente cometeram atos muito maldosos contra mim. Fiquei ressentido e com raiva deles durante muitos anos. No entanto, aos poucos fui percebendo que tudo aquilo que é retratado pelos sentidos materiais não é substancial nem confiável, portanto, não pode afetar em nada o meu bem-estar concedido por Deus. Isso me ajudou a ver que aqueles acontecimentos que tinham me deixado ressentido nunca haviam ocorrido na realidade. Não haviam acontecido ao meu verdadeiro eu, criado por Deus. Haviam sido cometidos por um senso mortal errôneo desses amigos e parentes, e só haviam ferido o senso material a meu respeito.
O senso errôneo nunca teve qualquer poder de me fazer sofrer. Eu sofria devido ao meu pensamento a respeito dessas pessoas. Perceber isso me ajudou a amenizar o ressentimento. Contudo, em meus sonhos à noite, eu ainda insistia em planejar uma vingança, imaginando várias maneiras pelas quais eu poderia me vingar.
Jesus falou sobre como e por que perdoar, em vez de se vingar. Ele disse: “Amai, porém, os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai, sem esperar nenhuma paga; será grande o vosso galardão, e sereis filhos do Altíssimo. Pois ele é benigno até para com os ingratos e maus. Sede misericordiosos, como também é misericordioso vosso Pai. Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados” (Lucas 6:35–37). São os nossos próprios sentimentos de mágoa que nos punem, não os nossos inimigos.
Depois de muita oração, percebi que esses sonhos noturnos “divertidos” estavam me deixando infeliz quando estava acordado. Eu precisava abandoná-los. À noite, quando esses sonhos começavam, eu me forçava a despertar e me perguntava se eu preferia aproveitar plenamente a vida ou passar o tempo imaginando uma vingança. Eu não podia continuar com os dois. Optei, com persistência, por aproveitar plenamente a vida em Deus. Por fim, os sonhos de vingança cessaram. E passei a desfrutar a vida em um nível muito mais profundo.
Essa experiência serve de exemplo do fato de que sempre há um momento em que podemos decidir, se vamos nos entregar às vontades e às emoções descontroladas ou se, em vez disso, vamos optar por aproveitar plenamente a vida, sabendo que não podemos fazer as duas coisas. Quando fazemos a escolha certa, compreendemos o que é verdadeiro e o que é delusão, e nos alegramos na realidade do bem.
Desejar algo obstinadamente significa vincular nosso senso de bem-estar e felicidade ao fato de alcançarmos ou não aquilo que almejamos. Enquanto aguardamos o desfecho, aceitamos que nosso senso de bem-estar possa ser negativamente afetado. Já deixamos antecipadamente estabelecido que seremos infelizes se não conseguirmos aquilo que desejamos. Contudo, se conseguimos o que queremos, constatamos que essa conquista não traz satisfação real nem duradoura, e acabamos desapontados. Desejar aquilo que não nos cabe leva à infelicidade e à insatisfação.
Conscientemente não querer algo muitas vezes significa ceder ao medo de que, caso uma temida circunstância venha a ocorrer, nosso bem-estar e nossa felicidade serão negativamente afetados. Enquanto aguardamos o desfecho, acolhemos o medo e já nos sentimos infelizes. Caso ocorra aquilo que tememos, já deixamos antecipadamente estabelecido que isso será motivo de infelicidade para nós. Se não ocorrer, o alívio passageiro não mantém nossa felicidade por muito tempo. Por isso, nesses casos, não querer algo também significa ser infeliz, não importa o que ocorra. A Sra. Eddy diz: “A Ciência revela que a Vida não está à mercê da morte, e a Ciência nunca admitirá que a felicidade esteja sujeita às circunstâncias” (Ciência e Saúde, p. 250).
Então, o que é que nos leva à verdadeira felicidade? Mais uma vez digo, trata-se de discernir o que é real — o que Deus conhece — e o que é delusão, ou seja, desconhecido para Deus.
“É essencial compreender, em vez de meramente crer, naquilo que mais diz respeito à felicidade do existir”, escreve a Sra. Eddy (Ciência e Saúde, pp. 285–286). Desfrutar plenamente a vida exige que compreendamos que tanto a felicidade quanto a infelicidade resultam do nosso estado de pensamento. A felicidade vem de percebermos as coisas a partir do ponto de vista de Deus, o qual inclui somente o bem, ao passo que a infelicidade vem de uma perspectiva mortal, ou seja, de um senso material e errôneo das coisas. Quando escolhemos a perspectiva de Deus e temos consciência de Seu bem infinito, podemos abandonar nossas preocupações e mágoas, deixar de lado nossos planos humanos, e desfrutar plenamente a maneira como as coisas espiritualmente são, exatamente aqui e agora — da maneira como Deus as criou, e nos criou, para ser.
