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Original para a Internet

A paz dentro de nós

DO Arauto da Ciência Cristã. Publicado on-line – 1º de junho de 2026


Não pode haver paz em nosso lar, em nossa comunidade, no país ou no mundo, a não ser que cada um de nós esteja em paz. Como lemos na segunda estrofe do hino 521: “Haja paz na terra, a começar em mim” (Christian Science Hymnal: Hymns 430–603 [Hinário da Ciência Cristã: hinos 430–603] Jill Jackson, © Jan-Lee Music 1955, 1983). Contudo, essa paz tem de ser espiritual.

Se nossa paz depende das circunstâncias ao nosso redor, ela pode ser facilmente interrompida ou destruída, tal como deixam claro tanto a Bíblia como os escritos da Descobridora da Ciência Cristã, Mary Baker Eddy. Lemos na Bíblia que: “…o pendor… do Espírito [dá] para a vida e paz” (Romanos 8:6), e a Sra. Eddy declara: “O pensamento calmo e elevado, isto é, a percepção espiritual, está em paz” (Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, p. 506). Essa percepção espiritual, ou seja, a mente voltada para as coisas do Espírito, não conhece conflito — e isso não porque ignora o conflito ou por ser ingênua, nem por ser indiferente e insensível, mas sim, porque compreende que Deus, o Espírito, é onipresente, onisciente e onipotente, e que o homem é o reflexo de Deus, feito à Sua imagem e semelhança, como lemos no primeiro capítulo da Bíblia.

É importante discernir a diferença entre esse homem espiritual, que Deus criou, e o homem mortal, cuja paz interior, quando existe, é o resultado de ações, pensamentos e sentimentos fundamentados na matéria. Se vemos a nós mesmos e aos outros como esse homem mortal, então estamos acreditando que não somos o reflexo de Deus, ou estamos supondo que refletimos a natureza mutável atribuída ao Jeová do Antigo Testamento. Deus é o Princípio; portanto, Deus é inteiramente bom, e nós também somos, como a imagem espiritual de Deus.

Um sinônimo para Deus, com base na Bíblia, é Mente. Essa Mente infinita não somente sabe tudo, mas também é a fonte de todo o verdadeiro conhecimento, inteligência, sabedoria e compreensão. Por isso, não podemos obter nenhuma informação correta sobre o que está acontecendo, se nossa fonte não for Deus — a Verdade divina. Deus criou tudo o que realmente existe, por isso, o que não foi criado por Deus não faz parte da realidade e não pode ser conhecido. O que Deus não conhece, Ele não transmite. Segue-se daí que a guerra, a hostilidade e o conflito que vemos, ou com os quais nos deparamos, não são reais, pois não procedem de Deus. Pelo contrário, a realidade é a harmonia, a paz e o amor que são qualidades eternas de Deus. A Sra. Eddy nos assegura que: “O senso material não revela os fatos da existência; mas o senso espiritual eleva a consciência humana à Verdade eterna” (Ciência e Saúde, p. 95).

O que será que nos impede de vivenciar a paz interior que não depende das circunstâncias — a paz espiritual que expressa a Deus? Um dos obstáculos é ter medo. No inverno passado, tive uma pequena experiência que mostra que erradicar o erro nos traz tranquilidade.

Em uma tarde de domingo, um de meus filhos me enviou uma mensagem, dizendo que ele e a esposa estavam muito mal com uma virose. Já fazia alguns meses que eu vinha orando com a seguinte passagem de Ciência e Saúde: “O que mais necessitamos é orar com o desejo fervoroso de crescer em graça, oração que se expressa em paciência, mansidão, amor e boas obras” (p. 4). Aquela me pareceu ser uma ótima oportunidade para colocar esse conselho em prática.

Enquanto jantava, senti que deveria ir até a casa de meu filho e me oferecer para cuidar dele, de sua esposa e de meu netinho. Às sete da noite, eu já estava a caminho. Enquanto dirigia, percebi que eu estava com medo de que essa doença passasse para mim, impedindo-me de cuidar desses entes queridos. Então, durante o percurso, fui ouvindo hinos da Ciência Cristã, o que me acalmou. Também pensei muito sobre esta promessa de Ciência e Saúde: “Seja qual for o teu dever, podes cumpri-lo sem te prejudicares” (p. 385). Ao chegar na casa de meu filho, o medo havia sido substituído pela paz.

Minha nora, do topo da escada e enrolada em um cobertor, disse que tinha receio de que eu também ficasse doente, por isso ficaria longe de mim, e havia deixado alguns lenços desinfetantes para eu usar. Mas, com a grata certeza de já haver superado a crença de que a doença, e o medo da doença, fossem legítimos — pois isso negaria o todo-poderoso controle de Deus sobre Sua criação — tranquilizei minha nora, dizendo que eu não estava preocupada. Enquanto estive na casa deles, cuidei de meu neto, lavei algumas roupas e fiz uma limpeza leve.

Na noite antes de voltar para casa, eu estava ninando meu neto, tentando fazê-lo dormir. Senti congestão no seu peito, então, em silêncio e com firmeza, neguei que essa condição tivesse qualquer validade no bem e no cuidado de Deus, os quais são sempre presentes. Senti muito amor por esse bebê inocente. Em poucos instantes, a congestão desapareceu. Na manhã seguinte, fui para casa. Não fiquei doente na casa deles, nem quando voltei para a minha. E meu neto também não.

Todas as vezes que erradicamos o erro dessa maneira, e vivenciamos o resultado sanador, o efeito se faz sentir muito além de nossa própria vida. Embora, por si só, esse ato não traga a paz mundial, nesse meu exemplo essa ação contribuiu com um senso da paz sanadora para a atmosfera mental na casa de meu filho. E a elevação espiritual em meu pensamento — que resultou em equilíbrio espiritual — permitiu-me expressar o amor de Deus que protegeu, tanto o bebê quanto a mim, seja do medo, seja da doença.

Então, faz sentido, não é, que essa mesma contribuição, para destruir o medo do contágio físico, pode ser aplicada para destruir nosso medo do contágio da guerra ou de qualquer outro tipo de conflito? Sim. Quando, como resultado da compreensão espiritual de que Deus está sempre presente, é onisciente e onipotente, nós obtemos tranquilidade, não só superamos o medo, mas enxergamos ainda mais que são irreais todos os outros fatores que perturbam a paz, tais como o ódio, a tirania e a apatia — ou qualquer outra atitude ou sentimento que não proceda de Deus, a Mente divina.

Em sua Mensagem À Igreja Mãe para 1902, a Sra. Eddy escreve: “Oh, gloriosa esperança! resta um repouso para os retos, um descanso em Cristo, a paz no Amor. Esse pensamento faz calar as queixas; a força das ondas, no oceano inquieto da vida, se desvanece como espuma, e por baixo há uma calma profunda e estável” (p. 19). Assim como uma pedra lançada na água espalha círculos concêntricos, assim também essa paz espiritual, o revelar-se dessa calma profunda e estável em nossa própria consciência, se espalha e abençoa o mundo.

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