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Original para a Internet

Enfrentar a pressão política com a força espiritual

DO Arauto da Ciência Cristã. Publicado on-line – 28 de setembro de 2026


Vendo os atuais acontecimentos nacionais e mundiais talvez nos sintamos em um caldeirão de pressões políticas. A não ser que estejamos pessoalmente envolvidos nas tempestades, é possível que a grande quantidade de reviravoltas políticas nos deixe insensíveis às notícias. No entanto, observando aqueles que resistiram à tempestade e saíram vitoriosos, vemos que para reagir com graça e confiança no bem precisamos começar com as verdades que guardamos no coração.

A Bíblia oferece ótimos exemplos. Considere a clareza espiritual e a coragem de quatro indivíduos: Sadraque, Mesaque, Abede-Nego e Daniel. Eles haviam sido tirados de suas casas em Israel e estavam sendo doutrinados por seus captores na Babilônia. Contudo, mantiveram-se firmes nas verdades espirituais e testemunharam grandes reviravoltas.

Na Babilônia, a pressão — política, religiosa e cultural — era feroz. Um dos reis mais poderosos do mundo insistia em que todos os súditos adorassem uma inerte estátua (ver Daniel 3). Quando Sadraque, Mesaque e Abede-Nego se recusaram, o rei os ameaçou, mas eles se mantiveram fiéis à grande verdade que havia no coração de cada um: Deus era mais poderoso do que aquele governante. Eles responderam com calma: “Ó Nabucodonosor, quanto a isto não necessitamos de te responder”. E permaneceram firmes em sua convicção.

Os hebreus confiavam naquilo que a autora de Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, Mary Baker Eddy, descreve como a onipotência do bem divino — mesmo aqui na terra. Ela nos dá uma interpretação espiritual da quarta frase da Oração do Senhor, nas palavras: “Faz-nos saber que — como no céu, assim também na terra — Deus é onipotente, supremo” (p. 17).

Nabucodonosor “…se encheu de fúria…” Mandou jogar os três homens na fornalha de fogo ardente. Mas então aconteceu algo muito significativo. O próprio rei os viu caminhando em meio ao fogo na companhia de um quarto homem. O rei exclamou: “…o aspecto do quarto é semelhante a um filho dos deuses”. Esse rei terreno havia acabado de obter um vislumbre do Cristo, o poder de Deus na terra. 

Apesar de não ter estado em meio às chamas, naquele dia, o coração endurecido do rei se derreteu. Se houvesse cobertura jornalística, uma das manchetes poderia ter sido: “Rei muda seu curso de ação e honra o Deus dos hebreus”. Que reviravolta, graças a uma verdade eterna guardada no coração de três homens! 

Daniel foi outra pessoa que se posicionou em favor de um Deus único e enfrentou um ambiente político tenso, repleto de manipulação, intrigas e punhaladas pelas costas (ver Daniel 6). Muitos anos depois do episódio da fornalha, havendo outro rei no poder, Daniel era a figura mais eminente no governo da Babilônia. Isso despertou a inveja dos outros ministros, que conspiraram contra ele e persuadiram o rei Dario a decretar que todo aquele que, pelo período de trinta dias, fizesse petição a qualquer Deus ou pessoa a não ser ao rei, fosse jogado na cova dos leões.

Mas Daniel manteve-se firme no seu puro e constante amor a Deus. Apesar do perigo, ele continuou a deixar tudo de lado, três vezes ao dia, para orar a Deus, o bem divino.

A conspiração parecia ter dado certo, porém Daniel saiu ileso da cova dos leões. Como ele explicou: “O meu Deus enviou o seu anjo e fechou a boca aos leões, para que não me fizessem dano, porque foi achada em mim inocência diante dele…”

Ao manter-se firme na inocência dada por Deus, Daniel triunfou tanto sobre a ameaça física quanto sobre a origem da ameaça — aquilo que a Sra. Eddy chama de magnetismo animal. Essa “…crença errônea de que… o mal seja tão real como o bem, e mais poderoso” (Ciência e Saúde, p. 103) inclui o conceito de que estamos sujeitos a um “…instinto animal maligno…” que “…incita os mortais a matar moral e fisicamente até mesmo os seus semelhantes…” (Ciência e Saúde, p. 564). Acaso não seria essa crença a raiz de quase todas as manchetes relacionadas a conflitos?

E se nós, assim como Daniel, nos mantivermos firmes na verdadeira inocência de todos os filhos de Deus?

A clareza de Daniel quanto ao fato de que ele poderia confiar plenamente em Deus levou à sua libertação e a uma surpreendente reviravolta nos acontecimentos, em um período brutal, marcado por conflitos políticos e perseguições religiosas. Não só Daniel estava em segurança, mas imaginem a manchete no dia seguinte: “O último decreto do rei Dario declara que ‘…o Deus de Daniel… é o Deus vivo…’ e Ele livra, e salva”. Tudo graças à convicção da inocência mantida no coração de um homem.

Há vinte anos, quando me tornei chefe do escritório do The Christian Science Monitor na África, eu tinha uma convicção em meu coração: a de que o Cristo já estava atuando em todo o continente. A Sra. Eddy define o Cristo como “A divina manifestação de Deus, que vem à carne para destruir o erro encarnado” (Ciência e Saúde, p. 583). Eu esperava ver destruída toda evidência do erro — desarmonia, conflito, crime etc. E eu vi.

Sim, houve turbulência política, inclusive guerras civis que haviam durado anos. Mas também testemunhei exemplos transformadores de resiliência, perdão, coragem e amor ao próximo. Vi evidências concretas de progresso, inclusive um forte declínio no número de guerras. Quando minha atribuição chegou ao fim, eu estava profundamente esperançoso quanto ao futuro da África.

E o progresso na África continuou. Apesar do recente surgimento de conflitos que ganharam destaque na mídia, amplas regiões do continente estão vivendo um novo dinamismo econômico e social. Por exemplo, a África tem o crescimento da renda familiar mais rápido de todos os continentes. Em muitos aspectos, é uma região que está progredindo.

Quando as notícias se tornam angustiantes, não precisamos ficar indiferentes. Podemos enfrentá-las, mental e espiritualmente, alicerçados na onipotência de Deus, confiantes na inocência e na boa vontade da humanidade, e podemos ter a expectativa de ver sinais da presença do Cristo em ação. Com essas verdades em nosso coração, o progresso não é uma ilusão, é algo em que podemos confiar.

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