Em um domigo à tarde, a mãe de um menino de cinco anos ouviu o filho conversando com o amigo, sentados nos degraus da varanda.
“Por que sua família vai à igreja aos domingos?”, perguntou o amigo. O filho respondeu: “Para aprender mais a respeito de Deus e de como orar”. Então o amigo perguntou: “E se você precisar de Deus e não for domingo? O que acontece se você precisar de Deus em uma terça-feira?” O filho respondeu: “Deus está em todo lugar o tempo todo, portanto, Ele me ajudaria também naquele dia”.
“Mas, e se você estiver sozinho em uma ilha no meio do oceano?”
“Deus está onde eu estou.”
Gosto muito desse reconhecimento confiante de que nunca estamos separados de Deus, o Amor divino. E, quando se trata de eleições, acho que nós poderíamos aprender com aquele menininho. É difícil não se deixar levar por uma mentalidade de “ou ganha ou perde”. E se o seu voto e o seu candidato não saírem vitoriosos? Será que tudo ficará realmente bem, independentemente de quem estiver no cargo?
Em uma quarta-feira, durante a campanha eleitoral que antecedeu as eleições nacionais de 2024, nos Estados Unidos, eu estava em uma reunião de testemunhos na filial que frequento da Igreja de Cristo, Cientista. De repente senti um nó no estômago. Meu coração disparou e meu rosto ficou corado — tudo devido ao medo do possível resultado das eleições. Pensei em como ficaria o país após as eleições, se “meu” candidato perdesse e o outro candidato assumisse o cargo.
Então, um membro da igreja se levantou para dar um testemunho de como uma história da Lição Bíblica daquela semana, constante do Livrete Trimestral da Ciência Cristã, havia curado seu nervosismo quanto à eleição. Era a história de Abrão (Abraão) e Ló. Os dois haviam acabado de sair do Egito. Ambos possuíam numerosos rebanhos de gado que necessitavam de boa pastagem. Contudo, surgiu um problema: aparentemente não havia pasto e água suficientes no local para o sustento das duas famílias mais os animais, então os pastores de ambos começaram a brigar.
Abrão, sendo fiel a Deus e confiando nEle, fez algo notável. Pediu a Ló que olhasse ao redor e escolhesse a terra que queria para si. Abrão ficaria com o que sobrasse. Ló olhou ao redor, viu o verde e exuberante vale do Jordão e escolheu aquela área, decidindo que ali seria o melhor lugar para viver e prosperar. Então Abrão seguiu para a direção oposta, confiando no cuidado e no suprimento de Deus.
Como confirmação de que a confiança de Abrão não era infundada, Deus o abençoou: “Disse o Senhor a Abrão, depois que Ló se separou dele: Ergue os olhos e olha desde onde estás para o norte, para o sul, para o oriente e para o ocidente; porque toda essa terra que vês, eu ta darei, a ti e à tua descendência, para sempre. Farei a tua descendência como o pó da terra; de maneira que, se alguém puder contar o pó da terra, então se contará também a tua descendência. Levanta-te, percorre essa terra no seu comprimento e na sua largura; porque eu ta darei” (Gênesis 13:14–17).
Abrão sabia o que Ló não sabia: que não importando qual parte da terra com que cada um ficasse, Deus continuaria amando Abrão e dando-lhe suprimento. A perspectiva de Abrão era claramente espiritual e não se baseava em aparências materiais, como mostra a confiança com que disse a Ló que fosse o primeiro a escolher.
Em um dos poemas de Mary Baker Eddy, posto em música no Hinário da Ciência Cristã, a primeira estrofe diz:
P’ra te guiar, só no Amor
Confiarás.
Com treva ou luz ao teu redor,
A paz terás.
(Hino 160, trad. © CSBD)
Sentada ali na igreja, dei-me conta de que, embora fosse sensato me informar a respeito das questões políticas e então exercer meu direito ao voto, eu não precisava deixar que o medo me impedisse de ter pensamentos alegres, livres, produtivos e centrados em Deus. E independentemente de quem vencesse, eu continuaria a orar todos os dias pelo cargo de presidente, pelos demais cargos do governo e por nossa nação, como sempre fiz. Por quê? Porque eu sabia que, qualquer que fosse o resultado, Deus não só está sempre comigo e com meus entes queridos, mas está com todos — tanto de uma ala do poder legislativo quanto da outra, em todas as nações e no mundo todo.
Também constatei que havia certa hipocrisia em meus pensamentos. Em relação às eleições, eu estivera orando a Deus: “…faça-se a tua vontade…” (Mateus 6:10), mas sempre pensando em uma pessoa específica para assumir o cargo. Percebendo que essa era de fato a oração da vontade própria, parei imediatamente de pensar assim.
Com o estudo da Ciência Cristã, aprendi que a vontade de Deus é sempre boa. Deus não escolhe nenhum candidato em particular, contudo, Seu amor ininterrupto sempre prevalece. Confiei em que esse fato se tornaria mais claro e mais compreensível para mim e para os demais, de inúmeras maneiras criativas, qualquer que fosse o resultado da eleição. Eu já havia aprendido, com aquela história bíblica, que nem sempre temos uma visão exata das coisas, se só olhamos de modo superficial.
Uma afirmação da Sra. Eddy em Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras me vem ao pensamento, em momentos de preocupação com o futuro: “Nunca mais voltarás a ter medo, a não ser de ofender a Deus…” (p. 425). Ofender a Deus! Quem sou eu para duvidar de Deus? Sem uma posição mental isenta de ego, eu poderia perder a oportunidade de perceber que minhas opiniões iniciais eram erradas e que uma ideia nova e correta poderia ser melhor.
O resultado daquele testemunho na igreja, e da inspiração que se seguiu, foi que eu não senti mais aquele nó no estômago devido à eleição. Quando o medo começava a sussurrar no meu ouvido, eu mentalmente voltava àquela oração: “Faça-se a vontade de Deus”, e o medo rapidamente parava de bater à porta do meu pensamento.
Às vezes, penso nesse conceito em relação à chuva para as plantações. Eu vivo no campo. Sei que um agricultor que está orando para que chova em sua plantação talvez viva bem ao lado de outro que ora para que não chova, pois tem um cultivo diferente, que amadurece melhor em clima seco. No entanto, se ambos compreendessem a natureza mental da substância, saberiam, e seriam capazes de comprovar, que há suprimento perfeito para todas as necessidades. Deus tem o poder de dar exatamente o que é necessário para os dois agricultores, ao mesmo tempo.
Em realidade, a matéria nunca cria, supre ou governa, e os resultados eleitorais não são a chave para a salvação de ninguém. Deus, a Mente infinita, é o único governante e dá a cada um de nós a sabedoria e o suprimento necessários em toda e qualquer situação.
Lemos em Ciência e Saúde: “As estações do ano se sucederão com mudanças de época e marés, de frio e calor, latitude e longitude. O agricultor verá que essas mudanças não podem afetar suas colheitas” (p. 125). Nessa passagem, a Sra. Eddy está se referindo ao que é possível, quando compreendemos a Verdade divina ensinada na Ciência Cristã.
Creio que as ideias nesse trecho podem ser adaptadas às eleições e seu resultado, da seguinte maneira: as eleições e os líderes se sucederão com mudanças na política, medidas econômicas e impacto nos eventos mundiais. Algumas das mudanças serão de nosso agrado, outras talvez não. Contudo, os estudantes da Ciência Cristã verão que essas mudanças não podem afetar sua alegria, paz, confiança e bem-estar. Eles podem continuar a orar por sua nação e pelo mundo, na certeza de que a segurança, o conforto e o bem são possíveis a todos, porque procedem de Deus, que é todo o bem e nunca muda.
