Durante a ocorrência de protestos de natureza política em minha cidade, eu acompanhava as notícias de perto, e orava a respeito da situação. O noticiário transmitia entrevistas com vários políticos, que comentavam o que estava acontecendo. Pareceu-me que determinado político só contribuía para o caos, e fiquei frustrada com a atitude dele.
Mais tarde, naquele mesmo dia, fui de carro ao aeroporto buscar um parente. Enquanto esperava a chegada do avião, notei um homem parado na calçada, perto do meu carro, aguardando que o viessem buscar. Era justamente o político cuja atitude havia me incomodado tanto.
Fiquei surpresa. Dei-me conta de que eu nem havia pensado em orar a respeito do meu conceito sobre aquela pessoa, nem mesmo em ser honesta comigo mesma em relação ao que estava sentindo. Como Cientista Cristã, normalmente procuro agir conforme a Bíblia ensina, e seguir a recomendação de Jesus, de amar meus inimigos e orar por aqueles que eu acho que me prejudicaram (ver Mateus 5:44). Mas, não havia dúvida de que eu não estivera amando assim aquele político. Em vez disso, eu me havia sentido no direito de ter aquela opinião negativa e certa de que minha atitude era justificada.
Contudo, o que eu vi diante de mim, naquele momento, não foi uma figura política distante, um personagem da televisão, mas um filho de Deus, como todos nós.
Essa mudança de perspectiva me despertou para um padrão mais elevado de como ver nosso próximo. Compreendi que minha única opção era amar. Se eu não estivesse amando todos os filhos de Deus, então estaria nutrindo ódio por eles. Essa, certamente, não seria uma opção válida. E não há meio-termo nisso. Por isso, eu escolhi amar.
O que nos une é nossa natureza espiritual, e tenho constatado que estudar a Bíblia e o livro-texto da Ciência Cristã, Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, de autoria de Mary Baker Eddy, ajuda-nos a compreender melhor nossa verdadeira natureza. Nossa história humana não é a definição de nossa natureza mais elevada, espiritual. Não somos mortais em conflito. Todos somos espirituais e bons, por sermos criados pela Mente única, Deus. Estamos conectados uns aos outros pelo fato de sermos um com Deus.
Quando fica difícil chegar a um acordo com outras pessoas, para tomar uma decisão, é importante saber que a raiva e o ressentimento são, na verdade, apenas o resultado do medo — o medo de que o bem não provenha de Deus e, por isso, não seja onipresente e contínuo. No entanto, somos ideias espirituais de Deus, portanto temos domínio sobre qualquer temor persistente, sugerindo-nos que poderíamos perder o bem ou ficar sujeitos às discórdias.
Ao orar dessa maneira, compreendi que eu poderia considerar necessária e valiosa a perspectiva que essa pessoa tinha, e poderia expressar gratidão pelo bem que ela estava fazendo.
Perguntei-me se eu estaria disposta a orar para esse político caso ele, hipoteticamente, me pedisse ajuda. (Como um dos muitos praticistas da Ciência Cristã, eu oro para ajudar outros a obter a cura.) Essa pergunta deixou mais claro para mim que eu não precisava gostar do que ele dizia, mas precisava amá-lo, em obediência a Deus e à Regra Áurea, que diz: “…Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mateus 22:39). E foi o que eu fiz.
Talvez essa experiência seja um pequeno exemplo daquilo a que a Sra. Eddy se referiu, ao responder à pergunta: “Qual é a sua orientação política?” Ela respondeu: “Na realidade, não tenho nenhuma, a não ser ajudar a apoiar um governo justo; amar a Deus acima de tudo, e meu próximo como a mim mesma” (A Primeira Igreja de Cristo, Cientista, e Outros Textos, p. 276).
Amar a Deus e amar nosso próximo são aspectos fundamentais de como devemos agir em todas as áreas da vida, inclusive na política. Quando amamos a Deus, somos governados por Deus. Não nos deixamos persuadir por personalidades políticas nem seduzir por promessas falsas. E ficamos livres para tomar decisões motivadas pelo nosso amor a Deus e ao homem.
Em uma mensagem de 1898 à sua igreja, a Sra. Eddy fez um apelo sincero para que se orasse pelos Estados Unidos, inclusive pelos líderes da nação (ver A Ciência Cristã frente ao Panteísmo, p. 14). Não importa onde moramos, orar por nosso próprio país e pelo mundo, confiantes no desdobramento do bem de Deus, retira-nos da arena das perspectivas e agendas conflitantes e nos desperta para uma paz espiritual mais abrangente, que pertence a todos nós.
Há um hino que começa assim: “Haja paz na terra, a começar em mim”. A capacidade de permitir que a paz se estabeleça primeiramente em nós, por meio da compreensão a respeito de Deus, tem um alcance enorme. Se cada um de nós fizer o mesmo, estaremos mais bem preparados a contribuir para um ambiente de paz na política, de apreço por todos os que servem ao país e de amor imparcial pelo próximo. E estaremos ajudando o mundo a seguir na direção certa.
