Todas as experiências de cura cristã apontam a Deus como o Princípio divino sanador; vemos isso nos relatos dos Evangelhos e no livro de Atos, e através dos séculos até os dias de hoje. A Bíblia emprega expressões como rocha, fundamento, pedra angular e refúgio para descrever o sólido, confiável poder de Deus, que sustenta a vida e no qual as pessoas podem se apoiar em todas as épocas com sagrada confiança.
Com nossas experiências individuais de cura pelo Cristo, constatamos que o Princípio divino perdura, atuando com sanadora e libertadora eficácia nos dias de hoje, assim como em épocas passadas. O poder de Deus não diminuiu com o passar do tempo, com as mudanças nas circunstâncias humanas nem por pressões de uma sociedade cada vez mais materialista, assim como não mudaram as leis da matemática. Em Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, Mary Baker Eddy, a Descobridora da Ciência Cristã, declara: “Do infinito Um na Ciência Cristã provém um só Princípio e sua ideia infinita, e com essa infinitude vêm regras e leis espirituais e sua demonstração, as quais, como Aquele que tudo concede, são as mesmas ‘ontem e hoje… e… para sempre’…” (p. 112).
Um ponto central nos ensinamentos de Cristo Jesus é a revelação de que o reino dos céus — o reino e o governo de Deus, o Espírito, o qual inclui o homem espiritual e perfeito de Deus — está aqui e agora. Na oração que anseia conhecer a Deus, tanto a realidade do divino poder absoluto e sempre presente, quanto a nossa realidade como Seus filhos amados, tornam-se mais claras. O resultado é que o medo se dissolve e a doença é curada. O Princípio divino atua na consciência humana com tamanha certeza sanadora, que a Ciência Cristã define seus meios e efeitos como lei divina.
Se este sinônimo de Deus — o Princípio — parece ser um termo frio ou distante, podemos ser gratos porque esse mesmo Deus é o amoroso Pai-Mãe do homem. Deus, o Princípio divino, mantém cada um de nós como filho espiritual dEle, em harmonia com Ele, conforme a lei divina, e é o mesmo Deus cuja graça para conosco se renova “cada manhã” (Lamentações 3:23), e cujas ternas dádivas a nós concedidas “excedem os grãos de areia” em quantidade (Salmos 139:18). O mesmo Deus que decreta retidão e justiça para toda a Sua vasta e imortal criação, também sustenta ternamente cada um de nós como Sua expressão pura e espiritual, para sempre na órbita do Seu amor.
É importante mencionar que Mary Baker Eddy, em seus escritos publicados, frequentemente associa o sinônimo Princípio à prática da cura pela Ciência Cristã. Compreender e reconhecer a Deus como o Princípio divino de nossa prática de cura pode ser extraordinariamente libertador. Liberta-nos do falso senso de responsabilidade pela cura, e de qualquer senso de incapacidade que possamos ter em relação a dar tratamento pela Ciência Cristã. Percebemos que não estamos sozinhos em nossos esforços de orar eficazmente para promover a cura.
No prefácio de Ciência e Saúde, a Sra. Eddy aborda claramente esse ponto: “A cura física pela Ciência Cristã resulta hoje, como no tempo de Jesus, da operação do Princípio divino, ante a qual o pecado e a doença deixam de ter realidade na consciência humana e desaparecem tão natural e tão necessariamente como a escuridão dá lugar à luz e o pecado cede à reforma. Hoje, como outrora, essas obras poderosas não são sobrenaturais, mas supremamente naturais. São o sinal de Emanuel, ou seja, ‘Deus conosco’ — uma influência divina sempre presente na consciência humana, e que se repete, vindo agora como fora prometido antigamente:
Para proclamar libertação aos cativos [dos sentidos]
E restauração da vista aos cegos,
Para pôr em liberdade os oprimidos” (p. xi).
Gosto muito de como essa declaração atribui plenamente o poder de cura ao Princípio divino, citando a “…operação do Princípio divino, ante a qual o pecado e a doença deixam de ter realidade na consciência humana…” Assim podemos reconhecer que, não importa qual problema ou desafio estejamos enfrentando, a desarmonia que é o erro básico, ou seja, a crença errônea, é aquilo que tem de ser corrigido pelo Princípio divino, não por nós pessoalmente. Esse fato muda os termos do confronto, por assim dizer, em vez de um “eu” pessoal tentando derrotar o erro, é Deus nossa defesa segura e a fonte vital de toda cura. Torna-se cada vez mais claro, então, que o medo, as imagens sombrias do pensamento mortal, e as falsas evidências do senso material devem ceder lugar a Deus e a Seu Cristo, a verdadeira ideia de Deus, e assim “…desaparecerem tão natural e tão necessariamente como a escuridão dá lugar à luz e o pecado cede à reforma”.
Uma cura muito importante ocorreu nos primeiros anos de minha atividade como praticista da Ciência Cristã, e aconteceu, em grande parte, como resultado da minha compreensão da natureza de Deus como o Princípio duradouro da cura cristã científica.
Uma amiga ligou, pedindo ajuda em oração para o que ela descreveu como feridas abertas nos pés. Ela disse que o problema persistia havia algum tempo e que uma enfermeira da Ciência Cristã a estava ajudando a enfaixar as feridas de maneira adequada. Foi um privilégio começar a orar pela minha amiga.
Nessa mesma época, eu havia começado a ler o livro Spiritual Healing in a Scientific Age [Cura espiritual em uma era científica], de Robert Peel, livro esse que inclui vários relatos comprovados e comoventes de cura pela Ciência Cristã. Além de tratar o caso diariamente por meio da oração, eu senti que era natural permitir que a inspiração adquirida com as maravilhosas curas relatadas no livro alimentasse e fortalecesse minha convicção no poder sanador de Deus. O propósito foi ler e ponderar a fundo cada relato em espírito de oração, permitindo que elevasse meu pensamento a respeito de mim mesma, de minha prática de cura, e do papel mais abrangente da cura pela Ciência Cristã no mundo.
Os testemunhos que li não abordavam casos semelhantes àquele pelo qual eu estava orando. Isso não me pareceu importante. O que importava era o que esses relatos falavam sobre a disposição e poder do Amor divino de curar e salvar, e sobre a total imparcialidade desse Amor.
Logo uma ideia muito valiosa me veio. Eu sabia ser uma mensagem de Deus, pois era profundamente inspiradora: “O Princípio divino responsável pelas curas sobre as quais você está lendo é o mesmo Princípio divino que opera a favor de sua paciente”. Nos dias seguintes, à medida que a gratidão transbordava a cada relato de cura que eu lia, essa ideia me voltava ao pensamento. Era uma clara percepção espiritual de que Deus, o Princípio divino do verdadeiro existir do homem, era o único poder e influência sobre o caso pelo qual eu estava orando.
Continuei a orar por minha amiga, fortalecida pela inspiração que recebia dos testemunhos. Alguns dias depois, ela, com gratidão, me informou que o problema dos pés havia desaparecido completamente.
Devo dizer que, durante essa experiência, eu me senti mais como uma testemunha do que como alguém que promove a cura. Lembrei-me de Moisés diante da sarça ardente que, embora em chamas, não se consumia. Ele parou para observá-la e, então, ouviu a Deus falando com ele. A cada testemunho que lia, sentia-me, de certa forma, chamada a parar mentalmente e a constatar a plenitude de Deus, o Espírito, e o nada da matéria, como os relatos comprovavam.
Também reconheci que, se tivesse lido os testemunhos sob uma perspectiva pessoal e limitada — questionando, por exemplo, se eu seria capaz de orar com a mesma eficácia que os testemunhantes, ou indagando se teria tanta persistência, fé ou compreensão espiritual quanto eles — eu poderia ter perdido o ponto espiritual essencial: o Princípio divino, não uma pessoa, é o sanador científico.
Na verdade, Deus não concede a alguns mais do que a outros a capacidade de conhecê-Lo; nem atribui a alguns poucos escolhidos maior probabilidade do que a outros de vivenciar a cura. Jesus esclareceu esse ponto quando comparou o amor de nosso Pai-Mãe Deus à chuva, que cai benéfica e igualmente sobre todos.
Podemos afirmar que nossa missão como sanadores cristãos é sermos semelhantes a Cristo, expressar da melhor maneira possível as qualidades espirituais descritas nas Bem-aventuranças — inclusive humildade, motivos e afetos puros, e amor à verdade. Essas atitudes, essas disposições do coração, constituem a postura diante de Deus graças à qual recebemos a inspiração do Altíssimo em nossa oração, denunciamos as mentiras do medo e da doença, e testemunhamos de maneira eficaz a atuação do Princípio divino. Tão certo quanto o sol da manhã nasce ao Leste, assim o Princípio divino produz a cura.
O Princípio, por sua natureza, é infalível, e seu efeito sanador é irreversível. Nossas orações naturalmente reconhecem esses fatos espirituais; e o manso e divino Cristo sanador nos permite sentir e reconhecer que são reais, fazendo com que sintamos em nossa vida o efeito seguro do Princípio divino.
