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Original para a Internet

O pensamento que cura

DO Arauto da Ciência Cristã. Publicado on-line – 24 de setembro de 2026


O que é que promove a cura verdadeira e transformadora? A Bíblia traz esclarecimentos valiosos. O livro de Lucas conta a história de uma mulher que gastara todos os seus recursos com médicos, mas nenhum meio material fora capaz de ajudá-la (ver Lucas 8:43–48). Com humildade, ela tocou a orla da veste de Jesus e foi curada instantaneamente. A Bíblia relata que, mesmo rodeado por uma multidão, Jesus percebeu o toque individual daquela mulher, e afirmou: “Alguém me tocou, porque senti que de mim saiu poder”. Quando ela disse estar curada, Jesus respondeu: “Filha, a tua fé te salvou; vai-te em paz”.

Essa história indica que aquilo que viabilizava as obras de cura de Jesus não era uma substância material nem algum elemento cuja origem estivesse no cérebro ou no corpo. Suas curas fluíam de algo divino — um poder espiritual que vem à humanidade. Esse ponto foi crucial para a Descobridora da Ciência Cristã, Mary Baker Eddy, que identificou aquilo que promove a cura verdadeira, ou seja, o Cristo, por ela definido como a“…divina manifestação de Deus, que vem à carne para destruir o erro encarnado” (Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, p. 583). 

A própria Sra. Eddy descobriu que nunca é algo material o que possibilita a cura transformadora — aquela cura que não só nos livra de um problema, mas também nos eleva moral e espiritualmente. Uma pílula não é capaz de nos transformar em uma nova pessoa. A matéria não é capaz de nos tornar menos materiais e limitados. Do mesmo modo, uma mentalidade restrita ao pensamento fundamentado na matéria não é capaz de curar, ao menos não de maneira permanente, devido aos seus limites e alicerces materiais. O pensamento mortal, ou algo que aconteça em um cérebro, não é a verdadeira Mente ou inteligência. É apenas um senso parcial ou distorcido, um senso limitado ou materialista, daquilo que está realmente acontecendo.

Toda a energia, a força, a consciência e o poder que possibilitam a vida provêm de Deus, a Mente divina, a única Mente verdadeira. O que é necessário, na cura, é vermos mais essa Mente agindo em nós. E é totalmente natural vermos isso, pois, na realidade, nós somos a própria expressão da Mente — somos a imagem e semelhança da Mente, conforme a Bíblia nos mostra em Gênesis 1:26.

Quando era recém-nascido, um de nossos filhos teve hérnia umbilical. Essa é uma condição que, segundo se acredita, corrige-se por si mesma e, no nosso caso, tudo de fato se normalizou. Mesmo assim, eu havia orado bastante a respeito da situação. Queria estar pronto para ver que Deus nos proporcionaria toda ajuda de que pudéssemos precisar.

Hoje, percebo que, em minhas orações, eu estava tendo mais o desejo de não me contentar com uma experiência alicerçada na matéria, mas sim, queria ver mais a Vida que é Deus. E, aparentemente, eu estava abrindo meu pensamento a mais uma cura, porque algo aconteceu. Eu mesmo, quando recém-nascido, tivera hérnia umbilical. Nesse caso, a questão fora solucionada por meio de cirurgia, mas esta havia deixado meu umbigo um pouco protuberante. Contudo, depois das orações para ver a Deus atuando na situação do meu filho, comecei a sentir algo se ajustando na região do umbigo, até que um dia notei que a aparência e a sensação no local estavam normais.

Minha fome espiritual me tornara receptivo aos bons efeitos que antes haviam me escapado. Eu não havia pensado, por mim mesmo, nada que pudesse viabilizá-los. Uma cura transformadora não é algo desencadeado pela mente humana; o que acontece é que essa mente se abre à cura ou deixa de oferecer resistência, para que se possa vivenciar mais a Vida que é divina. A Sra. Eddy explica: “O pensamento humano não tem poder espiritual suficiente para curar o doente ou o pecador. Recorrendo somente às energias divinas temos de, ou desprender-nos do ego e aprofundar-nos em Deus a ponto de nossa consciência ser o reflexo da divina, ou temos de vencer o mal, por meio de argumentos e da consciência humana a respeito tanto do mal como do bem” (Escritos Diversos 1883–1896, p. 352). Então, embora nossos pensamentos humanos não curem, o que fazemos com eles é significativo na equação da cura.

Se você já foi à praia em um dia de mar agitado, talvez tenha se sentado à beira da água por alguns momentos, deixando que os respingos das ondas lhe trouxessem uma sensação agradável de frescor. Para sentir mais o efeito da água, porém, é preciso ir mais para o fundo. Ao buscarmos a cura, podemos nos considerar prontos, não só para deixarmos as ondas do pensamento espiritual respingarem em nós, trazendo uma percepção melhor, mas prontos também para mergulharmos fundo nessa consciência. A fome espiritual, a humildade e a fé nos colocam não apenas perto, mas dentro, das águas sanadoras da Verdade. 

E quando sentimos necessidade de algo mais, podemos nos aprofundar em oração por meio de afirmações que nos lembrem da natureza boa e totalmente espiritual de Deus, e de nosso verdadeiro existir como expressão dEle. E nessa oração, também devemos refutar a mentira mortal a nosso respeito, a mentira de que tenhamos, fazendo parte de nós, aquilo que é dessemelhante ou oposto a Deus, o Espírito, incluindo aí o medo, as dúvidas, a doença, limitações de qualquer tipo. Mantemos essas afirmações da verdade espiritual a respeito de Deus e do universo e negamos a dessemelhança de Deus, até sentirmos a realidade divina. Então, ouvimos o Cristo nos assegurar que não apenas somos livres do mal, mas todos o são, inclusive aqueles por quem estamos orando.

A cura muitas vezes requer o esforço dedicado de afirmar a Verdade espiritual e negar um senso conturbado da vida, mas com a única finalidade de abrir o pensamento para que receba algo vindo da Mente divina que de fato cura. Não é a argumentação que elimina o pecado e a doença. São as águas sempre presentes do Espírito que fazem isso. 

Jesus — e, ao segui-lo, a Sra. Eddy — mostraram que a cura instantânea, sem argumentação, é possível quando nossa consciência está imersa no perfeito Amor, Deus. A Sra. Eddy explica: “Lembra-te de que a letra e a argumentação mental são apenas auxiliares humanos para ajudar a pôr o pensamento em concordância com o espírito da Verdade e do Amor, que cura o doente e o pecador” (Ciência e Saúde, pp. 454–455).

Precisamos dar esses passos e entrar na água, estar imersos no Amor divino. Ao nos devotarmos humildemente a colocar o pensamento em concordância com a Mente divina, encontramos a saúde. Também passamos a ver e compreender com maior clareza tudo mais que for necessário compreender espiritualmente para vivenciar a realidade de Deus e de Sua criação. Quando cultivamos essa receptividade, ouvimos as ideias corretas que nos habilitam a tomar um rumo e a nos elevar acima do terreno árduo que a humanidade enfrenta hoje, e a fazer as melhores escolhas para nossa vida, nossa igreja e nosso mundo, e, assim, vivenciar a cura.

Talvez neste momento precisemos da argumentação, das afirmações e das negações, para elevarmos o pensamento até conseguirmos sentir e entender a inspiração. Mas não devemos ficar tão presos à argumentação a ponto de esquecermos de prestar atenção à inspiração que Deus derrama a cada momento! Ele já nos criou sãos, e nós somos curados quando percebemos isso. Na verdade, a Mente divina está fazendo tudo, e nós estamos refletindo essa ação perfeita. 

Ó, vem, Mente divina, vem!

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