Quando gostamos muito de algo, queremos compartilhá-lo com mais alguém, queremos desfrutá-lo com outros e vê-los receber o mesmo benefício. Quando amamos a religião que professamos, também é natural querermos compartilhá-la, e pela mesma razão.
Com efeito, o livro de Atos, na Bíblia, traz relatos mostrando que divulgar o Evangelho — as boas-novas que Jesus veio anunciar — é um aspecto essencial para os que abraçam a fé cristã. E, embora a história nos conte que, às vezes, grupos agindo em nome do Cristianismo tenham tentado tomar a alavanca do poder e governar, a atuação dos apóstolos não tinha como objetivo obter influência política. Mesmo quando o sistema político da época parecia reprimir duramente aqueles que tentavam vivenciar e divulgar as boas-novas do Cristo, a motivação dos primeiros discípulos não se alterou. Eles mantiveram o desejo sincero de que outros também conhecessem a natureza de Deus e assim pudessem sentir a liberdade da existência vivida em conformidade com o Cristo — a ideia espiritual de Deus, que revela o que é eternamente verdadeiro.
O próprio Jesus foi o modelo de como divulgar essa verdade. Ele recorria unicamente às “alavancas” do poder espiritual: oração, amor, cura, humildade, e enfatizou que devemos dar “…a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (Marcos 12:17). Sua própria vida, e a vida transformada daqueles que ele curou, nos mostraram que vemos evidências do reino de Deus na terra quando compreendemos a criação inteiramente espiritual como Deus, o Espírito, a vê eternamente. Isso prova que o reino de Deus é aquilo que está, de fato, presente, mesmo onde parece haver desarmonias terrenais. Vivenciamos cada vez mais esse reino celestial à medida que seguimos o exemplo de Jesus e, como ele, praticamos o Amor, demonstrando a realidade de que Deus é o Amor e é a Vida de todos. Ainda hoje podemos obedecer à orientação que Jesus deu a seus seguidores, quando os enviou a divulgar as boas-novas. A mensagem foi curta, infinitamente terna e inteiramente espiritual: “…à medida que seguirdes, pregai que está próximo o reino dos céus” (Mateus 10:7).
Na prática da Ciência Cristã, a natureza do reino dos céus é esclarecida em Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, de Mary Baker Eddy. Utilizando vários sinônimos para Deus, Ciência e Saúde define Reino dos Céus como: “O reino da harmonia na Ciência divina; o âmbito da Mente onipotente, infalível e eterna; a atmosfera do Espírito, onde a Alma é suprema” (p. 590). Esse reino, sempre aqui e agora, é nossa verdadeira consciência, que reflete a Deus — é a espiritualidade que conhece a Deus como o Tudo-em-tudo.
Despertar, mesmo um pouco, para a realidade de que Deus é Tudo, e vivenciar Seu amor — sempre ativo em favor de tudo o que esse despertar traz à luz, significa reconhecer como verdade celestial o fato de que Deus só cria e permite a harmonia em Seu reino. E é por isso que nossa tarefa consiste em fazer tudo o que pudermos para reconhecer a presença do reino, do governo, de Deus em todos os aspectos de nossa vida.
Esse reino celestial não é uma abstração. Vemos evidências tangíveis desse reino toda vez que sentimos amor genuíno pelo próximo, vibramos com uma alegria espiritual, temos a certeza cristã da supremacia da Verdade sobre a mentira, ou quando sentimos a presença do bem absoluto em um momento de quietude. Quando reconhecemos que esse reino é, de fato, o que estamos vivenciando nesses momentos, e procuramos vivenciá-lo com mais assiduidade, surge a pergunta: “Como podemos ajudar os outros a fazer o mesmo?” O método cristão está resumido na recomendação atemporal da Sra. Eddy a seus alunos: “Estejamos a serviço dos outros, em vez de dominar; batamos à porta dos corações humanos, em vez de forçar a entrada; e concedamos a cada um e a todos os mesmos direitos e privilégios que reivindicamos para nós” (Escritos Diversos 1883–1896, p. 303).
A maneira suprema de estar, como fez Jesus, “a serviço dos outros, em vez de dominar”, consiste em seguir o exemplo de amar o próximo, demonstrando mais e melhor o Cristo sanador. Um toque especial do céu se manifesta na terra, quando a demonstração do poder do Cristo traz cura — seja a vitória sobre enfermidades físicas ou sobre algum instinto humano indigno. Cada cura serve como prova para a humanidade de que a harmonia celestial do Amor é a realidade. E Jesus exemplificou o escopo universal desse serviço aos outros no alcance abrangente de sua vitória sobre a mortalidade, representada por sua ressurreição. Lemos em Ciência e Saúde: “A obra de Jesus foi para o esclarecimento dos homens e para que o mundo inteiro fosse salvo do pecado, da doença e da morte” (p. 45).
Ao ponderarmos sobre nossa vida, nossa igreja ou nosso país, podemos nos perguntar: “Estou disposto a servir ao mundo inteiro dessa maneira? Será que estou encarando a missão do Cristo daquele modo abrangente que a Bíblia revela — como o meio enviado por Deus para que toda a humanidade seja salva?”
Tendo, desde cedo, rejeitado a tentação de abrir mão da vocação de servir ao Amor, em troca dos privilégios do poder terreno, Jesus permaneceu imune a qualquer distração que o desviasse de sua missão sanadora, que consistia em despertar nos outros a consciência do amor de Deus por todos. Ele conhecia, melhor do que ninguém, o reino todo-harmonioso da realidade, e seu ministério de cura comprovou a existência eterna desse reino. Esse foi o exemplo que ele deixou para todos os tempos, a melhor maneira de divulgarmos o Cristianismo: a boa-nova de que o reino dos céus é a única presença que realmente existe aqui na terra, hoje.
Tony Lobl,
Redator Executivo
