Mary Baker Eddy faz essa pergunta em Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras e logo a seguir responde: “Sim…” (p. 2). Recentemente, ao ler esse trecho, suas palavras chamaram minha atenção como se fossem as únicas na página. Não há dúvida: sim, somos beneficiados por orar. Durante vários dias refleti sobre essa resoluta e confiante afirmação.
À medida que ponderava, percebi que a Sra. Eddy leva esse “Sim” para a dimensão ainda maior do potencial implícito na resposta. O trecho completo diz: “Somos beneficiados por orar? Sim, o desejo que tem fome de justiça e de retidão é abençoado por nosso Pai e não nos volta vazio”. Nessa declaração temos a magnífica confirmação de que Deus ouve e abençoa nossas orações, e de que elas são eficazes. Contudo, se parece que não são, é importante compreender que essa inspirada orientação da Sra. Eddy indica um tipo específico de oração: “o desejo que tem fome de justiça e de retidão”.
Se nosso papel na oração é ter fome de justiça e de retidão, precisamos saber o que isso significa. Deve ser uma questão importante, pois Cristo Jesus fez menção a ela no Sermão do Monte, no trecho conhecido como as Bem-aventuranças: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos” (Mateus 5:6). Ter fome de algo significa desejar, buscar, não se sentir satisfeito até conseguir o que se deseja.
Que justiça, que retidão é essa que devemos buscar com empenho, para que nossas orações sejam benéficas? O significado da palavra grega traduzida como justiça, nesse versículo, inclui “condição aceitável a Deus” e “integridade; virtude; vida pura; retidão; pensar, sentir e agir corretamente” (Thayer’s Greek Lexicon [Dicionário grego Thayer]). Ter fome de justiça significa cultivar esse nível de pensamento e de vida, com urgência e foco. E, segundo a Bíblia, as qualidades como pureza, virtude e integridade são, de fato, inerentes a nós.
O primeiro capítulo do Gênesis afirma que Deus criou o homem à Sua imagem e semelhança, isto é, em nossa verdadeira identidade espiritual como filhos de Deus. Por isso, cada um de nós é a expressão perfeita e completa de Deus, o Espírito. As magníficas palavras e obras de Cristo Jesus demonstraram o aspecto prático de se conhecer essa verdade a respeito da natureza espiritual do homem, e a Ciência Cristã explica que era dessa maneira que Jesus curava. Ali, onde as pessoas aceitavam a mortalidade e a imperfeição como sendo verdades a respeito de si mesmos e dos outros, Jesus via que todos eram aquele homem perfeito e, como resultado dessa divina, correta, justa maneira de ver, ele foi capaz de restaurar a harmonia de corpo e mente em tantas pessoas.
Nós, também, podemos nos empenhar para ver apenas a semelhança de Deus em nós e nos outros, revelando o que realmente somos e capacitando-nos a ver além daquilo que impede tal visão pura.
Essa é a maneira ativa e comprometida de orar! É uma oração que tem fome de integridade, virtude, pureza, que tem fome do que é certo e correto. Essa é uma oração impelida pela reflexão sobre quem somos, está impregnada de humildade, discernimento espiritual e honestidade. É profunda e ponderada, e ganha forma como um desejo do coração. Não é uma oração passiva ou mecânica, nem depende do trabalho ou esforço de outra pessoa; mas sim, é inteiramente individual e parte de quem, com humildade, se volta a Deus em busca de orientação.
Constatei que a oração é mais eficaz quando começo e permaneço com o que é verdadeiro a respeito de Deus: mantendo em mente que a presença dEle é amorosa, imediata e está próxima de nós, como nosso divino Pai-Mãe. Esse tipo de oração é maravilhosamente exemplificado neste versículo bíblico: “Teu, Senhor, é o poder, a grandeza, a honra, a vitória e a majestade; porque teu é tudo quanto há nos céus e na terra; teu, Senhor, é o reino, e tu te exaltaste por chefe sobre todos” (1 Crônicas 29:11).
Essa oração humilde, essa fome de justiça e de retidão, esse desejo de obter e reter a perspectiva correta — a perspectiva do Cristo, ou seja, a ideia verdadeira a respeito de Deus e de tudo o que Ele cria — “é abençoado por nosso Pai e não nos volta vazio”. É essencial compreender e aceitar essa promessa em sua plenitude. Essas orações, nas quais desejamos a justiça, não só são abençoadas por Deus, mas também não são vazias — isto é, não carecem de substância ou de resultado. Quando, de todo o coração, nos voltamos a Deus em orações permeadas pelo desejo de obter uma clara perspectiva espiritual, bem como a pureza, honestidade e sinceridade que acompanham tal perspectiva, essas orações nunca são vazias nem inconsequentes.
É imprescindível não acreditarmos em nenhuma sugestão que se infiltre em nosso pensamento, argumentando que nossas orações não são ouvidas, são ineficazes ou vazias. A Sra. Eddy explica que essas sugestões nada mais são do que magnetismo animal, “…a crença errônea de que a mente esteja na matéria e que seja tanto má quanto boa; que o mal seja tão real como o bem, e mais poderoso”. Ela acrescenta: “Essa crença não tem uma única qualidade da Verdade” (Ciência e Saúde, p. 103).
Se nos deparamos com uma situação em que somos tentados a questionar se Deus ouviu nossas orações, podemos mentalmente fazer uma pausa e refletir: será que em minhas orações eu tive realmente fome de justiça e de retidão? Estou me empenhando para mais plenamente expressar integridade, pureza, honestidade e retidão, como reflexo de Deus? Acima de tudo, estou honrando o que Deus é, ou será que estou mais concentrada em encontrar uma solução para a situação sobre a qual estou orando?
Honrar a majestade de Deus, e o fato de que Ele é Tudo, mantém o pensamento elevado e claro, e nos permite perceber melhor o que precisa de mais atenção em nossas orações. E, à medida que temos fome dessa justiça e retidão, e de sua expressão mais clara, nossas orações são atendidas, com resultados que beneficiam a nós e aos outros.
Somos beneficiados por orar? Sim!
Jennifer McLaughlin
Membro do Conselho de Fiduciários dA Sociedade Editora da Ciência Cristã
