O transtorno mental recebe muitos nomes, mas afirmo, por experiência própria, que essa condição pode ser curada e que, independentemente do nome que receba, o transtorno mental se resume a um senso equivocado de identidade. Por “equivocado”, quero dizer a maneira de vermos a nós mesmos como mortais, sujeitos a doenças, em vez de nos considerarmos como realmente somos: o reflexo espiritual de Deus, que tem domínio, não apenas sobre a doença, mas sobre todas as coisas.
Vou explicar. Há alguns anos, sofri um colapso nervoso e recebi o diagnóstico de ansiedade e depressão profunda. Fiquei internada por um breve período, recebendo medicamentos para tratar esse problema. Eu me sentia um pouco atordoada, quando tomava os remédios, e alguns tinham efeitos colaterais desagradáveis. Eu sabia que eles não podiam resolver o verdadeiro problema: o medo.
Antes de esses terríveis desafios mentais começarem, eu vivia em uma região isolada. Haviam chegado novos vizinhos, que estavam perturbando a paz, e parecia que não havia outro lugar para onde eu pudesse ir. Essa situação deixou-me em pânico, pois vinha somada a uma lesão nas costas que afetava grandemente minha movimentação, e a um relacionamento que se tornara tóxico.
Alguns anos antes, eu havia conhecido a Ciência Cristã por intermédio de um praticista dessa Ciência, o qual me fora apresentado por um amigo. Pouco tempo depois de conhecê-lo, ele curou minha filhinha de convulsões. Certa noite, com apenas um tratamento por meio da oração, ela ficou completamente livre desse problema. Isso me causou uma profunda impressão porque, anteriormente, a menina havia sido hospitalizada para a realização de exames. Embora, do ponto de vista da medicina, nada de conclusivo tivesse sido identificado, a situação havia sido muito assustadora. Como se pode imaginar, essa cura despertou meu interesse, e comecei a estudar a Ciência Cristã.
Durante o período de confusão mental — primeiramente no hospital, e depois na instituição de moradia assistida em que me colocaram — outra praticista da Ciência Cristã que eu conhecia, e que estava apoiando meu crescimento espiritual, continuamente me assegurava que aqueles sintomas de ansiedade e depressão não faziam parte de quem eu era. Ela dizia: “Eu conheço você, e isso não é você”. Eu sabia que o que ela estava dizendo era verdade — que tais sintomas não faziam parte de minha verdadeira identidade, nem da identidade verdadeira de ninguém, pois todos somos filhos valiosos de Deus — embora eu não me sentisse assim, naquele momento.
No livro-texto da Ciência Cristã, Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, de Mary Baker Eddy, lemos que nossa verdadeira identidade é inteiramente espiritual. Os ensinamentos desse livro baseiam-se na Bíblia, livro no qual se fundamenta a compreensão da Sra. Eddy de que o homem é a semelhança imortal, ou seja, o reflexo de Deus. Por que é importante nos identificarmos como o reflexo de Deus? É de suma importância porque, quando nos identificamos como mortais vulneráveis, estamos permitindo a entrada, em nossa experiência, de todo tipo de situação que acreditamos possa nos fazer sofrer.
Isso pode parecer estranho para quem não está familiarizado com a Ciência Cristã. Contudo, ao estudar Ciência e Saúde, passei a me ver como filha de Deus, sempre conectada à minha verdadeira fonte de alegria e estabilidade. A Bíblia diz: “…Deus é luz, e não há nele treva nenhuma” (1 João 1:5). Isso significa que o conceito que temos de nós mesmos, em realidade, também não tem nenhuma treva — não pode haver identificação errônea equivocada nem prática mental errônea em relação a quem nós somos de verdade. Não podemos conhecer nenhum outro eu a não ser aquele que é espiritual, criado à imagem e semelhança de Deus.
Em Ciência e Saúde lemos: “A Mente infinita cria e governa tudo, desde uma molécula mental até a infinidade” (p. 507). Essa Mente, Deus, é totalmente sã, serena, é o Amor e a luz do universo, o único poder. Por sermos o reflexo da Mente divina, só podemos sentir a serenidade que emana de nossa fonte do bem.
Embora eu não tenha sido imediatamente invadida por um senso de paz, ele foi chegando. Não em decorrência dos medicamentos — que acabei parando de tomar — mas por continuar a me firmar nessas ideias espirituais, que eu sabia serem verdadeiras. Essa experiência comprovou os resultados benéficos de me ater ao bem, e de saber que ele é real, reconhecendo também que aquela condição terrível era irreal. Aos poucos, as portas se abriram, e anjos (intuições divinas) me guiaram aos passos seguintes a serem dados. E eu dei esses passos. Consegui sair daquele relacionamento tóxico e fui curada completamente da ansiedade e da depressão.
Atualmente, vivo de maneira independente em um lugar lindo, e levo uma vida cheia de propósito. Também fiz novos amigos maravilhosos (além de manter os antigos), e novas possibilidades se abriram em minha vida.
Deus é o único poder. É fácil dizer isso, mas essa não é uma afirmação superficial, porque o poder de Deus é a verdade gloriosa que podemos compreender e demonstrar.
