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Original para a Internet

“Tudo posso”

DO Arauto da Ciência Cristã. Publicado on-line – 12 de outubro de 2026


No livro do Gênesis, na Bíblia, aprendemos qual é a verdadeira origem e substância do homem, quando lemos que Deus disse: “…Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança…” (1:26).

Um pouco adiante, em Êxodo, lemos que Deus falou a Moisés por meio de uma sarça que ardia sem ser consumida pelo fogo. Moisés ouviu Deus dizer: “…Eu Sou o Que Sou…” (3:14). Não havia nenhuma outra identidade ou atividade — apenas uma entidade: o Criador com Sua expressão espiritual, o homem. Em Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, Mary Baker Eddy define a Deus como o “grandioso Eu Sou” (ver p. 587) e afirma: “O Ego único, a Mente única, o Espírito único chamado Deus, é a individualidade infinita que provê toda forma e beleza e que reflete a realidade e a natureza divina no homem espiritual individual e nas coisas espirituais e individuais” (p. 281).

Algumas páginas depois, Ciência e Saúde emprega a analogia de uma imagem no espelho para descrever o homem refletindo a Deus, e declara: “Deus é revelado somente naquilo que reflete a Vida, a Verdade, o Amor — sim, naquilo que manifesta os atributos e o poder de Deus, assim como a semelhança humana, projetada no espelho, reproduz a cor, a forma e a ação da pessoa que está diante do espelho” (pp. 300–301). A palavra semelhança é importante para se ter a representação fiel da imagem refletida. 

O reflexo, a imagem no espelho depende inteiramente do original para manifestar toda individualidade e atividade. No entanto, se a vermos materialmente, a imagem no espelho é o inverso de sua fonte — o lado direito aparece à esquerda e o lado esquerdo aparece à direita — e, para alguns, isso poderia indicar separação ou dualidade.

Durante anos, procurei entender minha identidade como sendo um reflexo no espelho, concebendo uma imagem para Deus e outra para o reflexo de Deus. Visualizar mentalmente duas imagens separadas — mesmo que simbolicamente — buscando encontrar algum senso de identidade fora de Deus, fora do original, não me levou a nenhuma conclusão válida.

Quando me dei conta de que a fonte e sua semelhança são uma única coisa, e entendi que minha identidade reside no “Ego único”, encontrei minha identidade espiritual como parte da expressão composta de Deus, o Espírito. Percebi que uma perspectiva material e um senso de separação estavam bloqueando meu senso espiritual do Espírito único e de nosso reflexo indiviso do Espírito. 

A Sra. Eddy afirma em Ciência e Saúde: “Agora, compara o homem diante do espelho com seu Princípio divino, Deus. Denomina o espelho Ciência divina e, o homem, denomina reflexo. Depois, nota como, de acordo com a Ciência Cristã, o reflexo é fiel ao seu original” (pp. 515–516). Materialmente, para descobrir se uma imagem é fiel ao original, precisamos olhar para a fonte e inverter a imagem no espelho. Mas, se olharmos para o espelho da Ciência divina, não será necessária nenhuma inversão da imagem. Nós sabemos, vivenciamos e expressamos o que é verdadeiro.

Quando mantemos o foco em Deus como a fonte de toda a realidade, vemos se dissolver todo senso de separação, com suas crenças errôneas e ilusões materiais. Encontramos apenas o único “Eu sou”, identificamos e conhecemos a nós mesmos precisamente como a expressão de “Eu sou” dentro do único universo, espiritual e infinito. Encontramos o Cristo, a manifestação perfeita de Deus e, assim, começamos a reconhecer nossa verdadeira identidade como participante do reino do Amor. Ciência e Saúde afirma: “Jesus reconhecia na Ciência o homem perfeito…” (pp. 476–477). E o próprio Jesus disse: “Eu nada posso fazer de mim mesmo…” (João 5:30). 

Por muitos anos, eu me perguntei como poderia algum dia ter estabilidade em minha carreira, em meus relacionamentos e no meu suprimento. Olhando para trás, percebo agora que eu estava vendo, acreditando e, em grande parte, identificando-me com um ego errôneo, que tentava forçar soluções materiais, sem chegar a lugar nenhum.

À medida que eu aprendia, cada vez mais, a deixar de me identificar como um ego mortal, que determinava de antemão quais seriam as soluções, as coisas começaram a mudar. As bênçãos começaram a surgir, na medida em que o “ego” pessoal saía do caminho e meu foco se voltava para Deus. Um suprimento inesperado apareceu, o qual possibilitou que eu me aposentasse; meus relacionamentos se tornaram mais centrados em compartilhar reciprocamente nossas qualidades espirituais; e reescrevi meu currículo mortal, colocando em seu lugar as lições espirituais aprendidas em cada experiência. Reconheci que minha verdadeira carreira era, e continua sendo, o desenvolvimento contínuo de minha compreensão espiritual, e a expressão do meu relacionamento com Deus por meio do Cristo.

Quando procuramos a Deus e nos volvemos a Ele com confiança, de maneira a nos vermos como a semelhança refletida do Amor, deixamos de nos identificar humanamente com as imagens invertidas e divididas que se dissolvem no “Eu Sou o Que Sou”. Torna-se claro para nós que a manifestação do Cristo em cada um de nós — o homem perfeito que reflete a Deus como Sua semelhança pura e espiritual — é nossa única e verdadeira existência. Ao compreendermos que somos o reflexo ativo revelado pelo Cristo, e que Deus é o único “Eu”, constatamos com humilde e grato domínio não só que “tudo posso” em Cristo (ver Filipenses 4:13), mas que tudo já está feito graças ao Cristo.

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