Durante a infância e a adolescência, eu sentia que não me encaixava em certos grupos na escola e nas aulas de dança. Eu parecia ser aquela pessoa que estava sempre isolada, e tinha dificuldade para fazer amigos. Por diversas vezes cheguei da escola chorando e frustrada por parecer tão diferente dos outros, e sentia-me muito sozinha.
Mesmo quando rodeada por pessoas que eu sabia que me amavam, ainda me sentia sozinha. Eu me perguntava por que as pessoas sequer falavam comigo. Tentava reprimir esses sentimentos, passando horas na frente da TV, ocupava meu tempo navegando nas redes sociais e me comparando aos outros. No entanto, em vez de me fazer sentir melhor, essas atitudes me causavam uma tristeza ainda mais profunda.
Cresci frequentando a Escola Dominical da Ciência Cristã, e já havia testemunhado curas que meus pais e meu irmão mais velho tiveram ao se voltarem para a Ciência Cristã, em meio a desafios físicos e mentais. Mas foi só depois do segundo ano do ensino médio, quando eu estava em um acampamento de verão para Cientistas Cristãos, que me ocorreu orar a respeito desses sentimentos constantes de solidão e depressão.
No acampamento, tivemos uma atividade “solo”, que consistiu em passar algumas horas a sós na floresta, em silêncio, orando e escrevendo uma carta para si mesmo em um futuro imaginário. Quando fizera essa atividade no ano anterior, eu não havia aproveitado bem o tempo passado na floresta. No entanto, dessa vez, estava determinada a usufruir ao máximo essa oportunidade.
Durante essa atividade, sentada na floresta, olhei para o alto, para a copa das árvores, e percebi que os galhos de duas delas estavam entrelaçados. Então, o vento soprou e os galhos balançaram e se separaram. O vento soprou outra vez, e eles se entrelaçaram novamente. Passei alguns minutos contemplando aquelas árvores, e me ocorreu que essa era uma espécie de analogia de minha relação com Deus, e do fato de que nós nunca estamos realmente sozinhos.
A Bíblia ensina que Deus nos criou à Sua imagem e semelhança (ver Gênesis 1:26, 27). Isso significa que nós, por sermos filhos de Deus, O refletimos. Por isso, mesmo quando temos a sensação de não estarmos próximos de Deus, continuamos junto a Ele, pois expressamos o que Ele é. Somos a manifestação das qualidades de Deus. Mary Baker Eddy escreve a respeito disso em Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras. Ela diz: “A reconciliação exemplifica a unidade do homem com Deus, segundo a qual o homem reflete a Verdade, a Vida e o Amor divinos” (p. 18). Isso significa que estamos sempre unidos a Ele, que somos um com Deus — essa é a “unificação com Deus” que Jesus demonstrou para nós (p. 19).
Comecei a compreender que cada um de nós reflete a bondade de Deus. Então, não há nada de errado conosco, que nos torne indignos de amor ou solitários. Saber isso nos liberta de acreditarmos em qualquer pensamento negativo que nos diga algo diferente sobre quem nós realmente somos, ou que negue nossa verdadeira identidade espiritual como reflexo de Deus. Além disso, Deus, que é o Amor, está sempre presente para nos confortar. Essa ideia me trouxe um sentimento de paz que levei comigo pelo restante de minha estadia no acampamento.
Ainda naquele verão, eu fui para outra escola, e meu crescimento espiritual continuou, fortalecendo meu entendimento sobre minha relação com Deus. Fiz amizades — tanto na escola como nas aulas de dança. Esses novos amigos viam o melhor em mim, e eu via o melhor neles. Terminei o ensino médio sentindo-me feliz, completa e livre da solidão.
Sou grata por essa experiência e pelo que ela me ensinou a respeito de minha inseparabilidade de Deus e de Sua bondade. Embora haja momentos em que nos sentimos sozinhos e perdidos, Deus, o bem, está na realidade sempre conosco, sempre nos amando e nos lembrando de nossa bondade e perfeição.
