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Original para a Internet

Servir a Deus por meio da gratidão

Da edição de novembro de 2026 dO Arauto da Ciência Cristã

Publicado anteriormente como um original para a Internet em 15 de novembro 2026. 


Uma das minhas histórias bíblicas favoritas é a de Ana, mãe de Samuel (ver 1 Samuel 1:1–2:10). Sua gratidão por dar à luz Samuel, depois de enfrentar a dificuldade de não conseguir ter filhos, sempre foi para mim uma mensagem do que é a gratidão genuína e sincera.

Ana não diz simplesmente: “Obrigada, Deus, por me dar um filho”, e segue sua vida. Em vez disso, ela oferece um longo cântico, expressando uma profunda gratidão que vai muito além de ter superado sua dificuldade. Ela louva a Deus por Seu infinito amor, misericórdia e cuidado pelos necessitados, e pela destruição do mal, dizendo: “Não há santo como o Senhor; porque não há outro além de ti; e Rocha não há, nenhuma, como o nosso Deus” (1 Samuel 2:2). A meu ver, a cura e a gratidão deram a Ana uma compreensão muito mais profunda a respeito de Deus. Ela entendeu que a situação não se resumia apenas a ela mesma, mas dizia respeito à presença constante de Deus e Seu poder absoluto sobre tudo o que a rodeava.

Eu percebo a obediência e a gratidão de Ana como formas de servir a Deus. É fácil imaginar que servir a Deus exige um gesto ou sacrifício gigantesco, mas considero essa uma maneira muito limitada de pensar sobre o assunto. Gratidão é reconhecer que Deus está presente e evidente em nossa vida, e essa é uma maneira eficaz de servir a Ele. Embora a gratidão — com frequência chamada na Bíblia de ação de graças — muitas vezes pareça ser um pequeno gesto, na realidade é uma potente afirmação de que Deus existe e é todo-poderoso.

Pode parecer fácil enxergar a gratidão como um modo de agradecer por algo específico que recebemos. No entanto, eu cheguei à conclusão de que a gratidão é tão poderosa e transformadora, que tem de abranger muito mais do que nós mesmos ou nossas circunstâncias atuais. A gratidão tem de nos dar uma visão mais clara e correta a respeito de Deus e de toda a Sua criação.

Certo dia, estava me sentindo bastante mal, e fiquei deitada por diversas horas, sem conseguir me mover muito, comer ou orar por mim mesma. Telefonei para um praticista da Ciência Cristã para que ele orasse por mim. Eu já havia obtido curas como resultado de orar com um praticista, então senti que esse era o passo necessário. Eu estava ávida por inspiração e conforto, e fiquei muito grata por senti-los durante nossa conversa. Antes de terminar a ligação, o praticista pediu que eu me voltasse a Deus em busca de maneiras pelas quais eu pudesse servi-Lo. Para ser sincera, fiquei perplexa. Pensei: “Servir a Deus? É mesmo? Mal consigo me mover! Eu preciso de alguém que sirva a mim, não o contrário!” Mas fui obediente.

Fiquei imaginando o que eu seria capaz de fazer ou compartilhar, mesmo sentindo-me tão desamparada. Depois de pensar um pouco, percebi que poderia ao menos ser grata. Embora eu me sentisse impossibilitada de orar por mim mesma, devido ao desconforto físico, fiquei surpresa porque agradecer foi algo muito fácil e natural. E faz sentido ter sido natural, pois agradecer é reconhecer o que já é bom e verdadeiro — reconhecer o que Deus dá a todos nós por sermos Seus filhos amados. Eu não precisei criar motivos pelos quais ser grata.

A gratidão tomou conta de mim. Agradeci pela presença de Deus em minha vida. E me dei conta de que, embora em algumas ocasiões fosse difícil orar por mim mesma, como nesse caso, eu podia ter a profunda convicção de que Deus está sempre comigo, cuidando de mim e me guiando. Eu estava grata pelo amor de Deus, e por Seu amor ser permanente e imutável.

Entendi que o amor de Deus não varia; não é como se em um momento Ele me amasse e, no instante seguinte, Se esquecesse de mim. Seu amor está sempre presente, e eu sabia que estava envolta por esse amor. Meu senso a respeito de Deus se tornou muito amplo e abrangente.

Continuei agradecendo durante mais um tempo, glorificando a natureza de Deus e, pouco depois, pude me levantar e voltar às minhas atividades, renovada e sentindo-me muito melhor. Segui agradecendo a Deus ao longo do dia, e logo todos os sintomas de enfermidade desapareceram. Eu havia servido a Deus por meio da minha gratidão e fui curada.

Em Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, Mary Baker Eddy escreveu algo que me ajudou a aprofundar minha gratidão ainda mais. Ela diz: “Dar não nos empobrece no serviço de nosso Criador, e reter tampouco nos enriquece” (pp. 79–80).

Nessa experiência, a gratidão me enriqueceu não apenas por eu ter vivenciado uma cura física, mas também por ter me ensinado uma importante lição: a doença pode às vezes parecer nos consumir; pode parecer nos privar da liberdade de pensar e de enxergar além de nós mesmos e do desconforto. Mas a gratidão nos ajuda a nos volvermos a Deus — a expandirmos nosso pensamento para além de nós mesmos — e a permanecermos ali. Somos enriquecidos porque Deus nos faz ver nossa inteireza e verdadeira natureza espiritual — nossa perfeição e a de tudo ao nosso redor. Quando sentimos que essa perfeição é real, somos capazes de ver a nulidade e irrealidade da doença, e acontece a cura. Ao aprendermos mais a fundo o que é espiritualmente verdadeiro, podemos ajudar os outros a encontrarem a cura, também.

Eu amo o fato de que a gratidão não nos deixa onde nos encontrou. Ela nos mostra a grandeza de Deus e de cada um de nós, como Seus filhos amados. Ajuda-nos a ver além da mentira da chamada existência mortal separada de Deus e a enxergar a verdade de que não podemos estar separados da bondade divina. Vemos a elevada riqueza espiritual da natureza de Deus e, por reflexo, a nossa natureza espiritual. Eu continuo em meu comprometimento de servir a Deus todos os dias por meio da gratidão, e essa tarefa é uma alegria.

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