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Original para a Internet

Para jovens

Podemos parar de brigar por causa de política?

DO Arauto da Ciência Cristã . Publicado on-line – 12 de fevereiro de 2019


Ao ir à casa de uma amiga passar a tarde, eu não esperava me envolver em uma acirrada discussão sobre política. Como é que uma conversa amistosa poderia haver degenerado tão rapidamente? Sem nos darmos conta, começamos a falar aos gritos, ambas convencidas de que o ponto de vista da outra estava totalmente errado.

Não gostei do que aconteceu naquele dia. Percebi o quanto estávamos nos deixando levar pelas discussões políticas e reagindo de um modo nada construtivo. O que poderia eu fazer? Dei-me conta de que necessitava orar, mas não para que os outros vissem as coisas à minha maneira!

Para mim, a oração sempre começa por silenciar os pensamentos centrados em mim mesma, tais como “eu tenho razão!” e “tenho de encontrar o argumento certo”. Por mais justificáveis que esses pensamentos centrados no ego pareçam ser, eles acabam causando turbulência. Ao silenciá-los, me torno mais aberta para ouvir a Deus. Assim minha oração me leva a humildemente prestar atenção às ideias vindas de Deus, que me inspiram a pensar de modo diferente a respeito de qualquer situação que esteja me preocupando. Estudando a Ciência Cristã, aprendi que podemos contar com pensamentos que são amorosos, portadores de paz, que nos vêm de Deus, pois Ele mesmo é o Amor. E esses amorosos pensamentos de paz neutralizam quaisquer sugestões de atrito, raiva ou desarmonia, e tomam o lugar delas. 

Dessa vez, ao orar, percebi que meu problema não era a nossa divergência de opiniões, mas sim uma crença de que minha amiga tinha uma mente, e essa mente estava em desacordo com a minha. Era como se a minha mente pessoal tivesse de mostrar à mente da minha amiga qual era o erro que que ela estava abrigando em seu pensamento. Percebi também que esse raciocínio deixava Deus completamente de fora. Lembrei-me de duas passagens da Bíblia que me ajudam a melhor entender a Deus. A primeira diz: “...o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor” (Deuteronômio 6:4). A outra passagem diz: “Ele (Deus) é de uma mente só, e quem o pode dissuadir?” (Jó 23:13, conforme a Bíblia em inglês, versão King James). Essas passagens me fizeram lembrar que, por existir somente um único Deus, existe apenas uma única Mente, a Mente divina. Essa Mente, que é toda a inteligência que existe, enche todo o espaço e toda a consciência e se expressa em toda a Sua criação. Assim, admitir múltiplas mentes pessoais em conflito entre si era de fato uma percepção errônea da situação como um todo. 

Então, o que significava para minha amiga e para mim, o fato espiritual de que só há uma Mente única? Significava que, em vez de cada uma de nós ter sua própria mente, nós duas expressamos as qualidades da Mente única, tais como inteligência e discernimento. Significava também que nenhuma de nós podia ser iludida por falsas perspectivas políticas.

Voltei-me também para o exemplo de Jesus quanto a lidar com pontos de vista opostos. Certa vez durante seu ministério, Jesus confrontou obstinadas opiniões de certos dirigentes religiosos (os escribas) que questionaram a autoridade dele para perdoar os pecados de um homem, porque, diziam eles, somente Deus podia perdoar pecados. Em vez de se envolver em um debate com eles, Jesus elevou o nível do diálogo para uma afirmação dos direitos que o homem tinha de ser libertado, não apenas do problema físico, mas também do pecado. A abordagem inspirada de Jesus não só curou o homem, como também beneficiou os que lotavam a casa e foram testemunhas da cura, “...a ponto de se admirarem todos e darem glória a Deus, dizendo: Jamais vimos coisa assim” (Marcos 2:12).

Ao pensar nisso, percebi que aquilo que eu queria era mais do que convencer alguém sobre uma perspectiva política diversa. Eu queria trazer cura, tanto nas conversas com minha amiga quanto na discussão política na minha comunidade e no país, que eram de muito maior alcance. Jesus argumentava de maneira lógica e convincente, mas o que lhe permitiu curar foi seu amor para com o paralítico e também seu modo correto de ver os escribas. Ele viu nos escribas indivíduos governados por Deus, em vez de homens teimosos com pontos de vista que se opunham ao que ele dizia. 

Isso foi um alerta para mim. Eu necessitava ser motivada pelo amor e não pelo desejo de estar com a razão. Para amar completamente, eu tinha de ver cada pessoa, não importando a que partido político pertencesse, como um irmão ou irmã, refletindo a mesma Mente divina. O que não significa que todos pensamos exatamente da mesma maneira, mas sim que podemos encontrar pontos em comum apesar de nossas diferenças, porque temos a mesma fonte divina de inteligência.

Rapidamente encontrei várias oportunidades de pôr essas ideias em prática. O reconhecimento de que era necessário começar por amar a Deus e aos outros fez toda a diferença. Algumas vezes esse amor me impulsionou a compartilhar uma perspectiva que elevou a conversa ao nível de se conseguir chegar a um ponto de vista mais abrangente. Outras vezes, isso me fez silenciar meu turbilhão interior e pude ouvir com respeito, entendimento e compaixão. Minhas conversas sobre política se tornaram bem mais moderadas, e nunca mais me deixei perturbar ao conversar sobre política.

Afinal, o que todos nós queremos é encontrar soluções para os problemas que são relevantes para nossas comunidades, para os países e para o mundo. Por que não começar com o fato espiritual de que só existe uma Mente única, e ver aonde esse pensamento nos leva?

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Quando Mary Baker Eddy estabeleceu o Arauto em 1903, ela disse que sua missão era a de "anunciar a atividade e a disponibilidade universal da Verdade" (The First Church of Christ, Scientist, and Miscellany, p. 353).

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Que alegria pensar que o efeito da Verdade atua na consciência humana, trazendo cura e renovação! Nosso Mestre, Cristo Jesus, nos prometeu algo que de fato está se cumprindo: "E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará" (João 8:32).

Cyril Rakhmanoff, O Arauto da Ciência Cristã, edição de julho de 1998
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