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Original para a Internet

“A carne para nada aproveita”

DO Arauto da Ciência Cristã. Publicado on-line – 14 de maio de 2026


Lemos na Bíblia o relato da cura de um homem “coxo de nascença” (ver Atos 3:1–8). Todos os dias seus amigos o levavam à porta do templo judaico em Jerusalém, para pedir esmolas. Depois da ascensão de Jesus, os discípulos Pedro e João encontraram esse homem ao entrarem no templo para orar. Quando o homem lhes pediu esmola, Pedro respondeu: “…Não possuo nem prata nem ouro, mas o que tenho, isso te dou: em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, anda!” Pedro então tomou-o pela mão e o levantou. O relato continua: “de um salto se pôs em pé, passou a andar e entrou com eles no templo, saltando e louvando a Deus”.

Do ponto de vista material, pode parecer que Pedro e João tenham realizado mentalmente algum tipo de cirurgia nas pernas do homem, corrigindo o defeito de nascença e fortalecendo o homem, para que pudesse caminhar. Mas a cura foi muito mais do que isso. Se as orações dos apóstolos tivessem meramente corrigido uma deformidade física, o homem ainda teria levado meses, fazendo o que hoje chamamos de “fisioterapia”, desenvolvendo a coordenação e o equilíbrio necessários para manter-se firmemente em pé e caminhar, isso sem falar em pular sem cair. No entanto, esse homem estava caminhando e saltando como se nunca tivesse tido algum tipo de deficiência.

A plena e imediata cura do homem nega a sugestão de que a cura tenha sido realizada por um ajuste de ossos e tendões materiais. Pedro e João estavam claramente atuando a partir de uma base mais elevada do que a fisiologia. Eles estavam seguindo o exemplo do Mestre, Cristo Jesus, que ensinou que o “…espírito é o que vivifica; a carne para nada aproveita…” (João 6:63). Compreendendo a supremacia do Espírito, eles ergueram o homem coxo à plenitude de sua estatura. Esse é o mesmo método de cura que a Ciência Cristã hoje emprega.

Cristo Jesus curou todo tipo de doença e pecado, até mesmo ressuscitou mortos, rejeitando a aparência física da doença e das chamadas leis da fisiologia que alegavam governar o homem. Essas crenças “para nada aproveitam”, tanto hoje quanto naquela época. O poder vivificante que cura e eleva é o Espírito, Deus.

Jesus reconhecia aquilo que lemos em Gênesis 1, que Deus criou o homem à Sua imagem e semelhança. Deus é o Espírito, portanto, Sua imagem e semelhança tem de ser espiritual — completamente desprendida de qualquer forma de materialidade. Jesus reconhecia que Deus é o Pai do homem e, por meio de seu trabalho de cura, constantemente mostrava aos seus ouvintes que Deus, o Amor infinito, nunca desejaria que Seu filho amado estivesse sujeito à deformidade, à doença, à carência ou a algum tipo de sofrimento. Essa correta percepção a respeito do terno cuidado de Deus pelo homem curou todo tipo de erro.

Fiéis aos ensinamentos de Jesus, Pedro e João usaram o mesmo método de cura, quando encontraram o homem coxo. Eles rejeitaram a sugestão de que aquele homem fosse um organismo material que dependia de ossos, músculos e tendões para se locomover. Em vez disso, contemplaram a ideia espiritual de Deus, a qual reflete a força, a graça, a mobilidade e a liberdade concedidas por nosso Pai celestial.

Essas qualidades não estavam em falta naquele homem. Estavam apenas ocultas pelo mesmerismo da crença material, que alegava que o homem havia nascido na matéria com um corpo imperfeito. A perspectiva elevada de Pedro e João pôs fim ao mesmerismo e revelou o verdadeiro estado de saúde e vitalidade do homem. Todos, no templo, podiam agora ver o homem com uma percepção mais clara, caminhando, saltando e louvando a Deus.

E o que aconteceu aos ossos dos pés e dos tornozelos do homem? Como foi que ganharam força e “se firmaram”? Aprendemos na Ciência Cristã que a matéria é o estado subjetivo da mente mortal, ou seja, o senso errôneo de vida, substância, inteligência e identidade. A matéria, incluindo aquilo que percebemos como corpo físico, não é substância; é um conceito mental errôneo. Mary Baker Eddy, a Descobridora da Ciência Cristã, escreve em Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras: “O que é denominado matéria não manifesta outra coisa a não ser uma mentalidade material” (p. 173).

À medida que a compreensão espiritual eleva nossa mentalidade acima do senso errôneo de que a saúde e a substância sejam materiais, os erros da crença material começam a desaparecer. Talvez não percebamos instantaneamente a plena natureza espiritual de toda a realidade. Mas as mais flagrantes violações do bem de Deus, como o sofrimento, a doença e a deformidade física, desaparecem cada vez mais. O homem coxo à porta do templo ainda era visto por si mesmo e por seus amigos como um ser humano finito, mas os ossos de seus pés e tornozelos já não eram vistos como deformados e sem força.

A mentira da mente mortal havia sido convincentemente anulada. Mas, será que o fim dessa mentira, que havia enganado o homem e seus amigos durante todos aqueles anos, foi o fim de todas as mentiras da mente mortal? É claro que não. A mente mortal simplesmente mudou sua narrativa para uma mentira diferente, acrescentando um número suficiente de fatos recém-revelados para parecer plausível, embora continuasse a alegar que a saúde e a vida dependam da matéria. A antiga mentira era de que o homem havia nascido com uma deficiência incurável. A nova mentira era que as orações de Pedro e João haviam feito um ajuste na natureza física do homem, dando à matéria força para caminhar.

O argumento da mente mortal pode ser resumido desta maneira: “Eu dito as leis de saúde. Deus somente pode curar se alinhar a matéria às minhas exigências. Quando Ele faz isso, permito que o homem volte a ter uma vida saudável”. Isso é um absurdo! Deus não Se submete à mente mortal, rebaixando-Se a seguir ordens da mente mortal para estabelecer a saúde. Deus não recebe ordens de ninguém. E toda cura nos aproxima mais da compreensão de que a mente mortal não é uma entidade ou inteligência real. 

A Bíblia ensina que Deus, a Mente divina, é suprema e todo-poderosa, a única legisladora, aquela que estabelece e mantém a saúde e o bem-estar de tudo o que vive, inclusive o homem. A saúde depende do Espírito, não da matéria. Como enfaticamente afirma Ciência e Saúde: “A saúde não é um estado da matéria, mas da Mente; e os sentidos materiais não podem dar testemunho confiável no tocante à saúde” (p. 120). 

A cura na Ciência Cristã sempre ocorre no pensamento. Regozijamo-nos por uma mudança em nossa condição física, porque é a evidência de que a crença de enfermidade foi removida do pensamento, não porque a saúde e a vitalidade sejam de alguma maneira dependentes da matéria. Buscar conforto e cura na matéria reforça a crença errônea na matéria, em vez de diminuí-la.

A Sra. Eddy nos diz: “Se procuramos no corpo o prazer, achamos a dor; se a Vida, achamos a morte; se a Verdade, achamos o erro; se o Espírito, achamos seu oposto, a matéria. Agora inverte esse processo. Não olhes para o corpo, olha para a Verdade e o Amor, o Princípio de toda a felicidade, a harmonia e a imortalidade. Mantém o pensamento firme no que é duradouro, no que é bom e no que é verdadeiro e os terás na tua experiência, na proporção em que ocuparem teus pensamentos” (Ciência e Saúde, pp. 260–261).

Orar, mesmo que com grande fé e sinceridade, para consertar a matéria limita nossa capacidade de curar. Para mim, essa lição ficou bem clara, logo após comprar minha primeira casa. Em um fim de semana, enquanto eu trabalhava no subsolo da casa, pequenos pedaços de detritos — terra e lascas de madeira — me caíram nos olhos. Consegui retirar quase tudo, mas uma farpa ficou alojada em um dos olhos e não saía de jeito nenhum. Os dias se passaram e nada mudou. Minha visão estava embaçada. Piscar causava desconforto. E fechar os olhos para dormir era doloroso.

Uma semana depois, sentindo-me desanimado e exausto, entrei na igreja com o desejo sincero de ouvir a verdade. À medida que a Lição-Sermão contida no Livrete Trimestral da Ciência Cristã era lida, fui aplicando cada passagem à minha situação.

Em seguida percebi que eu estivera abordando o problema de maneira incorreta. Eu havia aceitado completamente o testemunho dos sentidos físicos, o de que a visão dependia de órgãos físicos e, no meu caso, de que um desses órgãos havia sido danificado por um objeto físico duro, pontiagudo e irremovível. Eu estivera orando a semana toda para remover aquele objeto pontiagudo, a fim de restaurar a visão.

A Lição-Sermão trouxe uma perspectiva melhor. Ela me lembrou de que o homem é espiritual, não feito de matéria, e de que a visão é um senso espiritual concedido ao homem por seu Criador. A visão é eterna, imutável, indestrutível e indolor. A matéria não pode tocá-la. Quando o culto acabou, saí da igreja completamente curado.

Se Pedro e João tivessem acreditado que a mobilidade do homem dependia de pernas materiais, eles não poderiam ter fortalecido o homem para que caminhasse. Da mesma maneira, se eu tivesse persistido na crença de que a visão depende de olhos materiais, eu não teria conseguido remover a crença intrusa que havia limitado minha visão.

Na Ciência Cristã, a cura física é um aspecto essencial de dar glória a Deus, assim como o foi para Jesus e seus discípulos. Essa cura é realizada pela rejeição das chamadas leis da natureza física e da matéria, não pela obediência a elas. Temos a capacidade de fazer isso, graças à compreensão como a de Cristo: de que nossa origem e natureza são espirituais. Buscar a cura na matéria menospreza a Deus, limita o alcance e a rapidez da cura e estabelece uma base instável para curas futuras e o crescimento espiritual. Nosso amoroso Pai-Mãe Deus está sempre presente para elevar nosso pensamento acima do pântano das crenças materiais, para a compreensão de nossa perfeição espiritual — um estado de consciência no qual “a carne para nada aproveita”.

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