Skip to main content Skip to search Skip to header Skip to footer
Original para a Internet

Reconhecer o governo de Deus

DO Arauto da Ciência Cristã. Publicado on-line – 1º de junho de 2026


“Teu, Senhor, é o poder, a grandeza, a honra, a vitória e a majestade; porque teu é tudo quanto há nos céus e na terra; teu, Senhor, é o reino, e tu te exaltaste por chefe sobre todos. Riquezas e glória vêm de ti, tu dominas sobre tudo, na tua mão há força e poder; contigo está o engrandecer e a tudo dar força” (1 Crônicas 29:11, 12). Essa foi a oração do rei Davi ao transferir o poder para seu filho Salomão, declarando um padrão elevado para o governo de uma nação. Essa oração estabeleceu o reinado de Salomão sobre a lei de Deus, o Princípio divino, não sobre a riqueza, os privilégios e o status que ele herdaria.

Como podemos orar com mais eficácia para reconhecer o governo de Deus onde quer que estejamos?

Cristo Jesus ensinou, por meio da Oração do Senhor, que o reino de Deus está na terra como no céu. Ter o verdadeiro conceito a respeito de Deus e de como adorá-Lo é fundamental para vermos o governo de Deus mais amplamente manifestado; portanto, é essencial que nossa compreensão de Deus seja espiritualizada e fortalecida, e que nossas orações sejam puras e coerentes. As palavras de Isaías: “Porque o Senhor é o nosso juiz, o Senhor é o nosso legislador, o Senhor é o nosso Rei; ele nos salvará” (33:22) apontam para a supremacia e a orientação de Deus nas esferas judiciais, legislativas e executivas de todos os governos, sem referência a partidos ou pessoalidades.

A palavra lei se origina de um termo que significa “aquilo que está determinado”. No primeiro capítulo do Gênesis lemos repetidas vezes: “E disse Deus… e assim se fez”. Por isso, todo o universo, que inclui o homem, é, por ordem de Deus, a expressão da Mente divina única, que não tem substituto, nem sócio.

No final do século XIX, a Descobridora da Ciência Cristã, Mary Baker Eddy, afirmou: “Na gênese espiritual da criação, toda a lei pertencia ao Legislador, que era uma lei para Si mesmo. …

“Quando o Legislador era a única lei da criação, a liberdade reinava e era a herança do homem; mas essa liberdade era o poder moral do bem, não do mal; era a Ciência divina, na qual Deus é supremo e é a única lei do existir” (Escritos Diversos 1883–1896, pp. 258, 259).

Para ver esse tipo de governo se manifestar de modo mais constante em nossa vida, é necessária grande humildade e uma compreensão mais profunda de que a lei de Deus governa a todos, sem distinção de grupos. Na verdade, é importante aprofundar e fortalecer nossa lealdade acima de tudo a Deus e Seu governo. Isso purifica nossas orações em prol daqueles que estão no governo, para que tomem decisões adequadas. E, se trabalhamos no governo, seja ou não em cargos eletivos, nossa oração pura nos leva a descobrir soluções corretas para o bem comum, e a expressar mais daquela sabedoria que Salomão pediu a Deus, para decidir nas questões de estado.

É importante saber que, quando perguntaram à Sra. Eddy: “Qual é a sua orientação política?”, ela respondeu: “Na realidade, não tenho nenhuma, a não ser ajudar a apoiar um governo justo; amar a Deus acima de tudo, e meu próximo como a mim mesma” (A Primeira Igreja de Cristo, Cientista, e Outros Textos, p. 276).

Por isso, de que maneira pode nossa oração por “um governo justo” ser o mais eficaz possível? Onde quer que estejamos, nem sempre vemos à nossa volta um padrão habitualmente elevado de governo. No entanto, podemos aprender a reconhecer os motivos e as intenções, e aprender a nos identificarmos corretamente e a nos libertarmos das amarras da crença de que o hipnotismo, o mesmerismo coletivo, a intimidação, as ideologias conflitantes, o desânimo, a confusão ou mesmo a IA (a inteligência artificial) tenham o poder de influenciar nossa atmosfera mental e transformar qualquer país em um campo de batalha.

A oração que se apoia em teorias humanas contraditórias não alcança a elevação espiritual do versículo de Isaías citado acima, no qual não há nenhum indício de partidarismo. É importante que nossa oração esteja fundamentada em fatos espirituais, tendo a Deus como ponto de partida, e não em pontos de vista humanos ou em evidências fornecidas pelos sentidos materiais.

 

Por exemplo, entre os escritos de nossa Líder coletados em A Primeira Igreja de Cristo, Cientista, e Outros Textos, o artigo “O poder da oração” explica por que, apesar de grande parte do país ter orado, o presidente McKinley, dos Estados Unidos, não sobreviveu a um atentado. A Sra. Eddy faz uma distinção entre orações humanas sinceras que, involuntariamente se anulam mutuamente, e a compreensão científica do poder da Verdade absoluta, a lei inquestionável de Deus, que cura. Ela escreveu: “Saber que todas as coisas são possíveis para Deus não deixa lugar à dúvida, mas os conceitos humanos divergentes quanto ao divino poder e propósito da Mente infinita, e o chamado poder da matéria, agem como se supõe que as diferentes propriedades das drogas devam agir — umas contra as outras — e esse composto de matéria e mente se neutraliza a si mesmo” (p. 293).

A oração que brota de emoções humanas conflitantes, inclusive a dúvida e o medo, e que provém de uma percepção material das coisas, jamais poderá alcançar a altitude da convicção sólida de que Deus é o único poder.

A oração que é sempre eficaz é aquela que eleva nosso pensamento acima das aspirações humanas e reconhece o poder do infinito Princípio divino, o Amor, para dissolver o ódio, a ganância, a ambição pessoal ou qualquer crença em uma influência ou força que não seja o grande Eu Sou, em quem está todo o existir. Nenhum porta-voz do erro e do ódio, em nenhuma parte do mundo, por mais arrogante que seja, tem poder no reino de Deus. Pensamentos malignos ou ímpios realmente não pertencem a ninguém e não podem ter poder, porque a Mente divina infinita, Deus, é a inteligência e a fonte de todo modo de pensar correto, e o homem real, o homem espiritual, é a expressão de Deus.

Décadas atrás, quando eu estudava na Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos, a organização universitária da Ciência Cristã, da qual eu fazia parte naquela universidade, se dedicou a orar ativamente sobre questões mundiais. Durante o conflito do Vietnã, a universidade era com frequência palco de protestos contra a guerra. O prédio onde nos reuníamos era parcialmente residencial, mas abrigava também a sala de reuniões e de estudo da Ciência Cristã, e ficava a meio quarteirão do campus principal, em frente a um dos prédios que era alvo dos manifestantes. Quando surgiam ameaças de confronto entre os estudantes e a polícia, nós nos reuníamos para orar, presencialmente ou nos comunicávamos por meio de uma rede telefônica, às vezes deixando de lado as aulas para isso.

Em uma dessas ocasiões, o ambiente na universidade estava tenso devido ao retorno de recrutadores de uma empresa que produzia o napalm usado no Vietnã. No ano anterior, a visita desses recrutadores havia provocado protestos muito violentos, e agora sentíamos à nossa volta o ar tenso do medo.

Alguns dias antes da visita dos recrutadores, e sabendo que manifestantes estariam reunidos no campus naquela noite, para discutir uma proposta de ocupação do prédio do outro lado da rua, permanecemos juntos por aproximadamente uma hora após a reunião semanal de testemunhos de nossa organização. Compartilhamos ideias espirituais até nos sentirmos em paz, compreendendo melhor o poder do governo de Deus.

No dia seguinte, um jornal da cidade noticiou: “Cerca de 1300 pessoas reunidas no Union Theater rejeitaram a convocação radical de ocupação de um prédio da Universidade, por uma margem aproximada de 4 a 1” (The Capital Times, 6 de novembro de 1968).

O editorial de um jornal local comentou, alguns dias depois: “O protesto de 8 de novembro de 1968 será lembrado por sua natureza pacífica, porém determinada…

“Foi completamente diferente do malfadado protesto de 18 de outubro de 1967, contra a Dow [Chemical Co.]… 

“Não é fácil apontar as razões pelas quais este protesto não foi violento. Não há dúvida de que os estudantes que lideraram a marcha e carregaram os cartazes tiveram uma atitude mental diferente” (Wisconsin State Journal, 11 de novembro de 1968).

A oração coletiva que genuinamente reconhece o poder de Deus tem um efeito harmonizador. Na ocasião, nosso grupo reconheceu em oração o poder da presença de Deus e negou que na Verdade pudesse haver lados conflitantes onde um lado prevalece sobre o outro. O poder dessa presença espiritual de Deus envolve toda a criação, que inclui o homem.

Essa experiência comprovou para mim que nunca precisamos aceitar a sugestão de que sejamos impotentes em situações adversas. A oração científica — ou seja, a oração que tem por base a presença toda-abrangente do poder divino, e não a crença no poder da matéria ou do pensamento materialista — é eficaz. Jesus declarou com plena convicção: “…para Deus tudo é possível” (Mateus 19:26).

Outros exemplos concretos de realização daquilo que parecia impossível de ser realizado, nos quais a oração consagrada fez a diferença, são os edifícios da igreja, na sede da Ciência Cristã em Boston. Em 1906, pouco mais de uma década após a igreja original ter sido construída com êxito, no prazo previsto, um dos primeiros Cientistas Cristãos, James Rome, fez uma “vigília” em oração, em apoio à construção da enorme extensão dA Igreja Mãe. Posteriormente, ele escreveu: “…as lições que aprendi sobre o poder que a Mente divina tem para remover os empecilhos humanos foram muito valiosas”. Também escreveu: “Uma característica do trabalho me chamou a atenção. Percebi que, assim que os trabalhadores começaram a admitir que o trabalho podia ser feito, tudo foi acontecendo como que por magia; a mente humana estava dando consentimento” (A Primeira Igreja de Cristo, Cientista, e Outros Textos, p. 61).

A harmonia e a coerência da criação de Deus, estabelecidas no primeiro capítulo do Gênesis, é um fato espiritual. E o homem, como expressão daquilo que Deus é, tem de expressar propósito, percepção, pensamento e ação corretos, por ordem da lei divina. Toda a animosidade, o instinto animal, o desejo de controle ou a crença em “nós contra eles” por parte de quem quer que seja, em qualquer lugar, são tragados pelo imenso cálculo da presença de Deus, o Princípio divino, o Amor, e aquilo que Ele ordenou. É inevitável: a influência divina do Cristo, que proclama a mensagem divina do bem para a humanidade, continuará a elevar a consciência humana para que usufrua das demonstrações justas e compassivas do governo de Deus. 

O reino dos céus não está distante. Como disse Jesus: “…o reino de Deus está dentro de vós” (Lucas 17:21). Já está presente na consciência espiritualizada. Está em nosso coração, aqui e agora. À medida que aumenta nossa compreensão de que vivemos, nos movemos e existimos no Espírito, no reino do Amor divino, temos mais evidências desse reino aqui e agora, pois é o “…reino da harmonia na Ciência divina; o âmbito da Mente onipotente, infalível e eterna; a atmosfera do Espírito, onde a Alma é suprema” (Mary Baker Eddy, Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, p. 590).

É reconfortante a afirmação de Mary Baker Eddy: “É seguro deixar a Deus o governo do homem” (Retrospecção e Introspecção, p. 90). Essa declaração aponta para a confiança plena, irrestrita, de que Deus com Seu Cristo e Confortador verdadeiramente governam. Nosso papel primordial, seja como cidadãos comuns, seja ocupando cargos no governo, é obter uma compreensão profunda de Deus e de Sua onipotência, onisciência e onipresença, e reconhecer de modo puro e firme que é só isso que realmente reina. A Bíblia promete que, na medida em que aderirmos em pensamento a esse reino divino, nós e os outros veremos mais evidências desse reino em nossa vida.

Para conhecer mais conteúdo como este, convidamos você a se inscrever para receber as notificações semanais do Arauto. Você receberá artigos, gravações em áudio e anúncios diretamente via WhatsApp ou e-mail.

Inscreva-se

More web articles

A missão dO Arauto da Ciência Cristã 

“...anunciar a atividade e disponibilidade universal da Verdade...”

                                                                                        Mary Baker Eddy

Conheça melhor o Arauto e sua missão.