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Original para a Internet

A oração que cura a polarização

DO Arauto da Ciência Cristã. Publicado on-line – 2 de julho de 2026


Falar de política costumava ser considerado um tabu, inadequado em ambientes sociais. No entanto, hoje em dia falamos abertamente — e em alta voz — sobre nossas convicções políticas, enquanto as tensões continuam a aumentar nos Estados Unidos e no mundo todo. Perguntar: “Qual é a sua orientação política?” já não gera um ativo debate cívico saudável. Pelo contrário, o partidarismo acirrado surgiu como uma forma de tribalismo, do tipo “nós contra eles”.

Mary Baker Eddy, a Descobridora da Ciência Cristã, deu uma resposta radicalmente diferente: “Muitos me perguntam: ‘Qual é a sua orientação política?’ Na realidade, não tenho nenhuma, a não ser ajudar a apoiar um governo justo; amar a Deus acima de tudo, e meu próximo como a mim mesma” (A Primeira Igreja de Cristo, Cientista, e Outros Textos, p. 276). Como alguém que sempre teve interesse pela política, eu tenho pensado muito a respeito de suas palavras.

Amar como Jesus amou é o que cura a hostilidade partidária profundamente enraizada.

Será que a Sra. Eddy estava sendo ingênua ou justificando a apatia no que tange às questões políticas? Não. Cidadã dos Estados Unidos no século XIX, a Sra. Eddy foi contra a escravidão, apoiou o movimento em prol da temperança, e seus escritos incluem orações sobre diversos acontecimentos mundiais, tais como as guerras e o falecimento de líderes nacionais e mundiais. Ela bem conhecia o mal e a polarização que a política pode provocar na sociedade: o período pós-Guerra Civil não foi uma época de harmonia e consenso naquele país.

Não creio que a Sra. Eddy estivesse sugerindo que não nos envolvêssemos nas questões sociais e cívicas, mas sim, estava promovendo uma maneira fundamentalmente diferente de nos orientarmos e nos identificarmos como cidadãos que também são pensadores espirituais. Sua resposta inspira um engajamento guiado não por filiação ou instituições partidárias, mas impelido por Deus, o Princípio divino. No cerne do verdadeiro governo estão qualidades e ideais espirituais — tais como o servir, a isenção de ego, a compaixão, a igualdade, a justiça e a segurança — que se sobrepõem às discussões políticas e transcendem as divergências sobre o assunto. Essas qualidades e ideais espirituais são atributos universais do Princípio e fazem parte da natureza de cada um de nós, que somos todos criados por Deus.

Para mim, não ter orientação política significa recusar-me a considerar que os outros cidadãos, independentemente de opinião partidária, estejam separados dessas qualidades e ideais dados por Deus, ou estejam em oposição a eles. Essa postura tem suas raízes nos ensinamentos de Jesus. Quando Jesus enfatizou a importância do mandamento “amarás o teu próximo como a ti mesmo”, um intérprete da lei perguntou-lhe: “Quem é o meu próximo?” (ver Lucas 10:26–37). Imagino que esse intérprete da lei estivesse considerando justa certa ressalva a esse respeito: “Certamente há algumas pessoas que não merecem o meu amor”.

Admito que já me senti assim, em algumas ocasiões. Contudo, no que veio a seguir, a parábola do bom samaritano, Jesus repreendeu a presunção de uma retidão pessoal, a justificação do ego e a hostilidade. Não podemos ser como aqueles personagens no relato, tão presos às suas doutrinas, que insensivelmente passaram ao largo de um homem necessitado. Em vez disso, devemos inspirar nossas ações nas do samaritano — a pessoa que provavelmente teria sido excluída pelo intérprete da lei — e acolher a todos com amor, compaixão e cuidado.

Sinceramente, ao ler as notícias todos os dias, fico tentada a duvidar da relevância dos ensinamentos de Jesus e da Sra. Eddy a esse respeito. Será que realmente podem ser colocados em prática, hoje em dia? Será que é mesmo razoável amar nosso próximo, todos eles, o tempo todo? Então tive uma experiência que claramente respondeu a essa pergunta: não só é possível, como é necessário. De fato, amar como Jesus ensinou é o que cura a enraizada hostilidade do partidarismo, a qual clama por nossa atenção.

Mantenho meu cavalo aposentado em uma fazenda a dez minutos de minha casa. No ano passado, fiquei sabendo que as autoridades municipais haviam votado a favor de deixar de fazer a manutenção da estrada onde fica o estábulo. As consequências seriam enormes: os fazendeiros perderiam uma parte significativa do valor de suas propriedades, já que a estrada se tornaria intransitável tanto para o público quanto para os serviços de emergência. Essa votação ocorrera sem que os proprietários tivessem sido notificados. O clima de pânico era palpável entre os vizinhos, e uma forte oposição estava sendo organizada para a reunião municipal da noite seguinte.

No transcorrer do dia, fui ficando cada vez mais indignada com a situação, principalmente com os motivos possivelmente questionáveis do prefeito e dos vereadores. Na manhã seguinte, durante minhas orações, esses pensamentos voltaram com força. No entanto, eu os interrompi imediatamente. “Espere um pouco”, pensei. “Eu conheço o bem e a graça de Deus — conheço a honestidade e a integridade do homem à imagem e semelhança de Deus. O que estou fazendo?” Para mim, essa foi a influência do Cristo, a verdadeira ideia de Deus, o Amor divino, que fala a cada um de nós de maneiras que podemos compreender (ver a principal obra da Sra. Eddy, Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, p. 332 ).

Em vez de permitir que eu fosse arrastada pelas correntezas do desânimo, divisão e animosidade, fiquei firme com o Princípio divino. Levei em consideração os possíveis motivos que haviam levado as autoridades municipais a entrar no serviço público, tais como o amor pela comunidade. Também raciocinei que o bem de Deus não era uma porção limitada que seria dividida, fazendo com que inevitavelmente faltasse o necessário para alguns. Deus é o bem infinito, portanto ninguém pode ser privado do bem, do progresso ou da segurança.

Decidi participar da reunião como testemunha do governo universal de Deus, e confiar em que só poderiam prevalecer as decisões que refletissem a integridade do Princípio. Como Gamaliel na Bíblia, eu podia confiar em que: “…se este conselho ou esta obra vem de homens, perecerá; mas, se é de Deus, não podereis destruí-los…” (Atos 5:38, 39).

Muitas pessoas compareceram à reunião, mas poucos tiveram a oportunidade de falar, o que não inspirou muita confiança. Contudo, permaneci firme em oração, afirmando que estávamos todos unidos em nosso amor pela comunidade e que as ideias boas e corretas não poderiam se opor umas às outras. Mais tarde, naquela noite, senti-me impelida a enviar um e-mail para o prefeito e os vereadores, para lhes falar de meu apreço por eles, e para que soubessem o quanto eu valorizava aquela região e suas propriedades.

Compreendi quão facilmente eu fora levada, sem perceber, a seguir e repetir a divisiva perspectiva dos outros.

Fui dormir com um senso de paz e acordei pela manhã com vários e-mails em resposta, inclusive do prefeito. Ele me assegurou que estavam reconsiderando a decisão e que estava confiante em que haveria uma mudança de rumo. Na reunião seguinte, a decisão de abandonar a estrada foi revogada por unanimidade, algo que eu ouvira dizer seria impossível, devido à posição de alguns vereadores. Além disso, o prefeito publicamente admitiu que estivera errado e humildemente pediu desculpas.

É obvio que fiquei muito grata pela revogação de uma decisão injusta. Contudo, o mais significativo para mim foi a lição que aprendi sobre política. Essa experiência me fez ver que qualquer situação aparentemente insolúvel é de fato uma percepção errônea e mesmérica das coisas. Percebi com que facilidade eu havia inconscientemente aderido a uma perspectiva que colocava os meus semelhantes em lados opostos. E vi com que rapidez e eficácia o Princípio divino, o Amor, me despertou para que eu percebesse o que realmente estava espiritualmente acontecendo.

Continuo pensando sobre acontecimentos nacionais e internacionais, mas agora minhas orações encontraram um novo ponto de apoio. Estou cada vez mais confiante em que, no que diz respeito à orientação política, eu posso, de fato, “não ter nenhuma”, posso me recusar a aceitar a noção de que um cidadão do mundo seja, por natureza, capaz de nutrir ódio contra mim ou contra qualquer outra pessoa, devido a diferenças de pontos de vista, origem, raça etc. Minha esperança se renovou na certeza de que, quando nos mantemos firmes em oração, podemos curar a forte divisão política e quaisquer questões que alimentem essa divisão — mesmo as questões consideradas impossíveis de serem resolvidas.

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