Universo — um conceito intrigante, grandioso, de fato, um espaço vasto, repleto de estrelas, supostamente em estado de expansão, sem idade e sem origem, apesar dos incontáveis esforços para determinar sua idade e seu início. No entanto, acima da ciência materialista, a Ciência do Cristo, a Verdade, graças à razão e à revelação, nos traz o verdadeiro entendimento sobre o universo.
Nas revelações da Ciência Cristã, fundamentadas nas palavras e obras de Cristo Jesus, tudo o que é real é considerado manifestação da Mente infinita, Deus. O termo em si, universo, deriva de uma palavra que, em latim, significa “o que se tornou um” ou “tudo em um”. No livro-texto da Ciência Cristã, Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, Mary Baker Eddy escreve, fazendo analogia com o sistema solar: “…a Ciência revela que a Alma é Deus, jamais tocada pelo pecado e pela morte — revela que a Alma é a Vida e a inteligência central em torno da qual giram de modo harmonioso todas as coisas nos sistemas da Mente” (p. 310).
Há alguns anos, depois de ter lido, aceitado e acreditado nessa declaração, fiquei surpreso quando, durante o Curso Primário da Ciência Cristã, nossa professora nos olhou nos olhos e perguntou quem pensávamos ser, realmente — uma partícula em um universo imenso? Dei por mim meneando a cabeça, quase de modo automático, em total concordância, tanto no meu íntimo quanto exteriormente (embora um tanto inseguro!).
Foi nesse ponto que ela começou a nos mostrar que, pensando assim, estaríamos vendo tudo de cabeça para baixo ou de trás para frente, como se olhássemos por um telescópio pela extremidade oposta. Em vez disso, esclareceu ela, por sermos a imagem e reflexo de Deus, por sermos “…a plena manifestação da Mente” (Ciência e Saúde, p. 591), temos o universo dentro de nós. A profundidade surpreendente dessa nova perspectiva me impressionou fortemente, e nunca me deixou. Tão simples, e ainda assim tão transformadora — a simplicidade do Cristo.
De fato, esse ensinamento remonta a Cristo Jesus, que disse: “…o reino de Deus está dentro de vós” (Lucas 17:21). Ao longo de sua carreira, Jesus viria a demonstrar que o bem celestial, nosso verdadeiro reino de paz, saúde e santidade, está dentro de nós. Deus é o Espírito, e o universo real, Seu consciente reino de ideias, que inclui o homem, tem necessariamente de ser espiritual. Deus e Sua criação preenchem todo espaço, sem deixar lugar para o assim chamado universo material. Contudo, nós parecemos interagir com tal universo. Então, onde está esse aparente universo material? Está dentro do senso material a respeito de nós mesmos.
Captar esse fato — de que aquilo que aparece como o mundo físico “lá fora” é na realidade um falso conceito na consciência — confere domínio. À medida que substituímos esse falso conceito pelos ensinamentos da Ciência Cristã, vemos desvanecer-se o senso de sermos uma “partícula” desafortunada e indefesa, em um meio hostil, frio e desconhecido. Começamos a descobrir que nossa verdadeira identidade, e o universo, são totalmente espirituais, envoltos no abraço eterno do Espírito infinito, o Amor divino, o Princípio, onde nenhum mal está à espreita, onde não há chance alguma de colisão cósmica, onde nenhuma desarmonia existe.
A grandiosidade inefável do Amor — puro, benéfico, inteligente — proporciona o bem em tudo e a todas as coisas. Todas as aparentes ameaças ao nosso bem-estar — contágio, conflito, acidente, perda, até a mortalidade em si — podem ser vencidas por compreendermos a Verdade e por abrirmos espaço a ela em nosso pensamento. “Se vivemos no Espírito…”, aconselha Paulo, “…andemos também no Espírito” ou seja, na consciência totalmente boa e pacífica da Vida (Gálatas 5:25).
Repetindo, visto que o universo físico não é uma realidade objetiva, mas sim subjetiva no pensamento, ele é algo sobre o qual temos domínio. “A mente humana…”, nos lembra Ciência e Saúde, “…há de se elevar acima de todo o senso material e físico, substituindo-o pela percepção espiritual, e substituindo os conceitos humanos pela consciência divina” (p. 531).
Naturalmente, o domínio é de Deus, mas, por sermos Sua ideia espiritual, cada um de nós reflete a mesma autoridade, pela expectativa de que tudo tem de permanecer como o bem imortal. Essa continuidade é eternamente assegurada pela lei imutável do Amor.
Essa lei revela que a aparente desarmonia, de qualquer tipo, é uma crença mortal enganadora. Por não pertencer ao reino de Deus que está dentro de nós, tal crença pode ser corrigida pela compreensão da ideia correta que a crença parece esconder. Olhar através de um telescópio pelo lado errado minimiza e distorce a visão; uma visão correta se faz necessária. Quando Jesus estava em um barco, em meio a uma tempestade súbita, sua correta visão subjetiva revelou a sempre presente harmonia e paz da Alma, impedindo assim a crença em um resultado trágico. A desarmonia, qualquer que seja o disfarce, tem de ceder lugar à manifestação do domínio espiritualmente científico.
Há dois anos, eu me mudei para uma casa com um quintal agradável, onde há árvores e arbustos de diversos tamanhos. Durante a primeira primavera que passei lá, um arbusto e uma árvore, cujo tronco tinha no mínimo 50 centímetros de diâmetro, pareciam estar morrendo. Não havia neles brotos nem qualquer outro sinal de vida. Aliás, a árvore, apesar de seus galhos enormes, estava coberta pelo que parecia uma pelugem preta. Um profissional do ramo me disse que ela deveria ser cortada.
A lembrança de inúmeras curas que eu tivera, ao aplicar a Ciência Cristã, aflorou dentro de mim para que eu resistisse ao quadro que se apresentava. Quase diariamente, por cerca de um mês depois disso, eu orei para ver aquelas plantas como viçosas expressões do que é espiritualmente verdadeiro — saudáveis e vivas, não vítimas de uma praga material.
Bem, em ambas as plantas cresceram lindas folhagens. A cortiça da árvore se normalizou, e sua sombra abundante suavizou o calor do verão. Talvez essa árvore fosse de uma espécie de floração tardia, pois estava bem atrasada em relação à maioria das outras do quintal. Mesmo assim, a recusa em aceitar a visão sombria de uma árvore doente evitou sua destruição desnecessária. Esta afirmação de Ciência e Saúde embasa a minha visão a respeito desse evento: “O astrônomo já não olhará para as estrelas — delas olhará para o universo; e o floricultor obterá a flor antes da semente.
“Assim se provará, finalmente, que a matéria nada mais é do que uma crença mortal, de todo incapaz de afetar o homem por meio de sua suposta ação orgânica ou suposta existência” (pp. 125–126).
Nosso domínio, por sermos o reflexo de Deus, nos capacita a destruir todo erro. O erro é falta, seja de nutrição, saúde, segurança, justiça, paz ou amor. É desarmonia de qualquer tipo e está na raiz do conflito entre os povos. Tal insuficiência só pode ser vivenciada no falso conceito de um universo limitado e material — uma visão invertida da realidade espiritual. No entanto, o Cristo, a própria manifestação do Pai, está sempre presente e ativo na consciência humana para satisfazer “os anseios imortais” por intermédio de um senso consciente do universo espiritual, o reino de Deus, que está em nós (ver Mary Baker Eddy, A Primeira Igreja de Cristo, Cientista, e Outros Textos, p. 189).
Sempre que estivermos orando pela humanidade em geral, é eficaz lembrarmos que só o universo real da Alma é o que existe no pensamento verdadeiro do homem — e esse reino mental divino é soberano e verdadeiro. Não está escondido nem distante, mas é acessível, luminoso e irrefutável, “…trazendo cura nas suas asas…” (Mary Baker Eddy, Mensagem À Igreja Mãe para 1902, p. 9). Esse ponto de vista amplo, inerente ao reino dos mil anos, é o que o momento atual exige.
