Será que nosso suprimento vem de fontes limitadas, como salário, investimentos financeiros, renda familiar ou bens materiais? Ou existe uma fonte infinita de suprimento, que jamais se esgota e nunca gera insegurança quanto ao presente e ao futuro? Nos últimos anos, passei por algumas experiências que me revelaram, de maneira prática, a resposta a essas perguntas.
Uma delas aconteceu há alguns anos. Eu tinha a necessidade de algo, mas não via como conseguiria atendê-la, então decidi orar. À medida que orava, comecei a melhor compreender que tudo o que existe é pensamento. Até mesmo objetos físicos são formas de pensamento que representam qualidades manifestadas em nossa vida de maneira infinita, abundante e harmoniosa, pois somos governados e cuidados por Deus.
Ao aplicar os ensinamentos da Ciência Cristã a esse problema, constatei que eu precisava começar reconhecendo que aquela necessidade já estava suprida, conforme esta afirmação de Mary Baker Eddy no livro-texto da Ciência Cristã, Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras: “A Ciência revela a possibilidade de se alcançar todo o bem, e põe os mortais a trabalhar para descobrir o que Deus já fez…” (p. 260).
Para ser específica, eu precisava de sapatos novos para ir ao trabalho, porém não tinha dinheiro para comprá-los. Alguns dias depois de orar sobre isso, enquanto guardava alguns pertences, encontrei no fundo do armário um par de sapatos que eu ganhara alguns meses antes e do qual tinha me esquecido por completo. Era exatamente o que eu precisava; minha necessidade já havia sido atendida — apenas precisei perceber o que Deus “já tinha feito”.
Essa experiência foi meu primeiro vislumbre do fato de que o suprimento divino vai muito além daquilo que a percepção humana entende. Compreendi que o suprimento vem de uma única fonte, nosso Pai-Mãe Deus, o Amor divino. Por sermos ideias divinas, nós O refletimos, e tudo aquilo que atende às nossas necessidades já nos pertence. Também percebi que é importante avaliar nossos pensamentos e entender o que estamos buscando: objetos físicos ou a compreensão de que a harmonia e o cuidado do Pai estão sempre presentes em nossa vida?
Na multiplicação dos pães e peixes, Cristo Jesus não quis, por compaixão, dispensar a multidão sem antes alimentá-la. Ele sabia que em Deus só pode haver harmonia e plenitude. Desarmonias como a escassez e a fome não têm origem em Deus, o bem. Embora os discípulos tivessem dito que seria impossível alimentar aquela multidão com tão poucos pães e peixes, lemos na Bíblia que Jesus “…tomou os sete pães e os peixes, e, dando graças, partiu, e deu aos discípulos, e estes, ao povo”. Ao dar graças, Jesus mostrou sua confiança na presença do Amor divino com seu cuidado abundante, o que por sua vez permitiu-lhe demonstrar que a fonte divina e infinita de suprimento está disponível a todos. De fato, mais de quatro mil pessoas foram alimentadas e, do que sobrou, foram recolhidos sete cestos cheios (ver Mateus 15:32–38).
Orar com essas ideias foi muito útil para mim em outra ocasião, dois anos atrás, quando apareceu um vazamento na parede do meu quarto. Chamei um pedreiro que abriu a parede e trocou o pedaço de cano que estava rachado, mas me alertou que toda a tubulação era antiga e já apresentava vários sinais de desgaste.
Naquela ocasião, somente aquele pedaço específico do cano foi trocado, pois me pareceu inviável arcar com qualquer gasto extra. No entanto, cerca de seis meses depois, surgiu outro vazamento na mesma parede, um pouco mais para o lado. Eu disse ao pedreiro: “Deus nos deu sabedoria para que a usássemos, e quebrar a parede a cada poucos meses, para trocar apenas um pedaço de cano, não é sábio”. Ele então começou a substituir todo o encanamento de água quente do banheiro, a fim de prevenir possíveis vazamentos no meu quarto.
Essa foi outra oportunidade para ver o que Deus já tinha feito. Como lemos em Ciência e Saúde: “Iremos nós pedir ao Princípio divino de todo o bem que faça Seu próprio trabalho? Seu trabalho está feito e só precisamos utilizar a regra de Deus a fim de receber a Sua bênção, o que nos permite trabalhar pela nossa própria salvação” (p. 3). A regra, ou lei, de Deus é que todo o suprimento, recursos e sabedoria de que necessitamos já estão — e sempre estarão — disponíveis. Eu só precisava compreender e aceitar essa verdade espiritual para receber Suas bênçãos, ou seja, nesse caso, constatar a solução harmoniosa para o problema do momento.
Naquela mesma semana, uma pessoa me pediu que eu desse aulas particulares de inglês para sua filha, durante algumas semanas. Aceitei e fiquei muito alegre, pois a quantia que receberia pelas aulas era exatamente o necessário para pagar a troca do encanamento do banheiro. Fiquei verdadeiramente grata por constatar o desdobramento do suprimento do Amor. Tudo estava se resolvendo de modo econômico e sábio, embora de maneira inesperada.
Alguns dias após o início dos trabalhos, descobriu-se que o encanamento de água quente da casa inteira estava em más condições e precisava ser trocado. Isso implicaria um aumento considerável no custo da obra. Confesso que, naquele momento, fiquei novamente apreensiva, achando que talvez eu não tivesse como arcar com as despesas. Por outro lado, já estava começando a compreender melhor que Deus, não eu, é a fonte do meu suprimento. Essa compreensão me trouxe alívio e confiança, e consegui realizar todos os pagamentos necessários.
Lemos na Bíblia estas palavras de Paulo: “Deus pode fazer-vos abundar em toda graça, a fim de que, tendo sempre, em tudo, ampla suficiência, superabundeis em toda boa obra…” (2 Coríntios 9:8). Deus é completo. Por sermos Sua expressão, somos inteiros, completos. A escassez não faz parte de nossa vida, pois a Vida é Deus. Aceitar a limitação e a carência significa que não estamos vendo a nós mesmos como a expressão da plenitude de Deus.
Tendo como base essa compreensão espiritual, autorizei a troca de todo o sistema hidráulico da casa e comecei a pesquisar projetos mais viáveis, belos, econômicos e funcionais. Poucos dias depois, a mãe da minha aluna de inglês pediu-me que aumentasse a quantidade de aulas por semana e por mais tempo. Além disso, algumas semanas depois, um parente ofereceu pagar metade da obra. Essa não era uma atitude comum por parte dele. Agradeci-lhe a generosidade, reconhecendo que sua atitude era uma evidência de todo o suprimento dado por Deus, o qual flui continuamente da lei do suprimento divino, e não algo pessoal. O Amor divino está sempre sendo refletido em amor, de maneira impessoal, justa e constante.
Diante das situações que surgiram durante os meses da reforma, eu sabia que era importante não aceitar nenhuma sugestão de falta de sabedoria, honestidade, recursos, harmonia ou beleza. Busquei honrar a Deus, reconhecendo que essas qualidades podem e devem estar presentes em nossa vida a todo momento. Em minha experiência, isso se revelou não somente pelo fato de que o encanamento de toda a casa foi trocado, mas também porque trocamos os armários dos banheiros, os quais estavam lascados e danificados pelos vazamentos, porque eu havia aceitado a crença errônea de que não tinha recursos suficientes para substitui-los. Além disso, o banheiro de meus filhos, o qual era considerado a parte mais estranha da casa, também foi reformado e hoje é elogiado por todos. Deus é o bem, e a solução, ao confiar em que Sua obra já está feita, não pode ser outra a não ser harmoniosa e boa, muito melhor do que o imaginado.
Meus filhos e eu somos muito gratos pela reforma de nossa casa, mas somos ainda mais gratos por perceber o bem e a constância do Amor em nossa vida. Tenho a certeza de que essa foi mais do que uma bênção pessoal para nossa família, pois foi o resultado da lei do Amor, a qual está sempre em ação para todos os filhos de Deus.
