Recentemente, logo após um trágico ataque terrorista nos Estados Unidos, uma autoridade local convocou uma coletiva de imprensa. Fiquei impressionado com a primeira frase que ele disse: “Não se enganem: o mal é real”.
Como eu tenho uma longa carreira na área de segurança pública, certamente entendi o que ele estava sentindo. Quando presenciamos ou ouvimos falar de algum crime hediondo, talvez nos sintamos dominados pelo senso de que o mal seja real mesmo. Ficamos nos perguntando se há algo que possamos fazer, individual ou coletivamente, para impedir que tais eventos voltem a acontecer, e assim contribuir para uma sociedade mais segura e mais pacífica.
Sempre que essas questões me vêm ao pensamento, eu me sinto sempre encorajado pelo que Mary Baker Eddy, a Descobridora da Ciência Cristã, escreveu a respeito desse assunto: “…aqueles que discernem a Ciência Cristã porão freio ao crime. Eles ajudarão a expulsar o erro. Manterão a lei e a ordem, e aguardarão com alegria a certeza da perfeição suprema” (Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, p. 97). As afirmações “ajudarão” e “manterão”, na mensagem acima, não deixam dúvidas de que é possível controlar, e até mesmo evitar o crime e a violência, e a Ciência Cristã ensina que isso começa em nosso próprio pensamento — quando compreendemos melhor que Deus é Tudo, tem todo o poder, e que o mal não tem poder nenhum.
Muitas vezes penso em como Cristo Jesus lidava com o mal. Quando as pessoas na sinagoga de sua cidade ficaram furiosas com o que ele estava dizendo, elas o expulsaram da cidade, pretendendo jogá-lo de um penhasco. Mas Jesus conseguiu sair dali ileso. Ele compreendia o poder de Deus, o bem. Jesus venceu o mal — tudo aquilo que se opõe ao bem e ao amor de Deus — denunciando a verdadeira identidade do mal: uma mentira sem poder nenhum, pelo fato de não ter sido criado por Deus, a Verdade, nem ter permissão divina para existir. E, como não existe nenhuma verdade na mentira, Jesus pôde demonstrar seu domínio sobre o mal. Por fim, após a crucificação — após aquele ataque agressivo à inocência e ao bem — ele ressuscitou, provando que o ódio e a ignorância não podiam destruir a Vida do homem, porque a Vida é Deus.
As tragédias muitas vezes são consideradas evidências de que Deus não existe, e de que o mal é real e mais poderoso do que o bem. Mas nada poderia estar mais longe da verdade. Lemos na Bíblia: “Uma vez falou Deus, duas vezes ouvi isto: Que o poder pertence a Deus…” (Salmos 62:11). Na medida em que compreendemos que Deus é Tudo — que Ele é infinito e todo-poderoso — somos protegidos das consequências da crença geral no mal.
Lembro-me de outra afirmação de Ciência e Saúde: “Os pensamentos e propósitos maus não têm maior alcance, nem fazem maior dano, do que nossa crença permite. Os maus pensamentos, a cobiça e os propósitos malévolos não podem ir, como o pólen errante, de uma mente humana para outra e ali encontrar alojamento sem serem percebidos, se a virtude e a verdade formam forte defesa” (pp. 234–235).
Em determinado momento de minha carreira, eu era responsável pela segurança em um tribunal. Todas as manhãs, antes de sair para o trabalho, eu orava com passagens da Bíblia, pensando na segurança de todas as pessoas que entravam no prédio, inclusive autoridades, funcionários e o público. Ao longo do dia, eu afirmava que o bem está sempre presente, é todo-poderoso e preenche todo o espaço, por isso, não há lugar para o mal. Eu afirmava que Deus dá a todos os Seus filhos a capacidade de reconhecer essa verdade e defender o próprio pensamento das sugestões agressivas do mal. Eu orava com o fato espiritual de que o homem verdadeiro, criado por Deus, sente satisfação em fazer o bem e não pode jamais acreditar que vá encontrar a felicidade ou a solução dos problemas, fazendo o mal a si mesmo ou a outros. Deus, a Mente divina, expressa continuamente, em cada um de Seus filhos, a estabilidade e a inteligência. Nenhum pensamento rancoroso ou desequilibrado pode entrar nessa Mente ou perturbar a harmonia da criação de Deus.
Certo dia, um homem cujo processo estava tramitando naquele tribunal entrou no prédio e disparou uma arma enquanto corria pelo corredor. Sua intenção era chegar ao segundo andar e matar o juiz que presidia a sessão sobre seu processo, além dos outros funcionários que participavam dos trabalhos. Após uma troca de tiros com o pessoal da segurança, ele saiu correndo do prédio e logo foi preso. Seu plano foi frustrado e ninguém ficou gravemente ferido.
Assegurando-nos de que o mal é irreal e que Deus, o bem, é supremo, a Sra. Eddy afirma: “Imperturbada em meio ao testemunho gritante dos sentidos materiais, a Ciência, que permanece soberana, está desdobrando para os mortais o imutável, harmonioso, divino Princípio — está desdobrando a Vida e o universo, sempre presentes e eternos” (Ciência e Saúde, p. 306).
Toda vez que vencemos o mal em nossa experiência individual, por menor que seja o caso, estamos demonstrando que Deus é tudo e que o poder de Deus é supremo. Através das lentes da Ciência Cristã, um dia o mundo todo verá, e se regozijará nesta verdade imutável: “Não vos enganeis: o mal é irreal”.
