Há mais de trinta anos, Rodney King, um homem negro que fora vítima da brutalidade policial, fez um apelo que se tornou famoso: “Será que não podemos todos conviver em harmonia?”
Daquela ocorrência, resultou uma reforma da atuação policial na cidade de Los Angeles. E sua pergunta ainda ressoa, em um mundo que busca a reconciliação entre indivíduos, comunidades e nações.
É evidente que ações belicosas não trazem segurança, união nem progresso duradouros. A reconciliação eficaz provém da disposição de se comprometer a buscar resultados que sejam benéficos para todos. E isso inclui a reparação dos erros cometidos.
O tema da Lição Bíblica da Ciência Cristã desta semana é: “A doutrina da reconciliação”. Essa Lição descreve a reconciliação como um processo em que nossos pensamentos e objetivos se alinham com Deus, o perfeito Amor, a perfeita Verdade. Isso requer o reconhecimento de erros cometidos e sua reparação.
Embora seja óbvio que outros indivíduos e outras partes, que tenham agido de maneira egoísta ou destrutiva, devam reparar seus erros e se corrigir, a reconciliação começa com a disposição em cada um de nós de reconciliar nossos próprios pensamentos e ações com o que é aceitável a Deus, que é o bem infinito.
Mary Baker Eddy, a fundadora desta revista, escreveu: “Jesus ajudou a reconciliar o homem com Deus, dando ao homem um senso mais verdadeiro do Amor, o Princípio divino dos ensinamentos de Jesus, e esse senso mais verdadeiro do Amor faz com que o homem seja redimido da lei da matéria, do pecado e da morte, pela lei do Espírito — a lei do Amor divino” (Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, p. 19).
Por isso, não devemos nos conformar com a noção de que o mal e o conflito sejam características perpétuas e inevitáveis da humanidade. O homem — termo que inclui a todos nós em nossa verdadeira natureza como progênie espiritual de Deus — é criado como o reflexo da própria natureza de Deus. Devido à nossa criação divina, somos amorosos, bons e puros — totalmente livres de qualquer tendência à desarmonia. Esse é um fundamento poderoso para nos empenharmos em manter o padrão do bem, não do mal.
A Bíblia apresenta inúmeros exemplos de pessoas que cometeram atos muito prejudiciais e que recuaram, passando a adotar um procedimento totalmente inverso. O Apóstolo Paulo, outrora inimigo mortal dos seguidores de Cristo Jesus, tomou um rumo completamente diferente, e passou a seguir os ensinamentos e o exemplo de Jesus. Ele expiou seus erros por meio de muitos atos de bondade e cura.
E em uma época em que os detentores do poder muitas vezes o exerciam de modo brutal, Paulo exortou a que orássemos, não apenas em favor de nós mesmos, mas a favor “…de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranquila e mansa, com toda piedade e respeito. Isto é bom e aceitável diante de Deus, nosso Salvador, o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade” (1 Timóteo 2:2–4).
Cristo Jesus mostrou o caminho para vivermos em união com Deus, que é o bem supremo. Sua declaração: “Eu e o Pai somos um” (João 10:30) define o caminho de puro amor e verdade que ele trilhou. Nos relatos bíblicos sobre a vida de Jesus, não há um único ato que poderia ser definido como egoísta. Ele viveu para levar a outros a cura e a consciência do poder e do amor de Deus. Ele apresentou o modelo de unificação com Deus, e que todos nós podemos seguir.
Para trazer à luz mais evidências do bem na sociedade, é importante manter bons modelos no pensamento. Isso certamente inclui pessoas desprendidas do ego e corajosas, de diversas crenças e origens, as quais ilustram, em alguma medida, a verdadeira natureza de todos, natureza essa que é semelhante a Deus. Acima de tudo, precisamos manter no pensamento a pureza dessa verdadeira natureza espiritual.
Na última seção da Lição Bíblica desta semana, lemos: “Se a Verdade está vencendo o erro na tua conduta e conversa diárias, podes finalmente dizer: ‘Combati o bom combate… guardei a fé’, porque és um homem melhor. Isso é participar da unificação com a Verdade e o Amor” (Ciência e Saúde, p. 21).
Podemos e, sem dúvida, queremos reparar erros e viver em harmonia. E, passo a passo, a união da humanidade deve se seguir ao reconhecimento de que cada um de nós é filho do único Deus universal, o bem.
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