Skip to main content Skip to search Skip to header Skip to footer
Original para a Internet

Considerar a criação dos filhos como uma prática espiritual

DO Arauto da Ciência Cristã. Publicado on-line – 7 de maio de 2026


Muitos dizem que, na criação dos filhos, parece que estamos diante de um espelho, no qual as crianças refletem, de volta para nós, não apenas nossas próprias esperanças e alegrias, mas também nossas inseguranças. Quando um filho se comporta bem, sentimo-nos realizados e felizes. Mas, quando seu comportamento não é bom, ou fica aquém das expectativas, nós nos sentimos péssimos. Essa montanha-russa de altos e baixos, que acompanha os êxitos e erros dos filhos, pode fazer com que os pais se sintam esgotados e tenham reações exaltadas, em vez de manterem a calma e a paciência.

Contudo, por meio do estudo da Ciência Cristã, vamos aprendendo a não nos sentir pressionados pelas circunstâncias. Quando nos inspiramos no cuidado do Pai-Mãe Deus para com Seus filhos, percebemos que não precisamos simplesmente suportar as dificuldades ou conter nossas emoções, no relacionamento com os filhos. Em vez disso, podemos sentir a paz que flui de reconhecermos a identidade espiritual deles — e a nossa. Ou seja, podemos compreender o que é divinamente verdadeiro a respeito dos pais e dos filhos, como expressões totalmente espirituais de Deus. Essa compreensão fundamenta nosso pensamento na Vida que é Deus — que é totalmente bom. Partindo dessa base, a disposição e o equilíbrio para criar os filhos deixam de depender do comportamento da criança ou da capacidade dos pais, e passam a se apoiar no fato de que Deus é o sempre presente Pai-Mãe de todos.

A Bíblia nos leva diretamente ao cerne dessa questão, em Filipenses 2:13: “porque Deus [e não a vossa força] é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, [ou seja, Ele fortalece, dá energia e cria em vós o anseio e a capacidade de cumprir o vosso propósito], segundo a sua boa vontade”. Isso se aplica tanto aos pais quanto aos filhos.

O Amor, Deus, está sempre efetuando em nós tanto o querer como o realizar, por isso podemos afirmar que refletimos plenamente essa força divina. E nunca estamos realmente sozinhos na condição de pais — seja quando nos esforçamos para fazer o melhor, seja quando lamentamos os momentos em que sentimos que falhamos. Deus está sempre sendo o Pai-Mãe de todos; o próprio Amor está em atividade e “…inspira, ilumina, designa o caminho e nele nos guia” (Mary Baker Eddy, Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, p. 454). Quando deixamos o Amor guiar, se dissipam as reações intensas ou a incerteza, que tantas vezes alegam ser algo normal no relacionamento entre pais e filhos, e percebemos que nossa tarefa como pais não consiste em moldar ou controlar, mas, sim, em servir de apoio e ser testemunhas do desdobramento do bem divino em nossa vida e na vida de nossos filhos.

Quando, pela primeira vez, eu soube que iria ter um bebê, senti alegria bem como o peso da responsabilidade. Mas, ao reconhecer imediatamente que Deus era o Criador de meu filho, e não eu mesma, senti-me preparada e em paz. Continuei orando com essa ideia, à medida que meus filhos iam crescendo, o que nos ajudou a aprender juntos, nos momentos difíceis.

Toda criança tem uma conexão direta com Deus, o Princípio divino — a fonte de sua inteligência, bondade e crescimento. Quando nos apoiamos no Princípio, em vez de no senso pessoal, em busca de orientação, libertamo-nos das oscilações emocionais decorrentes da obstinação e do desejo de controlar, e percebemos que essas oscilações são substituídas por uma calma constante e alegria genuína. 

A história de Agar, na Bíblia, nos serve de exemplo. Agar havia chegado ao seu limite, pensando que não havia nada que pudesse fazer para ajudar seu filho em um momento de grande angústia, no deserto. Mas, o relato bíblico continua: “Deus, porém, ouviu a voz do menino; e o Anjo de Deus chamou do céu a Agar e lhe disse: Que tens, Agar? Não temas, porque Deus ouviu a voz do menino, daí onde está” (Gênesis 21:17).

Ela estava se sentindo desesperadamente incapaz de proporcionar ao filho o que era necessário, mas Deus já estava cuidando dele, e Agar pôde presenciar esse cuidado. Quando o senso espiritual de Agar se desenvolveu, e ela percebeu a presença de Deus, a solução prática (encontrar a água de que precisavam) tornou-se evidente. A oração, que reconhece que Deus governa cada passo de progresso, nos acalma e deixamos de ter uma reação desesperada — não porque sejamos indiferentes, mas porque confiamos na orientação da Mente divina. Essa orientação espiritual conduz a soluções que não poderíamos ter alcançado ou sequer imaginado por nós mesmos.

Reconhecemos o cuidado de nosso Pai-Mãe Deus para com todos nós, quando questionamos a crença de que a família seja definida por um vínculo biológico. Muitas vezes presumimos que nossos filhos se relacionem com Deus por nosso intermédio, e que o êxito deles quando adultos dependa do nosso êxito como pais. Mas a Ciência Cristã revela que Deus é Tudo, e que cada criança tem uma conexão contínua, direta e inquebrantável com o Amor divino. Além disso, por meio do senso espiritual, as crianças, por si mesmas, ouvem o Cristo, a Verdade, e compreendem as mensagens do bem provenientes de Deus.

O senso espiritual reconhece que aquilo que talvez pareça atraso, um grande desafio, ou um passo atrás, é apenas a percepção humana das coisas, que ainda não enxergou o que já é verdadeiro no Espírito, ou seja, a harmonia de cada um e de todos, como criação de Deus. Quando uma criança (ou quem quer que seja) nos “tira do sério”, nosso compromisso com a prática espiritual nos ajuda a reagir de maneira bem-humorada e equilibrada.

Algo que eu costumava fazer com frequência, quando meus filhos eram pequenos e se comportavam mal, era dedicar alguns momentos a uma pausa espiritual. Eu dizia: “Vou fazer uma breve pausa em outro lugar, para me lembrar de que vocês são uma bênção”. Após me certificar de que eles estavam em segurança, eu parava um instante para orar, em vez de reagir.

Sempre que eu me lembrava de fazer isso, quando as coisas pareciam estressantes ou conflituosas, a pausa permitia que eu me voltasse para o Cristo, a verdadeira ideia de Deus, e deixasse o Amor me guiar. Isso frequentemente acabava sendo determinante para acalmar a situação, de modo que o filho e eu voltávamos a nos sentir aliados, em vez de adversários, livrando-nos das aparências errôneas a respeito de nós mesmos e do comportamento a elas associado.

A Ciência Cristã nos convida a olhar para além da aparência, seja da incerteza ou rebeldia juvenil, ou de nossa inadequação como pais, e perguntar: Como podemos sentir e compreender que Deus está aqui? Isso pode exigir o reconhecimento de que a verdadeira influência sobre nossos filhos provém da inocência, da inteligência e do autogoverno — o bem que se origina em Deus — e não da biologia, da psicologia ou da mortalidade. Dessa forma, encontramos equilíbrio espiritual e sentimos o poder da Verdade, que restaura relacionamentos familiares corretos e amorosos. Isso abençoa a nós e nossos filhos!

Larissa Snorek
Redatora-Adjunta

Para conhecer mais conteúdo como este, convidamos você a se inscrever para receber as notificações semanais do Arauto. Você receberá artigos, gravações em áudio e anúncios diretamente via WhatsApp ou e-mail.

Inscreva-se

More web articles

A missão dO Arauto da Ciência Cristã 

“...anunciar a atividade e disponibilidade universal da Verdade...”

                                                                                        Mary Baker Eddy

Conheça melhor o Arauto e sua missão.