Quando Cristo Jesus declarou na cruz: “Está consumado” (ver João 19:30), ele estava proclamando muito mais do que o fim de seu sofrimento pessoal ou o encerramento de sua vida humana. Essas palavras marcaram a triunfante conclusão de sua missão, a de demonstrar que as leis materiais não têm poder sobre o homem, porque a vida não está na matéria.
Jesus logo ressuscitaria, provando que a vida é imortal, deixando, assim, claro que o homem vive na eternidade. Jesus sabia que a crença na vida finita — com início no nascimento, consistindo de prazeres e dores humanas, e terminando na morte — era totalmente errônea, e que ele viera para denunciar e vencer essa mentira.
No livro-texto da Ciência Cristã, Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, Mary Baker Eddy escreve: “Ele veio ensinar e mostrar aos homens como destruir o pecado, a doença e a morte” (p. 6). Fundamentada na Bíblia, especialmente nas palavras e obras de Jesus, a Ciência Cristã explica que a crucificação e a ressurreição do Mestre não foram eventos para glorificar o sofrimento ou a morte. Pelo contrário, serviram para demonstrar a natureza eterna e indestrutível da Vida, Deus, e do homem feito à imagem de Deus. Quando Jesus disse “está consumado”, podemos entender que ele estava afirmando que o trabalho que lhe fora atribuído, de revelar a verdadeira identidade espiritual do homem, estava plenamente cumprido.
A palavra grega traduzida como “está consumado” tem como base o verbo teleō, que significa completar ou cumprir. Não significa resignação, mas vitória. Jesus havia provado o que ensinara, que “…todo o que vive e crê em mim não morrerá, eternamente” (João 11:26). Suas palavras proclamaram que a crença de vida e morte na matéria não exerce nenhum poder sobre o homem.
A ressurreição de Jesus não foi uma milagrosa exceção à lei natural, mas o inevitável resultado da compreensão da lei espiritual. Ele compreendia que o verdadeiro homem, criado pelo Espírito, nunca caíra em um reino de pecado, doença e morte.
Nas muitas curas que realizou e em sua ressurreição, Jesus provou a irrealidade do pecado, da doença e da morte. Considere o relato, na Bíblia, a respeito do homem que nasceu cego. Os discípulos de Jesus, acreditando que o pecado tivesse poder sobre o homem, perguntaram-lhe: “…Mestre, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?” Ao que lhes respondeu Jesus: “Nem ele pecou, nem seus pais; mas foi para que se manifestem nele as obras de Deus” (João 9:2, 3). Então, Jesus curou o homem.
Ao encontrar “um homem possesso de espírito imundo”, o qual vivia em meio aos sepulcros e estava sempre “clamando … ferindo-se com pedras”, Jesus expulsou dele o mal. Uma vez libertado, o homem deixou o comportamento demente e sentou-se “vestido, em perfeito juízo” (ver Marcos 5:1–15). Jesus reconheceu que o espírito mau — a insanidade — nunca havia sido parte do homem e, com essa compreensão, pôde eliminar a imposição da doença mental.
Mesmo diante do ódio, da traição e da crucificação, Jesus expressou amor, bondade e perdão. Sua plena consciência de que a Vida é eterna, ininterrupta e espiritual foi a chave. Ele sabia que o plano do Amor divino para o homem nunca é interrompido, mesmo quando as evidências dos sentidos gritam o contrário.
O que o mundo chama de morte, Jesus já havia provado ser uma mentira, antes mesmo de a pedra ser removida de seu túmulo. Ele havia percebido que a morte não faz parte da criação de Deus e a desmascarou completamente como um conceito falso, uma ilusão material.
A Sra. Eddy reconheceu profundamente o significado da obra de Jesus. Em Ciência e Saúde, ela escreve: “Os alunos de Jesus ainda não estavam suficientemente adiantados para compreender plenamente o triunfo do Mestre, por isso não realizaram muitas obras maravilhosas, até que o viram depois da crucificação e se deram conta de que ele não havia morrido” (pp. 45–46).
O livro-texto explica que a ressurreição de Jesus não foi a reversão da morte, mas a evidência de que a morte nunca havia ocorrido — e nunca poderia ocorrer — na realidade do existir. Seus inimigos achavam que o haviam destruído; mas, em verdade, as ações deles eram impotentes contra a ideia do Cristo que ele manifestava.
Por isso, a declaração “está consumado” anuncia a vitória universal e permanente do Cristo, a Verdade, sobre toda crença mortal — sobre o pecado, a doença, a limitação, o medo, a carência, a injustiça. A missão de Jesus não foi somente para si mesmo; foi para toda a humanidade. E essa missão continua até hoje, pois o Cristo — a mensagem divina da plenitude de Deus e da perfeição espiritual do homem — chega a todo coração receptivo, removendo o véu do senso material.
Para cada um de nós, o triunfo do “está consumado” não é um distante fato histórico, mas uma realidade viva e presente. Somos chamados a seguir o exemplo de Jesus, vendo a nós mesmos e aos outros como Deus nos criou — espirituais, completos, livres, eternos — recusando-nos a aceitar que o pecado, a doença e a morte sejam parte do homem.
Todo desafio que enfrentamos, toda alegação de limitação material, podem ser vencidos com a convicção espiritual de que o Cristo já conquistou a vitória. Na presença de aparentes inimigos, nós também podemos encontrar já preparada a mesa do suprimento abundante do Amor.
Sob essa perspectiva, “está consumado” é um hino eterno de gratidão, coragem e esperança. Declara que a obra de Deus — a criação do homem perfeito — já está completa e que nada pode alterá-la.
Essa verdade pode ser compreendida com um pequeno exemplo. Uma mulher, que estivera construindo sua casa em etapas, enviou-me uma mensagem de texto dizendo estar com medo de não conseguir concluir a obra porque não tinha dinheiro para o telhado. Ela explicou que todas as fontes a que havia recorrido, em busca de auxílio, haviam negado os recursos. A mensagem era muito longa, relatando muitos detalhes para indicar como essa carência era real.
Respondi-lhe com uma mensagem de texto contendo duas palavras: “está consumado”. Convencida de que eu não havia entendido sua situação, a mulher me enviou outra longa mensagem, mencionando inclusive a enorme quantia de que necessitava. Lembrei-lhe as últimas palavras de Jesus na cruz e lhe assegurei que, no reino de Deus, tudo já está consumado e nada fica incompleto. Duas horas depois, ela me enviou uma mensagem, dizendo que iria conseguir o dinheiro com uma pessoa que lhe oferecera um empréstimo. Dias depois, ela enviou a alegre mensagem de que a obra havia sido concluída em uma semana.
A compreensão de que a criação de Deus é completa e muito boa também trouxe a mim uma rápida cura, quando adoeci repentinamente enquanto estava trabalhando em nossa Sala de Leitura da Ciência Cristã. Fiquei mal do estômago, sentindo-me fraca e febril. Deitei-me no chão atrás das cadeiras e orei fervorosamente, protestando contra a mentira de que Deus houvesse criado a doença ou qualquer tipo de mal. Afirmei que Cristo Jesus, nosso grande Modelo, já havia deixado claro que a doença é irreal, por meio de suas inúmeras curas. “Está consumado”, declarei, confiante em que podia me firmar na autoridade do Mestre, e rechaçar a falsa evidência dos sentidos materiais.
Uma afirmação de Ciência e Saúde me fortaleceu: “O Espírito é a única substância e consciência reconhecida pela Ciência divina” (p. 278). Enquanto lentamente me levantava, um membro da igreja entrou na Sala de Leitura. Eu pude caminhar até a frente da sala e cumprimentá-lo. Em seguida, todos os sinais da doença desapareceram, e eu fui inundada de grande alegria pela poderosa obra de Deus.
Que todos nós cheguemos a esse entendimento com louvor e gratidão, esforçando-nos diariamente para compreender e demonstrar a gloriosa verdade de que a Vida é Deus, infinita e eterna, e que o homem, filho amado de Deus, está para sempre seguro, para sempre livre, para sempre vivo em Deus.
Lemos em Ciência e Saúde: “Quando despertarmos para a verdade a respeito do existir, toda a doença, a dor, a fraqueza, o cansaço, o pesar, o pecado e a morte serão desconhecidos, e o sonho mortal cessará para sempre” (pp. 218–219).
