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Original para a Internet

Orar pela paz em tempos de conflito

DO Arauto da Ciência Cristã. Publicado on-line – 1º de junho de 2026


Eu era criança quando ocorreu uma guerra entre o Paquistão e a Índia, área marcada por uma história de divisão. Eu ajudava meus avós a cobrirem as janelas com papel pardo, de maneira que a luz das velas no interior da casa não fosse vista de fora, quando tocassem as sirenes. Nós nos sentávamos no escuro — Vovó, Vovô e eu nos aconchegávamos no balanço da varanda, orando à nossa maneira. Sentada juntinho aos dois, eu me sentia segura.

Anos mais tarde, encontrei a Ciência Cristã e comecei a praticar seus ensinamentos sanadores. Compreendi com mais clareza algo que havia vislumbrado no abraço acolhedor dos meus avós: que a harmonia duradoura não depende das circunstâncias materiais. De fato, ela está em Deus, o Amor divino. A Ciência Cristã, a lei universal e imparcial de Deus — a Ciência do existir — nos ensina que todos somos um só povo: filhos espirituais de Deus, que estamos em segurança em Sua lei de harmonia. Não há divisão, separação ou ruptura em Deus, o bem infinito.

Mary Baker Eddy, a Descobridora da Ciência Cristã, escreve: “Um só Deus infinito, o bem, unifica homens e nações; estabelece a fraternidade dos homens; põe fim às guerras; cumpre o preceito das Escrituras: ‘Amarás o teu próximo como a ti mesmo’…” (Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, p. 340). Demonstrar isso, pouco a pouco, começa com cada um de nós aprendendo a viver esse manso e poderoso amor cristão em nosso dia a dia, cedendo consciente e humildemente ao Amor divino. Podemos nos ater ao ímpeto espiritual que neutraliza a teimosia, a frustração e a raiva, isto é, ater-nos ao Cristo, a mensagem do amor de Deus por todos.

O Antigo Testamento refere-se a essa doce e eterna presença como um “cicio tranquilo e suave”. O Cristo está falando a cada coração, mesmo no auge da guerra e do terror. “O ‘cicio tranquilo e suave’, a voz do pensamento científico, se estende sobre continentes e oceanos, até as extremidades mais remotas do globo” (Ciência e Saúde, p. 559).

Essa voz falou ao profeta Elias, quando ele estava só e não sabia mais o que fazer (ver 1 Reis 19:9–12). A mensagem divina recebida por ele não foi de condenação ou falsa piedade, mas de coragem. Foi uma ordem: “Sai e põe-te neste monte”, enfrentando várias formas de pavor — simbolizadas como terremoto, vento e fogo. Ele percebeu que Deus, que é todo o bem, não poderia estar em desastres e atrocidades. O cicio tranquilo e suave da Verdade divina trouxe paz interior, e as circunstâncias externas se modificaram, também.

Há alguns anos, feri gravemente a mão. A imagem não era bonita. Orei para ceder lugar no pensamento à Verdade e ao Amor divinos, mas ainda não sentia a paz plena que eu costumava vivenciar quando orava para ver a pureza e a substância inatas do homem, de todos nós, como filhos espirituais de Deus.

Passado algum tempo, ocorreu-me abrir meu coração para amar os outros de modo mais livre do ego. A inspiração que recebi foi esta: a verdade e o amor de Deus não são apenas para mim, mas para cada indivíduo ao redor do mundo, e estão abençoando a todos, a cada instante! Ninguém jamais foi deixado fora do amor de Deus.

Com isso, o conforto e a cura vieram imediatamente, e eu acolhi com carinho essa lição sobre o amor desprendido do ego.

Quando estamos dispostos a silenciar o clamor do medo em nosso pensamento, e ouvir as mensagens da graça de Deus, passamos a compreender que a Verdade é um poder e uma presença palpáveis que nos envolvem hoje mesmo, trazendo à humanidade a dádiva da cura e da harmonia. A raiva e o conflito não podem se sustentar na presença plena de Deus. Ao contrário, temos a habilidade dada por Deus para expressar o perdão, o afeto, a paciência e a integridade do Cristo.

Cristo Jesus foi o exemplo definitivo disso. Ele amou seus inimigos com o perfeito amor que cala a justificação e a vontade próprias. A Sra. Eddy escreveu: “Amai os vossos inimigos, senão jamais os perdereis; e, se os amardes, ajudareis a reformá-los” (Escritos Diversos 1883–1896, pp. 210–211).

Podemos nos esforçar para sermos reformadores, por meio de nossas orações em prol do mundo, enxergando além da aparente divisão e vendo a verdadeira natureza espiritual de todos — nossa verdadeira identidade — e despertando para nossa união com Deus e uns com os outros, para além de qualquer fronteira. Desse modo, contribuiremos para um mundo onde a verdadeira fraternidade entre os homens se realize mais completamente.

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