Eu moro nos Estados Unidos, no estado da Flórida, conhecido pelo calor intenso, no verão, seguido de fortes tempestades. Quando criança, eu estava acostumada com isso, mas, à medida que fui tomando consciência dos efeitos destrutivos de eventos climáticos extremos, passei a sentir um medo irracional de tempestades, principalmente de tornados, e isso me causava pesadelos.
Aprendi na Escola Dominical da Ciência Cristã que minha segurança provém de Deus, o bem imutável. Ouvi ali a história de Moisés, que, quando bebê, foi salvo do perigo e da morte pela sabedoria de sua mãe. Ela o colocou em um “cesto de junco”, e largou-o junto aos caniços, às margens do rio Nilo. O cesto foi encontrado pela filha do faraó, e a vida de Moisés foi preservada.
Eu havia decorado os versículos bíblicos a respeito de quando Elias percebeu que o Senhor não estava no terremoto, no vento, nem no fogo (ver 1 Reis 19:11, 12). Eu também sabia que, ao acalmar um vento forte, que ameaçava virar o barco em que eles estavam, Cristo Jesus demonstrou aos discípulos que Deus não está no vento, nem em qualquer outro evento climático adverso. Não há poder que se oponha a Deus e às Suas leis de harmonia, e certamente não existe nenhum poder destrutivo.
Por vários anos orei com essas ideias, mas os pesadelos continuavam.
Durante o ensino médio e na faculdade, eu acompanhava de perto a previsão do tempo em um dispositivo que transmitia informações sobre o clima; eu o mantinha ao lado da cama e levava comigo em viagens. Dessa forma, conseguia acessar rapidamente toda e qualquer informação a respeito de tendências e probabilidades meteorológicas. Nos meus vários empregos, tornou-se cada vez mais difícil permanecer no trabalho durante tempestades, ou após receber alertas sobre a possibilidade de eventos climáticos. Minha rotina passou a girar em torno desse medo obsessivo.
Sou muito grata pelo tratamento amoroso e paciente de vários praticistas da Ciência Cristã, ao longo desse período. Certa noite, durante uma reunião de testemunhos na igreja, caiu uma forte tempestade. Fiquei tão apavorada que saí de onde estava e fui pedir ajuda a uma praticista que também se encontrava na congregação. Sua atitude compassiva bastou para que eu conseguisse voltar ao meu lugar e ficar calma.
Na época da faculdade, casei-me com um Cientista Cristão que me amava, apesar dos meus temores. Ele sabia que estes não faziam parte de minha verdadeira identidade espiritual, e me ajudou a superá-los, expressando o que Mary Baker Eddy descreve como “paciência compassiva” (ver Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, p. 367), fazendo tudo o que podia, humana e metafisicamente, para apoiar minha liberdade.
Depois de me formar, comecei minha carreira, escolhendo as vagas de emprego considerando em parte os locais que eu achava mais “seguros”. Continuei os estudos, com o objetivo de conseguir a certificação de auditora contábil, e perseverei na oração para me libertar desse medo que me debilitava e consumia.
Para obter essa certificação, precisei ir de carro para outra cidade e passar por um exame que durava vários dias. Durante a viagem, fui ouvindo gravações de Ciência e Saúde e da Lição Bíblica constante do Livrete Trimestral da Ciência Cristã. Eu queria muito me sentir próxima de Deus, segura e protegida.
Também orei, seguindo a orientação da Sra. Eddy: “Uma coisa desejo com fervor e, de novo, peço sinceramente, a saber, que os Cientistas Cristãos, aqui e em toda parte, orem diariamente em favor de si mesmos; não verbalmente, nem de joelhos, mas mentalmente, com humildade e insistência” (Escritos Diversos 1883–1896, p. 127).
Ela continua: “Quando um coração faminto pede pão ao divino Pai-Mãe Deus, não recebe uma pedra — porém mais graça, obediência e amor. Se esse coração, humilde e confiante, pedir fielmente ao Amor divino que o alimente com o pão celestial, com saúde e santidade, ele será moldado para se tornar merecedor de ter seu desejo atendido; então, afluirá a ele ‘a torrente de Suas delícias’, o afluente do Amor divino; e um grande crescimento na Ciência Cristã se seguirá — ou seja, aquela alegria que encontra o próprio bem no bem que proporciona a outrem”.
Na noite anterior ao exame, fiquei distraída com os alertas sobre mau tempo na região. A previsão para o dia seguinte também não era boa. Dormi pouco, ou quase nada, naquela noite. Estava agitada e com medo de ficar confinada em um auditório sem janelas, sem poder sair para escapar de uma possível tempestade.
Pela manhã, eu estava exausta e sem condições mentais de ter um bom desempenho na prova. No entanto, ocorreu-me que eu não estava desempenhando, mas sim, refletindo a inteligência e a paz de Deus, que eu já havia demonstrado em tantas outras ocasiões. Esse pensamento me acalmou, e eu consegui orar por mim mesma, “mentalmente, com humildade e insistência”.
Fui para a sala do exame. Consegui me concentrar nas questões da prova, mesmo ouvindo a tempestade lá fora. Em certo momento, as luzes da sala se apagaram por algum tempo e fomos orientados a permanecer sentados no escuro até a energia voltar. Novamente orei, e a história de Noé e da arca veio ao meu pensamento. Parte da definição de arca em Ciência e Saúde diz: “Abrigo seguro; a ideia, a reflexão, da Verdade, que se comprovou ser tão imortal como seu Princípio; a compreensão a respeito do Espírito, a qual destrói a crença na matéria” (p. 581). Eu sabia que minha verdadeira segurança não estava em um local físico, mas na compreensão de que o Espírito, Deus, é tudo, o único poder, a única substância e realidade.
Quando terminei a prova, peguei o carro e fui para casa, sentindo-me confiante e segura. Mais tarde, soube da ocorrência de tornados de forte intensidade nas proximidades do local da prova. Todos fomos totalmente protegidos. E eu passei no exame.
O mais importante nessa história é que, nos cerca de 45 anos que se passaram desde aquela ocasião, tenho permanecido completamente livre do medo de eventos climáticos. Nossa família foi protegida dos efeitos de furacões e tornados. Nossos dois filhos adultos nunca sentiram medo desses eventos, e têm usufruído da vida na Flórida.
Sou grata por estar livre da escravidão das crenças materiais. Como nossa Líder escreve com autoridade em Ciência e Saúde: “Cidadãos do mundo, aceitai a ‘gloriosa liberdade dos filhos de Deus’, e sede livres! Esse é vosso direito divino” (p. 227).
Carole Jackson Poindexter
Jacksonville, Flórida, EUA
