Em Mineápolis, Estados Unidos, a cidade em que vivo, todos os pensadores espirituais e as instituições voltadas ao sagrado receberam o pedido de direcionar seu trabalho espiritual em prol da diminuição do medo, da divisão, e das ameaças de violência que estão presentes em nossa comunidade. A pergunta que intriga todo coração espiritualmente desperto é: o que posso realmente fazer para ajudar?
Podemos orar. Orar é deliberadamente permanecer firme na Verdade divina, até que desmorone a mentira de que possa existir algum poder separado da Verdade, ou seja, de Deus. A oração não é pensamento ilusório nem esperança passiva. Na Ciência Cristã, a oração é compreendida e vivenciada como um poder em prol do bem. Em seu livro Não e Sim, Mary Baker Eddy, a Descobridora da Ciência Cristã, escreve: “A verdadeira oração não é pedir amor a Deus; é aprender a amar e a incluir toda a humanidade em um único afeto”, essa oração “…mostra-nos o que Deus é” (p. 39). Deus é o Amor infinito. E nós somos feitos para demonstrar sempre mais o Amor, Deus, e oferecer resistência a toda sugestão de que o Amor esteja ausente ou seja impotente.
Um modo de orar é ter a certeza de que o “…cimento de uma humanidade mais elevada unirá todos os interesses na natureza divina, que é una e única” (Mary Baker Eddy, Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, p. 571). Com essa certeza, algo muda. Nós nos recusamos a aceitar que a polarização e a violência sejam inevitáveis. Não atribuímos poder à noção errônea de que o ódio possa ser a força motriz de alguém. Reconhecemos que, em realidade, toda pessoa que vive em nossa cidade, ou passa por ela, é a amada expressão do uno e único Criador. Essa compreensão dissipa a atmosfera mental que gera conflito. A verdadeira oração guia o pensamento a escolhas melhores e a ideias mais claras em favor de todos os envolvidos, e leva a uma pacificação genuína.
Na Bíblia, no capítulo 9 de Eclesiastes, encontra-se o relato referente a uma cidade sitiada que foi salva por um homem pobre, porém sábio. Esse homem livrou a cidade, não por meio da riqueza, posição social ou poder político, mas sim pela sabedoria. Podemos definir a sabedoria como compreensão espiritual, fortalecida pela confiança na onisciência da Vida, da Verdade e do Amor divinos.
Hoje em dia, temos acesso imediato à mesma compreensão que aquele sábio homem pobre comprovou: a harmonia é a realidade e a violência é uma falsa alegação disfarçada de poder.
A Sra. Eddy escreve: “O mal não é supremo; o bem não está desamparado; nem são primárias as chamadas leis da matéria, e não é secundária a lei do Espírito” (Ciência e Saúde, p. 207). O mal é o inimigo, mas não é pessoa, lugar, partido político, segmento populacional, regulamento ou instituição. É, isso sim, a mentira de que o ódio, a violência, a divisão e o medo tenham poder. Conforme a Sra. Eddy declara em um de seus poemas: “Falsos temores são os inimigos — a verdade os destrói / quando compreendida” (Poems [Poemas], p. 79).
Quando oramos, podemos nos aprofundar na verdade a respeito de quem e o que somos, e assim chegar a reconhecer a realidade de que a substância do existir é espiritual. Nunca estamos em luta com pessoas. Estamos, isso sim, dissipando as mentiras da ignorância, da vontade do ego, da vingança e do antagonismo, as quais fariam a violência parecer normal ou inevitável. O fato de que nós e o Pai somos um nos dá a percepção, o discernimento, a coragem e o vigor para superar o falso temor, o verdadeiro inimigo.
Na igreja filial da Ciência Cristã da qual sou membro, nossa parte da resposta, ao pedido feito aos pensadores e instituições espirituais para que orassem em prol da cura na comunidade, foi dada durante nossa reunião semanal de testemunhos. Naquela noite, a leitura de trechos da Bíblia e de Ciência e Saúde ressaltou que a lei espiritual se sobrepõe à lei material, e explicou que o reino de Deus está aqui na terra como está nos céus.
Os testemunhantes relataram experiências marcantes de como a oração havia dissipado a tensão: na Sala de Leitura da Ciência Cristã; em Uganda, a serviço do Corpo da Paz; e em outras situações. Alguém contou que orou com amor pela cidade como um todo, e isso o ajudou a sentir-se em segurança no metrô, quando se encontrou em uma situação que parecia perigosa.
Esses não são incidentes isolados. São provas diárias de que a lei de Deus, da Mente, atinge o caos e o destrói, conforta e protege toda a criação e sempre nos faz saber o que necessitamos saber, no lugar certo e na hora certa.
Tal qual o sábio homem pobre que, por meio de sua sabedoria, livrou a cidade, nós podemos ver nossas cidades do modo como Deus as criou: aninhadas no amor de Deus, completas, harmoniosas e seguras. Podemos ver que todas as pessoas, independentemente de qual lado da questão elas defendam, estão incluídas no cuidado que Deus dá. “O efeito da justiça será paz, e o fruto da justiça, repouso e segurança, para sempre” (Isaías 32:17). Essa é uma lei espiritual. É o que acontece quando nos recusamos a atribuir poder à violência e ao medo, quando reconhecemos que o bem é supremo, e quando, de coração, amamos as nossas cidades.
