Quase todos os dias ouvimos falar de novas maneiras pelas quais a inteligência artificial, ou IA, está mudando nosso mundo. Muitos se perguntam se ainda é possível distinguir entre a inteligência humana e a do computador. Mas talvez essa seja uma comparação errada a se fazer. E se a indagação mais útil for a de detectar como a IA e a assim chamada inteligência mortal funcionam de maneira semelhante, em contraste com a inteligência totalmente original e criadora do universo, isto é, a Mente imortal, Deus?
A inteligência artificial utiliza os chamados grandes modelos de linguagem, os LLMs, para analisar enormes quantidades de dados existentes e, em seguida, recorre a algoritmos preditivos para fornecer respostas aparentemente perspicazes às perguntas feitas por pessoas. Em termos simples, podemos dizer que a IA reúne o melhor daquilo que a humanidade aprendeu no passado, para chegar à resposta mais lógica para o presente. Mesmo que a IA gere novas imagens ou ideias inovadoras, isso ocorre unicamente devido à sua capacidade de coletar e manipular, de novas maneiras, informações a partir de dados já conhecidos.
É interessante que essa “inteligência” corresponde ao que a Ciência Cristã ensina a respeito do “pensamento” condicionado da mente humana. Quando a consciência mortal raciocina com base naquilo que os sentidos físicos relataram, o resultado esperado está sempre fundamentado em normas materiais consolidadas. Todos nós já vimos como essa maneira condicionada de pensar funciona. Por exemplo, quando as pessoas tossem ou espirram, elas tendem a achar que estão ficando resfriadas. O ponto é que essa assim chamada inteligência está limitada a expectativas baseadas na crença de que a existência seja material. Ela não permite que haja algo realmente novo.
E se a IA já estivesse disponível para ajudar a escrever os Evangelhos, durante o ministério de Jesus? Suponhamos que você tenha relatado tudo o que aconteceu a esse homem, Jesus, até sua crucificação e tenha, então, pedido à IA que lhe dissesse o que aconteceria depois. Ela certamente não teria dito que em três dias, depois de ser crucificado e sepultado, Jesus ressuscitaria e sairia do túmulo. Esses dados ainda não existiam. As informações disponíveis teriam levado a IA a dizer que a morte destrói a vida, um resultado que não pode ser revertido. Mas a ressurreição de Jesus provou o contrário: mostrou que o Cristo destrói a morte e que a vitória sobre a morte não pode ser revertida. Com isso, o Cristo, a verdadeira ideia de Deus, que governava a consciência de Jesus, trouxe um resultado totalmente novo, fundamentado unicamente na realidade de Deus, não nas limitações acumuladas da história material.
A boa notícia é que esse resultado totalmente novo em Cristo está disponível a todos nós em qualquer situação que estejamos enfrentando. A Ciência Cristã está plenamente edificada no fundamento de que a Mente divina é a única verdadeira inteligência. A Mente divina é capaz de atender com exatidão a todas as necessidades humanas atuais, justamente porque não leva em conta a história do limitado conhecimento humano. Ela conhece somente o “agora” do bem infinito. E a criação divina, o homem e a mulher à imagem e semelhança de Deus, é a expressão dessa inteligência espiritual ilimitada. Essa consciência revela a vida definida pela harmonia, santidade e alegria de Deus, e pela imortalidade da verdadeira inteligência.
Quão inteligente seria uma inteligência que criasse desarmonias e doenças que trazem autodestruição? Essas criações são as falsas conclusões do “saber artificial” dos sentidos materiais e não têm mais substância do que um sonho. Como explica Mary Baker Eddy em Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras: “A existência mortal é um sonho; a existência mortal não tem entidade real, mas alega: ‘sou eu’. O Espírito é o Ego que nunca sonha, mas compreende todas as coisas; que nunca erra, e está sempre consciente; que nunca crê, mas sabe; que nunca nasce e nunca morre. O homem espiritual é a semelhança desse Ego. O homem não é Deus, mas como um raio de luz que procede do sol, o homem, a emanação de Deus, reflete a Deus” (p. 250).
Aceitar que a verdadeira vida é o reflexo do Espírito, Deus, impõe-nos exigências. Temos de decidir-nos a não seguir o fluxo mecânico dos sentidos materiais e comprometer-nos verdadeiramente a aceitar a supremacia do bem ilimitado de Deus como a força que nos define. Isso pode levar a algo novo, totalmente imprevisto.
Quando Jesus e seus alunos encontraram um homem que nascera cego, os discípulos inicialmente o enxergaram por meio de uma inteligência artificial e mortal que não previa nenhuma possibilidade de saúde e cura. Essa inteligência somente tinha a capacidade de levar em consideração um conjunto binário de explicações para a difícil situação do homem. Os discípulos perguntaram a Jesus: “Mestre, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?” Jesus rejeitou a existência de uma estrutura mental estranha ao propósito e ao bem divinos. Ele respondeu: “…Nem ele pecou, nem seus pais; mas foi para que se manifestem nele as obras de Deus”. Como resultado, o cego foi curado e passou a ver pela primeira vez (ver João 9:1–7).
A maioria de nós utiliza a IA no dia a dia, muitas vezes sem nem mesmo perceber. É óbvio que a humanidade tem o dever de garantir que o desenvolvimento e o uso da IA sejam regidos por padrões morais de integridade e ética. Mas ainda mais urgente é o dever de disciplinar os pensamentos da mente humana, ouvindo atentamente o Cristo e obedecendo-lhe, como a Ciência Cristã mostra ser possível. Contudo, o mais necessário é termos a disposição de vencer a cegueira da crença de que algo material possa nos informar com exatidão a respeito de nossas possibilidades para alcançarmos o bem. Precisamos estar de olhos abertos para as obras de Deus que se manifestam. Em outras palavras, precisamos compreender o antigo e sempre novo fato transformador de que a Mente divina, Deus, é nossa única verdadeira fonte de inteligência e consciência.
Scott Preller
Redator convidado
