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Original para a Internet

O caminho da liberdade

DO Arauto da Ciência Cristã. Publicado on-line – 10 de setembro de 2026


O lugar preferido de minha família, para passear no verão, é à beira de um lindo lago cercado por suaves colinas cobertas de imensos pinheiros, em um dos quais há um ninho de águia. Quanta inspiração eu sinto, ao olhar para o céu azul e ver uma águia voando alto e livre, sem obstáculos na imensidão! Leva-me a pensar no caminho da liberdade, acessível a cada um de nós.

Contudo, talvez às vezes nos sintamos oprimidos por pesos terrenais, tais como recursos ou oportunidades limitadas, doenças, idade ou tristeza, que nos impedem de abrir nossas asas e alçar voo.

Se for esse o caso, esta fábula sobre um filhote de águia que caiu do ninho pode nos servir de exemplo. Um fazendeiro encontrou esse filhote e o colocou no galinheiro, para ser criado entre as galinhas, que obviamente não voam alto. Sem saber que era capaz de voar e se libertar, a águia permaneceu confinada ao galinheiro. Certo dia, porém, viu um pássaro que se parecia com ela, voando alto no céu. A águia agora tinha um outro modelo, mostrando-lhe a possibilidade de elevar-se às alturas. Ela compreendeu o propósito para o qual fora criada e acabou alçando voo.

A fábula nos convida a fazer esta pergunta: “Estaremos nós vivendo no confinamento do limitado modelo mortal de um ‘galinheiro’?” Será que a ignorância, o medo e a dúvida nos restringem? Não há necessidade disso! Assim como a águia que, por natureza, possuía tudo o que precisava para voar livremente, nós, como filhos de Deus, somos completos e imortais, eternamente produzindo bons resultados. Deus nos dá o que precisamos para sermos felizes, para voarmos alto no reino do bem infinito.

Cristo Jesus nos mostrou nossa verdadeira identidade, que é livre e não oprimida por um ambiente que parece nos prender ao chão. Como um pioneiro, desbravando o caminho da liberdade, ele se elevou acima de todas as amarras mortais e nos deixou um roteiro para que nós também nos elevemos e nos libertemos das limitações, e encontremos as portas do céu abertas, aqui e agora. Ele conhecia apenas um caminho — o caminho da santidade, o caminho do conhecimento de que o Amor é onipotente, é tudo, e exerce sua ternura inefável, permitindo que Jesus curasse todo tipo de desarmonia humana, acalmasse mares tempestuosos, andasse sobre as águas e até mesmo triunfasse sobre a morte. Que possibilidades infinitas ele nos revelou!

Esse exemplo do Cristo tem sido a luz ininterrupta que ilumina o caminho para que todos sejam livres. Liberdade significa estar desimpedido de conceitos errôneos, livre daquilo que não é real. Não se trata de uma liberdade política ou civil, concedida por leis ou pela constituição do país. Também não é a possibilidade de viver segundo a própria vontade obstinada. É, sim, a liberdade propiciada pelo Amor divino, a lei de nosso existir, pela qual tomamos consciência de que somos profundamente amados e valorizados. É a liberdade que a Verdade concede, como na afirmação de Jesus: “…conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (João 8:32).

Implícito nessa afirmação está o conhecimento consciente de que a realidade divina nos isenta das vulnerabilidades mortais, inclusive o medo, a doença, o tempo, o espaço, a idade, os acidentes e a morte. Podemos, de modo cada vez mais natural, demonstrar essa isenção, porque somos testemunhas de Deus, a Verdade e, portanto, temos consciência do que é realmente verdadeiro. Compreendemos espontaneamente os fatos espirituais inerentes à Verdade, os quais definem a natureza de nossa existência consciente.

Na fábula, a mudança de uma “águia que não sai do chão” para uma “águia que alça voo” nada tem a ver com um ajuste em suas penas ou uma mudança física, mas sim, resulta de a águia obter a verdadeira percepção de si mesma. De igual maneira, em nossa vida, o que nos liberta não é mudar nossa existência, de material para espiritual, mas sim, perceber quem já somos, e o que é que faz espiritualmente parte de nossa natureza, quanto ao que ser e fazer. Esse é o significado espiritual de refletirmos a Alma divina, o que nos capacita a ver como Deus vê. Lemos na Bíblia: “Ora, nós não temos recebido o espírito do mundo, e sim o Espírito que vem de Deus, para que conheçamos o que por Deus nos foi dado gratuitamente” (1 Coríntios 2:12).

A cura espiritual nada tem a ver com mudar a matéria, porque, por sermos filhos de Deus, o Espírito, nossa substância é espiritual. O fato é que não existe nenhuma matéria para ser mudada, melhorada ou piorada. Por isso, a cura consiste em aceitar o momento, ou momentos, de revelação: “Oh, é isto o que eu sou, hoje e sempre, sou inteiramente espiritual!” Esses momentos de revelação vêm por meio da atividade esclarecedora do Cristo, a verdadeira ideia de Deus, que nos faz compreender que somos um com Deus, a Verdade. O Cristo nos revela a liberdade que é nossa por natureza, por sermos a amada imagem e semelhança de Deus.

Essa mensagem libertadora do Cristo inclui nossa perfeição, pois refletimos nosso perfeito Pai-Mãe Deus. Tudo o que necessitamos, seja suprimento, paz, saúde ou força, está em Deus. Não estamos esperando para chegar a ser perfeitos, pelo contrário, nosso verdadeiro existir já é completo agora. O reino dos céus está dentro de nós e está ao nosso alcance. Esse ambiente celestial nos dá todo o necessário para florescermos e produzirmos “o fruto do Espírito”. Somos eternos, por isso não pode haver diminuição em nossa substância, nossas faculdades, nossa inteligência, nossa beleza; pelo contrário, todo o bem opera sem desgaste, hoje e sempre.

Por sermos filhos de Deus, a Alma, já temos agora a linda herança de liberdade, pois só a percepção errônea proveniente do senso material nos aprisiona. Lemos em Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, de Mary Baker Eddy: “Foi a ilusão do senso material, não a lei divina, que vos atou, que amarrou vossos membros livres, mutilou vossas capacidades, debilitou vosso corpo e desfigurou o quadro da vossa existência” (p. 227). A aparente escravidão do homem cessa à medida que ele discerne que está livre do senso material. Na proporção em que o senso material é silenciado, a cura é realizada. O senso espiritual traz liberdade.

A Sra. Eddy escreveu: “No dia de hoje, minha alma só pode cantar e se elevar. Um crescente senso do amor, onipresença e onipotência de Deus me envolve. A cada dia O reconheço mais próximo, eu O amo mais, e humildemente oro para servi-Lo melhor” (A Primeira Igreja de Cristo, Cientista, e Outros Textos, p. 174).

Um conhecido meu teve uma experiência de cura na qual compreendeu que é livre por natureza. Dois anos antes, devido a uma arritmia cardíaca, ele havia sido reprovado no exame médico anual, exigido pelo governo. Na época, o médico dissera que isso poderia ser fatal e que ele deveria dirigir-se imediatamente ao hospital para receber tratamento e medicação. Em vez disso, ele calmamente retirou os eletrodos colados ao peito e disse ao médico: “Preciso ir agora”. Naquele momento, ele decidiu abandonar o modelo médico de saúde e voltar-se ao modelo espiritual. Para se libertar, decidiu confiar na lei divina de Deus, a qual, ele sabia, estava “escrita em seu coração”.

Dois anos depois, em outro emprego, teve de novamente se submeter a um exame médico. Telefonou para um praticista da Ciência Cristã, pedindo-lhe ajuda por meio da oração, e decidiu deixar que Deus guiasse sua carreira e o desdobramento de sua vida. Orou com o praticista, e juntos reconheceram sua união com a Alma e sua expressão ritmada do Amor como a lei invariável de seu existir. Então, ele se submeteu ao exame e foi aprovado, sem apresentar nenhuma ressalva. A médica se surpreendeu com o resultado, mas ele lhe disse que acreditava no poder da oração. Ela sorriu e disse: “Bem, suas orações parecem funcionar, porque você está vivo e pôde fazer o exame de novo!” 

Depois, o médico-chefe viu o resultado e, incrédulo, insistiu em refazer o exame, e saiu o mesmo resultado perfeito. O atestado necessário foi emitido, e esse meu conhecido foi liberado para continuar em seu emprego, com o coração repleto de paz, alegria e profunda gratidão a Deus pela graça sanadora da liberdade.

Essa cura conclusiva mostra que o reino da liberdade é nosso agora — o verdadeiro e único reino, o reino do Espírito infinito. Nunca fomos um mortal limitado, mas sempre somos divinamente dotados de imortalidade, para continuamente produzirmos bons resultados, para alegremente nos relacionarmos uns com os outros, para sermos inesgotavelmente sábios, perpetuamente saudáveis e infinitamente livres de quaisquer impedimentos!

Por sermos filhos da Mente, Deus, sabemos como alçar voo rumo aos luminosos céus da Alma, e cumprir nosso propósito divino. O pensamento impelido pela Verdade voa como uma águia, livre e forte, cada vez mais alto e mais longe. Como um raio brilhante que desponta no céu ao amanhecer, o Cristo nos conduz adiante e para o alto. Podemos voar alto e descansar nas asas das mensagens sagradas do Amor infinito.

Como lemos em Ciência e Saúde: “O Ser de Deus é a infinidade, a liberdade, a harmonia e a felicidade ilimitada. ‘Onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade’ ” (p. 481).

Alcemos voo na liberdade que Deus nos concedeu e percebamos que essa liberdade é a realidade para todos!

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