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Original para a Internet

Impelidos pelo Espírito, nosso “vento a favor”

DO Arauto da Ciência Cristã. Publicado on-line – 7 de setembro de 2026


Já pensou como os velejadores param o barco sem usar freios? Eles direcionam a embarcação diretamente contra o vento. Sem ângulo em relação à brisa, as velas tremulam e o barco perde o impulso. Na náutica, isso é conhecido como ficar "de proa contra o vento".

Ao aprender a velejar, não é difícil nos encontrarmos, sem querer, parados e de proa contra o vento. No entanto, com a prática, desenvolvemos um conhecimento cada vez maior dos princípios da navegação, bem como ganhamos um domínio seguro e a habilidade de evitar que a embarcação fique estática.

Se, a cada passo, nos sentimos frustrados, rejeitados, impedidos, perturbados, menosprezados, talvez pareça como se estivéssemos indo contra o vento. Talvez estejamos enfrentando dificuldades financeiras ou problemas de saúde persistentes, ou nos sintamos vítimas do medo e da injustiça. No entanto, para cada problema que parece nos limitar ou nos constranger, existe uma solução espiritual.

Cristo Jesus demonstrou a verdadeira liberdade: acalmou tempestades, curou todo tipo de pecado e de doença, andou sobre as águas, ressuscitou mortos. Ele ensinou que progredimos quando adoramos a Deus, conscientes de que Ele é o Espírito infinito, e nos desfazemos de errôneos conceitos materiais.

“Mais cedo ou mais tarde aprenderemos que os grilhões da capacidade finita do homem são forjados pela ilusão de que ele viva no corpo em vez de na Alma, na matéria em vez de no Espírito”, escreveu Mary Baker Eddy, a Descobridora e Fundadora da Ciência Cristã (Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, p. 223).

A humanidade como um todo acredita que nosso universo seja material e mortal, governado por leis físicas que nos tornam vítimas indefesas do acaso e de limitações. Não será que essas suposições estão equivocadas?

Hoje consideramos ridícula a ideia de a terra ser plana, mas na antiguidade esse era um conceito amplamente aceito. Antes que a compreensão dos fatos científicos corrigisse esse engano, o progresso da humanidade ficou limitado por aparências equivocadas. Imaginem a que ponto esse conceito errado influenciou decisões e planos da humanidade.

Na atualidade, alguns cientistas, como o astrofísico Richard Conn Henry, da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, têm desafiado a crença arraigada de que a matéria seja substância. Um artigo do professor Henry argumenta que precisamos “abandonar nossa tendência de conceituar observações como se fossem coisas”, asseverando que experimentos da mecânica quântica refutam teorias sobre a natureza substancial da matéria e indicam o oposto, isto é, que “o Universo é imaterial, é mental e espiritual” (“The Mental Universe” [O universo mental], revista Nature [Natureza], 7 de julho de 2005).

Mary Baker Eddy, cuja descoberta da Ciência do Cristianismo antecedeu o surgimento da física quântica no pensamento mundial, fez muitas afirmações revolucionárias que nos libertam de algemas mentais, como por exemplo: “Os mortais não são mais materiais nas horas em que estão acordados, do que quando agem, andam, veem, ouvem, se deleitam, ou sofrem, em sonhos”, “A Ciência divina, que está acima das teorias físicas, exclui a matéria, explica que as coisas são pensamentos, e substitui os objetos do senso material por ideias espirituais” (Ciência e Saúde, pp. 397, 123) e “…o físico é simplesmente o pensamento manifestado” (Escritos Diversos 1883–1896, p. 34).

Para melhor compreender que as coisas são pensamentos — são mentais, não materiais, embora tangíveis — lembremos como vivenciamos as coisas nos sonhos, enquanto dormimos. Nos sonhos, pessoas, lugares e objetos têm forma, contorno e cor, contudo, sabemos que o sonho não possui substância física.

Nossos pensamentos são importantes, pois eles determinam nossa experiência. Reconhecer que as coisas são pensamentos nos ajuda a discernir a natureza ilusória de tudo o que é dessemelhante de Deus, o Espírito. Quando rompemos o domínio hipnótico da crença popular e ficamos conscientes da realidade divina, a cura acontece.

No início de meu casamento, eu sofria com uma erupção cutânea crônica e incômoda nos dedos. A situação me deixava constrangida, e eu evitava cumprimentar as pessoas com um aperto de mãos. Eu orava e depois examinava as mãos e ponderava: “Certamente já devem estar melhor”. A irritação, no entanto, não cedia e, por vezes, até piorava. Os meses passaram, e eu me sentia frustrada e desanimada. Parecia que continuava “enfrentando um vento contrário”. 

Na época, meu marido e eu éramos habilidosos em restaurar casas históricas, adeptos do conceito “faça você mesmo”. Formávamos uma boa equipe, no entanto, vez ou outra, discordávamos sobre como conduzir o trabalho. Depois de uma discussão particularmente acalorada, acordei na manhã seguinte sentindo uma irritação no dedo anular, embaixo da aliança de casamento. Notei uma erupção no dedo. A mensagem não poderia ter sido mais clara. Ciência e Saúde explica: “A mente mortal... sente, ouve e vê seus próprios pensamentos” (p. 86).

Na hora compreendi que o problema estava nas opiniões ressentidas e obstinadas que vinha nutrindo. Esses pensamentos jamais poderiam me definir como a imagem e semelhança do Espírito divino descrita em Gênesis 1:26, 27. Somos seres espirituais, criados para expressar e glorificar o Espírito. Refletimos a harmonia, a graça, a paz e a segurança que se originam em Deus, o bem, e não as discórdias conflituosas e dissonantes da terra, como irritação, obstinação, justificação própria, medo, e assim por diante.

Esse foi um momento decisivo. Em vez de procurar sinais de melhora no corpo, passei a vigiar meus pensamentos, redobrando os esforços para ter a “mente de Cristo”, como diz o Apóstolo Paulo (ver 1 Coríntios 2:16). Comprometi-me a corrigir as suposições materiais enganosas com as verdades espirituais. E, em situações estressantes, nas quais meu marido e eu não víamos um caminho claro a seguir, concordamos em aguardar com calma a orientação de Deus, a Mente divina. A humildade abriu nosso pensamento para o senso tranquilo e intuitivo da certeza que acompanha a inspiração espiritual.

Com essa mudança radical de pensamento, deixei de ficar “de proa contra o vento”, e a irritação na pele desapareceu. Embora tenha reaparecido uma ou duas vezes de maneira mais leve, ela sumiu de vez quando eu reconheci sua natureza ilusória.

Os conceitos convencionais sobre a realidade e a substância estão mudando no pensamento atual. À medida que conceitos mortais forem substituídos pela compreensão a respeito do Cristo, a Verdade, sentiremos a brisa da Mente divina impulsionando nossas velas. Demonstraremos saúde e liberdade e avançaremos livres, sempre apoiados pelo Espírito, que é o “vento a favor”.

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