Em um domingo de manhã, enquanto eu me preparava para o culto em nossa filial da Igreja de Cristo, Cientista, esta pergunta me veio ao pensamento, de maneira bastante incisiva: “E se mais ninguém aparecer?” Eu estivera orando pelo culto dominical, mas, naquele momento, tive a impressão de que minhas orações estavam sendo postas à prova.
Depois de orar um pouco mais, recebi uma resposta de Deus, a qual acalmou aquele medo: “Deus guia Seus filhos para onde eles precisam estar”. Fiquei grata por esse pensamento confortador e me senti em paz, enquanto continuava a me preparar para o culto.
Contudo, a caminho da igreja, deparei-me com outra pergunta: “Então, se é Deus quem traz Seus filhos à igreja, qual a razão de sermos trazidos ali?” Logo em seguida, esta resposta me veio rapidamente ao pensamento: “Faça seu trabalho, e Deus fará o dEle”.
Essa ideia não só silenciou minhas dúvidas e receios, mas também me trouxe uma grande inspiração. Ficou claro para mim que não é função dos membros e frequentadores atrair mais pessoas para encher os bancos da igreja. Nossa função é realizar o trabalho necessário para que o culto seja oferecido — permitir que nossos pensamentos irradiem a luz do Cristo, e estar prontos para receber as pessoas que são guiadas à nossa igreja pelo Pai-Mãe Deus, para aprenderem mais a respeito dEle.
Cristo Jesus disse: “…Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também” (João 5:17). O exemplo de Jesus mostrou que Deus está sempre cuidando de Seus filhos — como o pastor cuida de suas ovelhas — e conduzindo-os por bons caminhos. Mostrou também que nós, os filhos de Deus, podemos expressar Seu amor e bondade ao participarmos das atividades da igreja — estando prontos para acolher e amar nossa comunidade. Essa é uma manifestação de gratidão a Deus pelos ensinamentos e obras de cura de Cristo Jesus — obras de cura que ainda hoje são possíveis e continuam a acontecer. O trabalho na igreja não é um fardo, mas uma bênção, tanto para nós quanto para nosso próximo.
Lemos em três relatos dos Evangelhos que, certa vez, Jesus levou três de seus discípulos a um monte alto, onde foi transfigurado — seu rosto e suas vestes brilharam intensamente — e ele conversou com Moisés e Elias (ver Mateus 17:1–8). Pedro, o discípulo, disse: “Senhor, bom é estarmos aqui”, reconhecendo a importância do acontecimento.
Esta afirmação: “bom é estarmos aqui” merece uma reflexão. Podemos usá-la para refutar a sugestão de que não precisamos estar na igreja, bem como o receio de que outros não virão. Somos sempre abençoados, quando obedecemos à orientação de Deus e nos dispomos a constatar as muitas maneiras pelas quais o Cristo é revelado em cada aspecto do trabalho na igreja.
Naquela mesma manhã de domingo, enquanto eu orava pela igreja, o superintendente e único professor da Escola Dominical estava sentado à sua mesa, pronto para receber os filhos de Deus, crianças e jovens, e orando pelo período de aula que estava prestes a começar. As portas da Escola Dominical se abriram, e eis que entra um homem que havia frequentado a Escola Dominical de nossa igreja muitos anos antes. Fazia muito tempo que ele havia deixado a Ciência Cristã, mas estava visitando a cidade e decidiu assistir ao culto. Ele estava curioso para saber se a igreja continuava aberta e no mesmo local, e ficou feliz ao descobrir que sim. Após o culto, esse visitante disse aos membros da igreja que havia se dado conta de que Deus, a Verdade, nunca o havia abandonado, mas permanecera com ele durante todos aqueles anos. Ficamos muito gratos por estarmos presentes ali, para receber esse visitante naquele dia!
Percebi também que fora seu pensamento receptivo e semelhante ao de uma criança que o havia conduzido às portas que conhecera quando criança. E, apesar de não haver agora nenhum aluno matriculado na Escola Dominical, as portas estavam abertas, e o professor estava preparado, porque o pensamento da congregação, como um todo, também estava receptivo. Essa experiência simples, mas significativa, ajudou a proporcionar aos membros da igreja um senso renovado de nosso propósito.
O estatuto de nossa igreja estabelece que ela foi constituída visando a manter, em nossa cidade, uma filial dA Igreja Mãe, A Primeira Igreja de Cristo, Cientista, de Boston, Massachusetts, “para o culto público a Deus, para a cura da doença e do pecado, de acordo com os ensinamentos da Bíblia Sagrada e de Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, de autoria de Mary Baker Eddy”.
Ao ponderar sobre isso, fiquei impressionada com o anseio dos membros fundadores de ajudar as pessoas da comunidade a encontrar o caminho rumo à preciosa dádiva da Ciência Cristã. Essa missão continua, e nós a estávamos cumprindo naquela manhã de domingo — e ficamos gratos por ver o resultado de nossos contínuos esforços.
Recentemente, mais um desses pequenos receios relacionados com a frequência à igreja instalou-se em meu pensamento, em uma manhã de domingo, quando eu estava exercendo a função de indicadora. Dessa vez, o receio era: “E se os visitantes virem apenas umas poucas pessoas aqui?” Rapidamente veio a resposta de Deus: “É Deus que está proporcionando o banquete, e cada um de nós vem à mesa para tomar parte nele”. Para mim, isso queria dizer que, se eu estivesse com fome, e fosse convidada para um jantar, provavelmente não prestaria muita atenção ao número de pessoas à mesa, mas, sim, agradeceria pela refeição preparada para mim.
Foi uma imagem bela e prática, que eu poderia relacionar aos cultos da igreja. Os membros podem ficar constrangidos diante de uma aparente escassez. Mas, será que algo para o qual Deus convida Seus filhos pode apresentar carência de alguma coisa? Não! Um culto ou reunião de testemunhos da Ciência Cristã está repleto de amor e inspiração, é governado por Deus e oferecido à comunidade por corações gratos. O culto em si é o banquete para o qual corações famintos foram convidados pelo Pai-Mãe Deus, e podemos ter a certeza de que os convidados sairão gratos pelas verdades ouvidas durante o culto. Alguns minutos depois de eu ter refletido sobre essa lição espiritual, um novo visitante, que havia tomado conhecimento da igreja por meio de nossa Sala de Leitura, entrou e assistiu ao culto.
Com base em experiências como essas, estou aprendendo a ser grata, quando surgem dúvidas a respeito da igreja, porque sempre constato que a verdade é exatamente o oposto dessas dúvidas, e lembro e vivencio o que Pedro disse: “…bom é estarmos aqui”.
É sempre bom frequentar a igreja, apoiar em oração os cultos e reuniões de testemunhos, servir na Sala de Leitura, e assim por diante — ser obediente a Deus e trabalhar em colaboração com Ele. Estes versos de um hino do Hinário da Ciência Cristã ajudam a esclarecer como isso abençoa a nós e aos outros:
Se o ego predomina,
Enfraquece o coração,
Mas amar mantém a vida,
E, servindo, cresce o amor.
(Elizabeth Charles, 360, trad. e adapt. © CSBD)
Deus está sempre fazendo Seu trabalho, e nós estamos fazendo o nosso, deixando que a luz do Cristo brilhe em nosso modo de viver. Juntos podemos dizer com alegria: “[Nosso] Pai trabalha até agora, e [nós trabalhamos] também”. E esse trabalho abre caminho para que novos amigos tomem lugar à mesa e participem do generoso banquete de Deus.
