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Original para a Internet

O que significa ser ‘filho da luz’

DO Arauto da Ciência Cristã. Publicado on-line – 14 de outubro de 2021


Este ano, um estudo mais aprofundado da Epístola de Paulo aos Efésios, na Bíblia, captou meu pensamento. Em seis capítulos, lemos a respeito de como podemos nos despojar “do velho homem”, ou seja, de uma forma de pensar fundamentada na matéria, e como podemos nos revestir “do novo homem”, uma forma de pensar alicerçada no Espírito, Deus (ver Efésios 4:22, 24). Esse novo homem é o homem criado à imagem e semelhança de Deus, como está exposto no primeiro capítulo do Gênesis. É a isso que o apóstolo Paulo se refere quando escreve: “...Cristo em vós, a esperança da glória; ...” (Colossenses 1:27). Esse novo homem é também mencionado, coletivamente, como “filhos da luz” (ver Efésios 5:8). Filhos da luz são aqueles que abandonaram as formas obscuras de pensar e agir, e incorporaram a luz do Cristo, a Verdade.

Mas como? Como fazer isso em um mundo que parece estar atormentado pelo medo, pela doença, pelas trevas e pela morte? Paulo nos dá a resposta em Filipenses. Ele escreve: “Que haja em vós a mesma Mente que houve também em Cristo Jesus” (Filipenses 2:5, conforme a Bíblia em inglês, versão King James). A mente que está em Cristo Jesus está repleta de pensamentos da Mente divina, Deus. Cristo Jesus refletia, recebia, seus pensamentos diretamente de Deus, assim como nós, à medida que deixamos para trás a concepção material a respeito da existência e nos voltamos àquilo que é unicamente espiritual.

Mary Baker Eddy, que descobriu a Ciência Cristã, escreve, em Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, sobre a necessidade dessa transição do pensamento. Ela diz: “Agir por motivos pecaminosos destrói teu poder de curar pelo motivo correto. Por outro lado, se tivesses a inclinação ou o poder de agir erradamente e depois adotasses a Ciência Cristã, o poder errôneo seria destruído” (p. 452). A maneira como a Sra. Eddy utiliza a palavra adotar indica que, se nosso motivo para curar estiver errado, por exemplo, se estivermos abordando a cura a partir da base da matéria, em vez de a partir da base do Espírito, podemos mudar a nossa abordagem, adotar a Ciência Cristã, e então “o poder errôneo” é destruído. Por quê? Porque aceitamos o Espírito, Deus, como o único poder.

Adotar o poder da Ciência Cristã é aceitar a lei de Deus, da maneira como Cristo Jesus a ensinou. É acolher em nossa consciência, ou seja, nosso lar mental, o poder e a presença de Deus. É trazer para nossa vida o fato de que Deus é Tudo. Quando adotamos a ideia correta, a lei de Deus, estamos efetivamente acolhendo a onipotência de Deus. Então, ao mesmo tempo, a falsa crença em uma lei que se opõe a Deus se dissolve, porque não podemos permanecer em uma base em que tanto a matéria quanto o Espírito sejam tomados como se fossem lei.

Cristo Jesus praticava a cura a partir da base em que o poder do Espírito, Deus, está acima da crença de que haja vida na matéria. Ele compreendia a “beleza da santidade” (Salmos 29:2), ou, em outras palavras, a perfeição do existir, como foi comprovado por seu caráter, pensamento e ação. Essa perfeição se origina na Mente divina, Deus, e se expressa por meio da ideia da Mente, o homem, o “macho e fêmea” da criação de Deus. Não queremos então, como filhos da luz, emanar também a luz divina? Não queremos possuir uma perfeição e uma plenitude inatas, recebidas de Deus, o bem? Não queremos negar, de maneira natural, qualquer senso de que exista outro poder ou inteligência que se oponha a Deus, o bem? Com certeza! E o fazemos, como imagem de Deus.

Ao orar sobre o que significa ser filho da luz, fica mais claro que as falsas crenças podem ser eliminadas da consciência e do corpo por meio do poder da Vida, da Verdade e do Amor, que são sinônimos de Deus. Quando algo falso é reconhecido como inverídico, esse algo já não mais se manifesta como real. É sobre isso que Pedro fala ao escrever que, como filhos da luz, Deus, o bem, “...vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz; ...” (1 Pedro 2:9).

O que é essa maravilhosa luz? É a luz do Cristo, a Verdade, mostrando o existir perfeito do homem, a relação perfeita que Deus tem com o homem. Nessa luz não há escuridão, nenhum lado de fora, nenhum lado negativo. Essa maravilhosa luz emana da Mente divina, Deus, e inunda a consciência com a Verdade, a realidade de Deus, a qual se expressa como homem. E assim, podemos deixar a luz do Cristo, a Verdade, estar presente em nosso pensamento, porque, em realidade, ela já está ali!

A luz, como sabemos, torna as coisas visíveis. Essa iluminação se espalha sem esforço até mesmo aos cantos mais escuros. A luz divina do poder espiritual, luminoso e radiante, torna clara nossa visão, eleva nossa perspectiva até o Espírito, e nos estabelece na Mente divina, que ilumina todo o bem. Ciência e Saúde ensina: “Os raios da Verdade infinita, quando convergem para um foco de ideias, produzem luz instantaneamente, ao passo que mil anos de doutrinas humanas, hipóteses e vagas conjeturas não emitem tal fulgor” (p. 504). O mundo é transformado, até certo ponto, cada vez que nosso pensamento individual é transformado.

A transformação espiritual ocorre com a quimicalização científica. A quimicalização não é uma agitação que ocorre na matéria com respeito à matéria. Ao contrário, é uma mudança na maneira de pensar ― mudança que ocorre na própria base do pensamento, ou seja, uma mudança da matéria para o Espírito. Quando o pensamento se transforma, então nossa experiência também se transforma. Essa transformação que acontece é a cura.

Quando uma de nossas filhas era pequena, só raramente ficava animada ou se envolvia em atividades com seus colegas. Ela era mais do que apenas tímida ou muito tranquila. Não parecia expressar a vivacidade e a alegria de uma criança pequena. Naturalmente, eu desejava que minha filha fosse feliz, por isso comecei a lhe dar tratamento pela Ciência Cristã, a fim de vê-la em seu estado perfeito do existir, como filha de Deus, feliz e ativa. Fui inspirada a ler esta declaração de Ciência e Saúde: “O homem real é imortal e espiritual, mas os chamados ‘filhos dos homens’, mortais e imperfeitos, são, desde o começo, falsificações que têm de ser abandonadas a favor da realidade pura. O mortal é descartado, e o novo homem, o homem real, toma seu lugar, na proporção em que os mortais compreendem a Ciência do homem e procuram o modelo verdadeiro” (p. 409). 

Por meio da oração, comecei a compreender com mais clareza o carácter espiritual e a natureza espiritual de nossa filha. Compreendi que ela era uma ideia na Mente divina, refletindo energia, felicidade, perfeição, completude e vivacidade. Ficou muito claro para mim que nenhuma das ideias da Mente pode ser jamais sem graça ou sem expressão. Cada ideia reflete a beleza da santidade e as glórias da Alma, Deus, com sua ação, esplendor, brilho e vitalidade. Esse era o verdadeiro modelo, o “filho da luz”, a perfeição do existir.

A transformação começou a acontecer depressa, assim que aceitei essas ideias corretas e passei a adotá-las em meu pensamento. Nossa filha logo se tornou cheia de vida, de dinamismo, de ânimo, de vigor e de individualidade. Compreendi espiritualmente que sua verdadeira identidade não podia ficar escondida por qualquer forma de escuridão. Vi a transformação do “velho homem” para o “novo homem”, à medida que a cura ocorria. A luz dentro dela, o Cristo, foi revelada. Hoje, ela é ativa, feliz, cheia de disposição e de energia!

Não importa o que tenhamos de enfrentar individualmente, as crenças errôneas com que nos confrontamos são tão suscetíveis à correção como os ingredientes de uma receita são alterados no processo de fermentação, na produção do pão. Ao pensar de maneira científica correta, nossos pensamentos são quimicalizados e alterados, e o resultado é a cura. Tudo o que não está alinhado com Deus sobe até a superfície, para que possa ser eliminado. A Sra. Eddy escreve em Ciência e Saúde: “O erro mortal se dissipará em uma quimicalização moral. Essa fermentação mental já começou, e continuará até que todos os erros da crença cedam à compreensão. A crença é mutável, mas a compreensão espiritual é imutável. À medida que essa ultimação se aproximar, aquele que tiver pautado seu curso de acordo com a Ciência divina resistirá até o fim” (p. 96). Mais adiante no livro, ela explica: “Aquilo que eu denomino quimicalização é a agitação que se produz quando a Verdade imortal está destruindo a crença mortal errônea. A quimicalização mental traz à tona o pecado e a doença, forçando a eliminação das impurezas, como no caso de um líquido em fermentação” (Ciência e Saúde, p. 401).

Uma vida transformada, um lar e uma consciência cheios de luz! Não é isso o que todos nós procuramos? Na verdade, é isso o que o filho da luz já possui e reflete do Amor divino. Essa é a beleza da santidade, a perfeição do existir, a qual todos nós expressamos.

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“...para anunciar a atividade e disponibilidade universal da Verdade...”

— Mary Baker Eddy, The First Church of Christ, Scientist, and Miscellany p. 353 [A Primeira Igreja de Cristo, Cientista, e Outros Textos]

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