Pensemos em como deve ter sido. Ele era totalmente bom — completamente puro, santo, bondoso e justo. Seu amor não fazia restrições, e ele tinha um histórico perfeito de curas. Apesar de tudo isso, Jesus foi condenado à morte como se fosse um criminoso. A “coroa” que usou no dia da crucificação — uma coroa de espinhos — era um escárnio à profecia da importância que ele teria na história da humanidade. Para os observadores, especialmente aqueles que o conheciam e amavam, isso deve ter parecido o fim — o pior fim possível. Apesar do que Jesus lhes havia prometido, parecia não haver esperança de que ele iria ressuscitar.
Às vezes, pode parecer que estamos passando por situação semelhante, embora em menor proporção. Em meio à angústia, seja na forma de medo, de uma enorme decepção, traição ou dor física, não temos, de modo algum, certeza da vitória sobre o aparente peso das circunstâncias materiais.
Mas, por mais terrível e injusta que tenha sido a crucificação de Jesus, um aspecto positivo dessa situação, o qual pode nos infundir ânimo durante nossas próprias lutas, é que Jesus havia sido preparado em experiências anteriores — como foi Davi, que derrotara um urso e um leão antes de enfrentar e triunfar sobre Golias. A Bíblia fala de três pessoas que Jesus ressuscitou: a filha de Jairo, de doze anos, que acabara de falecer; o filho adulto de uma viúva, o qual havia morrido no dia anterior; e seu amigo Lázaro, que fora sepultado havia quatro dias. Após essas provas convincentes de que a Vida é imperecível, Jesus enfrentou e venceu a crença extrema na vida e morte materiais, e ressuscitou. No dia em que os cristãos comemoram a Páscoa, celebra-se a prova definitiva, apresentada pelo Salvador ressuscitado, de que o triunfo sobre o ódio, a violência e até mesmo a morte não foi apenas possível, mas inevitável. E essa prova não se restringiu apenas a ele mesmo, mas se estende a todos os que seguirem seus passos.
No final, não foi uma coroa de espinhos que ficou sobre a cruz, mas uma coroa real que a circundou — o símbolo de autoridade soberana. O escárnio havia sido substituído pelo domínio e, acima de tudo, pela majestade. O triunfo de Jesus foi incomparável, mas a Ciência Cristã deixa claro que ele traçou o caminho para todos nós. Falando sobre nossas próprias experiências relacionadas à cruz e à coroa (metaforicamente falando), a Descobridora da Ciência Cristã, Mary Baker Eddy, escreveu: “O bem que fazes será difamado. Essa é a cruz. Toma-a e carrega-a, pois graças a ela ganhas e cinges a coroa” (Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, p. 254).
É muito encorajador compreender que momentos de intenso sacrifício da vontade pessoal e do ego nos capacitam a usar a coroa. Outra interpretação da passagem acima poderia ser que, apesar de tudo — independentemente de quão “insuperável” pareça o obstáculo que estejamos enfrentando — estamos sempre usando a coroa. Ciência e Saúde assegura que, em realidade, a vitória está ao alcance da mão, mesmo em meio a uma luta: “Aquela mesma circunstância que teu senso sofredor considera ameaçadora e aflitiva, o Amor pode converter em um anjo que acolhes sem o saberes” (p. 574).
Como isso é possível? Somente a vida de Jesus, considerada com base nos ensinamentos da Ciência Cristã, poderia responder a essa pergunta. A cada cura, cada repreensão dirigida a crenças teológicas a respeito de Deus, acalentadas havia muito tempo, porém falsas, Jesus provou que a vida que está no Espírito e é do Espírito, Deus, é a única realidade de todos nós. Nosso Pai-Mãe Deus é o Amor e a Vida — incorruptível, imperecível, eterna — a verdadeira fonte e substância de nosso existir.
Isso significa que as curas realizadas por Jesus e outras demonstrações do poder e da presença de Deus não eram o resultado de uma luta contra outro poder real chamado o mal. Ao contrário, elas mostravam a supremacia de Deus, o bem, e o fato de que Ele é tudo, o que torna obsoleta a crença no mal e na mortalidade. A cura se seguia a essa revelação de que o reino de Deus está ao nosso alcance, embora para Jesus esse reino — e a santidade e integridade de cada indivíduo como filho amado de Deus — sempre estivesse presente, sempre tivesse estado e sempre estaria visível.
Para os observadores, ao longo de todo o ministério de Jesus, provavelmente havia um grande sentimento de esperança, bem como um senso de curiosidade e talvez até de expectativa. Será que esse homem, Jesus, seria capaz de efetuar curas nesta cidade, ou ajudar essa pessoa, da mesma forma que fizera em outros locais e a outras pessoas? Mesmo os discípulos que o acompanhavam em suas viagens, e certamente percebiam o crescente número de curas realizadas por Jesus, continuavam tendo dúvidas. Após a ressurreição, porém, isso mudou. Ao falar sobre a florescente compreensão espiritual dos discípulos, a Sra. Eddy diz que a ressurreição de Jesus “…foi também a ressurreição deles. Ajudou-os a elevarem-se a si mesmos e aos outros da lerdeza espiritual e da crença cega em Deus, até a percepção de possibilidades infinitas” (Ciência e Saúde, p. 34).
Era como se agora tivesse sido revelado que a cruz e a coroa, anteriormente separadas, estivessem permanentemente unidas, com a coroa sobre a cruz. Jesus havia demonstrado que, para cada provação humana, mortal, existe a verdade a respeito da supremacia do Espírito, a qual está ao alcance de todos para ser vista e vivenciada. E, nos séculos que se seguiram, inúmeras curas se realizaram.
E continuam a ser realizadas até hoje. Ao seguirmos o exemplo de Jesus, cada cura, por menor que possa parecer, é mais uma prova de que a realidade radiante do bem divino é a única realidade, pois nossas orações estão fundamentadas na mesma lei divina da Vida e do Amor que era a base das demonstrações de Jesus. E somos fortalecidos por compreender e reivindicar a imunidade que nos é dada por Deus, mesmo durante momentos difíceis, porque Jesus nos mostrou que essa imunidade está assegurada.
A promessa da Páscoa — simbolizada por uma cruz coroada com o símbolo supremo de soberania e vitória — é que o fato de Jesus ter vencido o ódio com o Amor e a morte com a Vida não foi apenas um triunfo glorioso, mas um triunfo inevitável. É o fundamento seguro do nosso próprio trabalho de cura e por meio do qual ele se concretiza.
Ethel A. Baker
Redatora-Chefe
