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Original para a Internet

A expectativa de cura em nossas igrejas

DO Arauto da Ciência Cristã. Publicado on-line – 8 de junho de 2026


Desde tempos imemoriais, as igrejas são consideradas santuários, locais de acolhida para almas em busca de conforto e fortalecimento. Historicamente, elas serviram até mesmo como refúgios, onde as pessoas podiam se proteger de ataques e, em alguns casos, obter imunidade temporária contra acusações de terem cometido algum crime. Por isso, não é difícil entender por que atualmente as pessoas continuam a buscar refúgio em locais onde se realizam cultos religiosos.

Mas, quando os necessitados chegam às nossas igrejas, será que também encontram a cura pela qual tanto anseiam? Será que encontram a libertação não apenas das tristezas e medos que os oprimem, mas também do pecado, da doença e até mesmo da morte, e das chamadas leis materiais que condenariam a humanidade a sofrer desses males?

Outro ponto igualmente importante: será que nós temos a expectativa da cura? Se não, deveríamos ter.

A Bíblia nos relata que Cristo Jesus realizou ao menos três curas em sinagogas, que era onde ele costumava ensinar. Certa ocasião, ao entrar, ele viu um homem com a mão ressequida. Os líderes religiosos, conhecendo a reputação de Jesus como sanador, procuravam ver se ele infringiria a lei, segundo o conceito deles, e curaria o homem naquele dia — sábado, ou seja, em um dia sagrado. Jesus desafiou aqueles líderes: “…Que vos parece? É lícito, no sábado, fazer o bem ou o mal? Salvar a vida ou deixá-la perecer?” Percebendo que havia apenas uma resposta adequada para essa pergunta, os escribas e fariseus permaneceram em silêncio e ficaram observando para ver o que ele faria. E Jesus curou o homem (ver Lucas 6:6–10).

Por um lado, o leitor pode concluir que essa era apenas mais uma demonstração da autoridade divina de Jesus para curar. Mas, por outro lado, não seria essa uma reprimenda enfática à sugestão de que a cura não ocorre, ou não pode ocorrer, em nossas igrejas, e uma declaração da importância de termos essa expectativa de cura, expectativa essa que demonstraria a utilidade de nossas igrejas atualmente?

Para Jesus, a cura era a essência e a substância de seu ministério. Onde quer que fosse, ele realizava curas — nas ruas, nas encostas das colinas, nas casas e, sem dúvida, nas sinagogas. O Cristianismo que ele professava não era mera teoria ou um fenômeno que fazia as pessoas se sentirem bem. Era sempre a demonstração do Amor divino, do harmonioso governo divino do universo e da perfeição do homem, a imagem e semelhança de Deus. Jesus mostrou que a cura ocorre sempre e onde quer que o espírito e a compreensão de seus ensinamentos sejam assimilados e colocados em prática. Por isso, deveria ser natural termos a expectativa da cura em todos os cultos e reuniões de testemunhos da Ciência Cristã.

Mary Baker Eddy, a Fundadora dA Primeira Igreja de Cristo, Cientista, esperava que as igrejas da Ciência Cristã fossem santuários de cura. “A Sra. Eddy disse certa vez a um aluno que ela ansiava pelo dia em que qualquer pessoa que entrasse em uma igreja da Ciência Cristã, não importando quão doente ou quão triste essa pessoa pudesse estar, fosse curada, e que esse dia somente poderia vir quando cada membro da igreja estudasse e demonstrasse a verdade contida na Lição Bíblica e levasse com ele para o culto a consciência assim preparada” (Florence Clerihew Boyd, “Em vigília com o Cristo”, O Arauto da Ciência Cristã, dezembro de 2011 ).

Hoje em dia, será que vamos aos cultos e reuniões de testemunhos da igreja com a consciência espiritual que restaura corações e cura os enfermos? Estamos atentos à promessa divina de cura, ao fato de que Deus é tudo e é onipresente? Ou será que nos habituamos a considerar a igreja meramente como um lugar aonde vamos abastecer nossas reservas espirituais com um pouco de inspiração, antes de seguir para outras atividades?

Se parece que isso é o que a igreja se tornou para nós, talvez estejamos prestando atenção demasiada ao gotejar incessante da materialidade — à sugestão da mente carnal de que a oração não funciona, que não pode curar mental nem fisicamente. Ou talvez tenhamos aceitado a ideia de que colocar a Ciência Cristã em prática hoje não é tão fácil como era nos primórdios de nossa igreja.

Atualmente, em vez das tradições e doutrinas dos escribas e fariseus que disseminavam a descrença e a oposição, temos a medicina material e as leis físicas de saúde, as quais alegam governar nossa vida e nosso corpo. Elas nos fariam acreditar que a cura ocorre apenas com auxílio na matéria. Na verdade, essas crenças opositoras estão fazendo o que os adversários de Jesus faziam na sinagoga: estão negando o Cristo, a verdadeira ideia de Deus — quase desafiando alguém a curar espiritualmente em nome do Cristo. A respeito dessa intromissão na prática da cura espiritual, Jesus disse: “…surgirão falsos cristos e falsos profetas operando grandes sinais e prodígios para enganar, se possível, os próprio eleitos” (Mateus 24:24).

Não nos deixemos enganar nem nos curvemos a esses intrusos. Se percebermos que estamos escorregando para o caminho que leva à aceitação dessas intromissões, podemos criar ânimo com base na promessa eterna de Deus ao profeta Jeremias: “…te restaurarei a saúde, e curarei as tuas chagas…” (Jeremias 30:17). Jesus infundiu em seus discípulos essa confiança em que Deus é Tudo-em-tudo e em que o Cristo eterno, a Verdade, é o poder de cura e salvação. Por meio de suas obras de cura, ele demonstrou que o Cristo nos dá autoridade sobre toda crença de doença ou pecado.

O Cristo é para as desarmonias do senso material o que a luz é para as trevas — sua presença basta para extingui-las. A Verdade não faz concessões às mentiras, meras impostoras dos sentidos materiais; não trata de persuadi-las, não se rende a elas, nem sequer aceita sua existência. O pecado, a doença e a morte, assim como as trevas, não podem coexistir com a luz da Verdade. Eles são a suposta ausência do bem de Deus, cuja onipresença traz à luz o fato de que os males todos não possuem causa nem poder.

Assim como nas sinagogas da época de Jesus, atualmente em nossas igrejas, a cura ocorre sempre que o espírito da Verdade e do Amor é percebido e reconhecido. Muitos de nós somos testemunhas vivas disso, como pode ser constatado nos artigos e testemunhos publicados mensalmente nO Arauto da Ciência Cristã e nas outras publicações da Ciência Cristã. Ao longo dos anos, eu pessoalmente tive inúmeras curas, inclusive nos cultos e reuniões de testemunhos da igreja. Essas curas vão desde alcançar paz de espírito em situações problemáticas no trabalho e em casa, até curas físicas.

Em um domingo de manhã, enquanto me preparava para exercer a função de Primeiro Leitor na filial da Igreja de Cristo, Cientista, da qual sou membro, eu tive uma dessas curas. Quando acordei, não tinha voz. Poderia ter pedido para alguém me substituir, mas, enquanto orava, ocorreu-me que eu deveria ir ao culto com a expectativa da cura. Naquela semana, eu havia recebido a inspiração da Lição Bíblica do Livrete Trimestral da Ciência Cristã que eu estudara em preparação para o culto. A Lição enfatizava o fato de que nós, como imagem e semelhança de Deus, expressamos saúde e harmonia e, portanto, temos domínio sobre a doença e a desarmonia humana de qualquer espécie. Concluí que, se eu verdadeiramente possuía esse domínio, deveria ser capaz de manifestá-lo. Fui à igreja naquela manhã preparado para ler, porém, até a hora de o culto começar, a voz ainda não saía. Mas, ao me agarrar à verdade de que toda a existência é espiritual, perfeita e completa, dei início ao culto e minha voz voltou.

Em outra ocasião, devido ao meu desejo de cumprir o compromisso de ler em uma reunião de testemunhos, fui curado de lesões em ambas as pernas, que dificultavam muito o caminhar. Não tenho dúvida de que as orações das pessoas que se encontravam na igreja, e sua consciência espiritualizada, contribuíram para ambas as curas.

Nossa Líder declara: “Os centros estruturados da Ciência Cristã são fontes vivificantes da verdade. Nossas igrejas, The Christian Science Journal e o Livrete Trimestral da Ciência Cristã são fontes prolíficas de poder espiritual, cuja força intelectual, moral e espiritual é sentida por todo o país” (Escritos Diversos 1883–1896, p. 113).

Estamos nós vendo nossas igrejas como fontes vivificantes da Verdade e do Amor? O profeta Isaías diz: “Ah! Todos vós, os que tendes sede, vinde às águas,\; e vós, os que não tendes dinheiro, vinde, comprai e comei; sim, vinde e comprai, sem dinheiro e sem preço, vinho e leite” (Isaías 55:1). Consideremos esse convite como uma metáfora para nossas igrejas. Que as pessoas venham e sejam curadas. Como Cientistas Cristãos, oremos para expressar mais o espírito do Cristo que realiza a cura, e levemos conosco para cada culto e reunião de testemunhos a expectativa da cura.

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