Uma das minhas amigas havia me magoado. Já fazia alguns meses, e embora eu soubesse que deveria ter esquecido as palavras dela, sentia imensa dificuldade em superar esse episódio. E agora eu estava viajando com um grupo de amigos, e ela também estava junto.
Eu não queria guardar rancor, mas qualquer coisinha que ela fizesse parecia me perturbar demais. E quanto mais coisas ela fazia, mais o rancor se intensificava. A situação chegou a tal ponto que comecei a ficar de fora de algumas atividades, só porque a garota iria participar delas.
Passados alguns dias, percebi que ela também não estava muito à vontade comigo. A tensão entre nós estava estragando toda a viajem.
De início, tentei resolver o problema por minha conta. Procurei, por exemplo, ocupar meus pensamentos com outras coisas, conversar com algumas pessoas a respeito do quanto eu estava com raiva, e ignorar essa garota. Nada disso funcionou.
Certa noite, eu não conseguia pegar no sono. Estava tomada pela raiva a ponto de esse sentimento estar me dominando. Eu me revirava na cama, sem conseguir chegar nem perto de sentir alguma paz, ou calma. Levantei-me e fui conversar com a praticista da Ciência Cristã que viajava conosco. O trabalho de um praticista é ajudar-nos a enxergar tudo mais espiritualmente, então procurá-la, pensei, me ajudaria a ver tanto a natureza espiritual daquela garota quanto a minha, além de reconhecer nossa inocência e nossa capacidade de amar.
Não pude evitar de cair no choro, ao contar o que estava acontecendo. Eu vinha me esforçando tanto para me livrar de todo o ódio, de toda a raiva e dor, mas parecia simplesmente que não conseguia.
A praticista me disse que eu poderia “entregar a situação a Deus” — em outras palavras, confiar em que Deus me ajudaria e confortaria, em vez de pensar que eu tinha de resolver tudo por conta própria. Isso me lembrou de uma passagem da Bíblia que eu já ouvira muito, mas com a qual nunca havia realmente me identificado: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. … Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve” (Mateus 11:28, 30). Essas são palavras de Jesus, e embora ele tenha encontrado, ao longo de sua vida, muitas pessoas que o trataram de modo cruel, em vez de sentir-se oprimido, ele respondeu com amor. Se Jesus foi capaz de dizer isso, tive a certeza de que eu poderia abandonar a raiva e encontrar um modo de amar, também.
Dei-me conta de que esse rancor só estava me prejudicando, e de que eu poderia me livrar dele adotando uma perspectiva espiritual. Como isso ainda parecia difícil, inspirei-me novamente no exemplo de Jesus. Sabendo que seria crucificado — uma morte por tortura — ele orou e falou com Deus, pedindo para não passar por essa experiência, se fosse possível. Mesmo nesse momento de aflição ele ainda disse o seguinte, ao orar: “…não se faça a minha vontade, e sim a tua” (Lucas 22:42).
Percebi que eu precisava me apoiar em Deus conforme Jesus fez. Como está escrito em Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, de autoria de Mary Baker Eddy: “A Verdade e não o erro, o Amor e não o ódio, o Espírito e não a matéria, governa o homem” (p. 420).
Constatei que eu estava permitindo que minha vida fosse governada pelo erro de ver essa garota de maneira incorreta e pelo rancor por como ela agira comigo. Mas a verdade do poder do Amor estava exatamente ali. Eu só precisava abrir os olhos para enxergá-la.
Depois dessa constatação, eu me senti muito mais leve. Pude ver que todos os sentimentos negativos antes aparentemente tão justificáveis, não vinham de Deus, então não podiam fazer parte de mim. Eu consegui abandoná-los e ver tanto a garota quanto a mim mesma como filhas de Deus — amáveis e amorosas.
A tensão e a negatividade sumiram rapidamente, e voltamos a ser amigas. Sou muito grata por tudo o que aprendi a respeito do poder do Amor para eliminar um sentimento rancoroso.
