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Original para a Internet

Deus nos deu o domínio — reconheçamos seu valor!

DO Arauto da Ciência Cristã. Publicado on-line – 20 de agosto de 2026


O primeiro capítulo da Bíblia nos informa que Deus criou o homem à Sua imagem e semelhança. E havia um dom especial associado a essa criação: o domínio.

Disse Deus: “…Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra” (Gênesis 1:26).

Esse dom não é condicional; não é seletivo nem limitado. Foi concedido à inteira criação do homem, “homem e mulher” (ver Gênesis 1:27), para sempre.

Então, o que é exatamente o domínio? O que me vem ao pensamento é que domínio inclui liberdade, saúde, harmonia, paz, alegria. Contudo, também lembramos daquilo que é o contrário do domínio, como por exemplo, restrição, desarmonia, caos, depressão, dominação, escravidão.

No livro-texto da Ciência Cristã, Mary Baker Eddy explica: “A escravização do homem não é legítima. Cessará quando o homem entrar na posse de sua herança de liberdade, ou seja, o domínio que Deus lhe deu sobre os sentidos materiais. Algum dia os mortais farão valer sua liberdade em nome de Deus Todo-Poderoso. Então, cada um governará seu próprio corpo mediante a compreensão da Ciência divina. Abandonando suas crenças atuais, reconhecerão que a harmonia é a realidade espiritual e a desarmonia é a irrealidade material” (Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, p. 228).

Isso parece muito bom, mas como aplicar essa ideia na vida diária? Tive a oportunidade de aprender mais sobre isso, alguns anos atrás. Sempre gostei muito de praticar corrida, esqui e ciclismo. No fim de semana em que ocorreria a comemoração dos 40 anos de formatura da minha turma do ensino médio, eu saí para um longo passeio de bicicleta, na manhã do dia em que o evento estava programado para começar. O percurso me era conhecido, mas não era nada fácil. Como costumo fazer durante atividades como essa, passei grande parte do tempo orando, enquanto pedalava, e o passeio transcorreu sem problemas.

No encontro, mais tarde naquele dia, aproveitei para conversar com amigos com quem não falava havia décadas. Contudo, o tema geral eram os desafios físicos decorrentes da idade, os quais muitos de meus colegas vinham enfrentando. As conversas acabavam se voltando para problemas de mobilidade, próteses nas articulações, doenças debilitantes e até mesmo a morte prematura.

Eu não pensei muito a respeito dessas questões, durante o evento, a não ser para sentir compaixão por aqueles que haviam passado por dificuldades, e ser grato por eu não estar enfrentando esses problemas. Todavia, na manhã seguinte, acordei com uma forte dor no joelho. Mal conseguia ficar em pé e a cada passo sentia uma pontada de dor pela perna inteira. Era realmente estranho, já que eu não havia sofrido nenhuma distensão nem lesão durante o passeio de bicicleta do dia anterior, e estivera caminhando sem o menor problema.

Comecei a orar a esse respeito e me dei conta de que eu precisava estar mais alerta à sugestão sorrateira de que a vida é um conceito material sobre o qual eu não tenho domínio — a crença de que eu esteja vivendo em um ciclo com começo, crescimento, um platô seguido de declínio e fim. Essa crença está totalmente em oposição ao relato de Gênesis 1, de como Deus criou o homem e a mulher à Sua imagem e semelhança.

Compreendendo claramente que Deus não é material, mas, sim, espiritual, chegamos à conclusão de que o homem que Deus criou também não é material, mas, sim, espiritual, e não tem nenhum tipo de limitação material que possa lhe roubar o domínio. Imediatamente, comecei a refutar o pensamento de que meus colegas e eu sejamos definidos pela materialidade e por um ciclo limitado de vida.

A dor não cessou imediatamente. Aliás, continuou por vários dias, sem nem mesmo diminuir. Isso desencadeou em mim o medo de que talvez esse fosse o começo do fim de meu estilo ativo de vida. Aproveitei, porém, a oportunidade para, em espírito de oração, ponderar mais profundamente sobre a crença de idade e de declínio. Isso me levou a examinar mais a fundo minha motivação para atividades como ciclismo, esqui e corrida.

É claro que eu sempre havia aproveitado o tempo envolvido nessas atividades para buscar inspiração e orar. Dei-me conta, contudo, de que, mesmo sutilmente, ainda as considerava atividades materiais. Eu mudava minha alimentação, dependendo do treino, para tentar me abastecer com energia antes da atividade e facilitar a recuperação, depois. Eu registrava tempos e desempenho, monitorava meu peso e relaxava em uma banheira de água quente, depois de um treino intenso.

Também percebi que me orgulhava de continuar com essas atividades, mesmo com a idade avançando. Apesar de minha tentativa de manter o pensamento focado na inspiração e liberdade espiritual, eu estava minando esse esforço ao considerar as atividades como algo material, além de fazer pequenas coisas que reforçavam esse conceito.

A intensidade da dor no joelho diminuiu nos dias seguintes, mas permaneceu como um lembrete contínuo da necessidade de ter maior clareza quanto aos meus motivos, se quisesse continuar a praticar ciclismo, corrida ou esqui. Ponderei sobre isso até o ponto de estar disposto a abandonar essas atividades, não por medo de deterioração física, mas porque eu não queria fazer nada que cultivasse a crença errônea de que não sou espiritual, mas sim material.

Nos dias seguintes, cheguei a uma melhor compreensão do que significa ser espiritual. Ser completamente espiritual inclui ter liberdade de movimento, força, saúde e vigor. Essas são qualidades espirituais, não são condições materiais, e eu consegui ver com mais clareza que elas são manifestadas por todas as pessoas, inclusive meus antigos colegas. Além disso, uma qualidade espiritual não pode ser perdida devido a uma circunstância ou evento material.

Esse período de imersão no pensamento espiritual, sobre o significado mais profundo e o motivo de minhas atividades, durou vários dias e me levou a querer voltar a praticar ciclismo. Compreendi que eu não estava testando a matéria, nem buscando sua permissão para voltar a andar de bicicleta sem sentir dor. Passei a ver o ciclismo sob uma perspectiva completamente diferente.

O que ficou claro para mim foi que eu não poderia ver essa atividade como sendo em parte espiritual e em parte física. Eu não estava navegando por uma existência espiritual através de uma série de obstáculos para dominar a matéria com o Espírito. Eu precisava compreender que a matéria simplesmente não faz parte da equação. Eu tinha de ver que tanto eu, quanto meu entorno e a atividade são totalmente espirituais.

Eu não saía de bicicleta para bater recorde de tempo nem para testar meus limites físicos. Simplesmente aproveitava a liberdade, a beleza e a inspiração daquela atividade. Como você deve ter adivinhado, o passeio foi sem dor, e eu não senti nenhum efeito depois, apesar de ter decidido não fazer nenhuma preparação especial antes do trajeto, nem planejar nenhuma atividade de recuperação para depois.

Após alguns dias, passei por outro teste. Um grupo de amigos havia organizado um passeio de bicicleta bastante difícil, por uma das montanhas mais altas do país. Eu não havia treinado para nada que se assemelhasse ao que esse passeio exigiria. Mas era uma oportunidade de expandir meu senso a respeito dessa atividade, vê-la a partir de uma perspectiva espiritual mais profunda. Faltando apenas 24 horas para o passeio, decidi juntar-me aos meus amigos para fazer o trajeto. Isso não me dava tempo suficiente para o preparo físico, mas eu tinha bastante tempo para me preparar espiritualmente.

Uma passagem da Bíblia que me inspirou foi a mensagem de Paulo aos Gálatas: “Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito” (5:25). Em minha oração, modifiquei essa frase para: “Se vivemos no Espírito, também andemos de bicicleta no Espírito”. Para mim isso significava não ver a mim mesmo como um corpo físico, em uma bicicleta material, percorrendo uma trilha difícil nas montanhas, mas ver somente as ideias divinas puramente espirituais presentes ali, onde eu, a bicicleta e as montanhas parecíamos estar, sem nenhum elemento de substância material.

No início do passeio, percebi que, se eu olhasse para cima, via uma subida íngreme e ameaçadora, serpenteando pelas montanhas até ultrapassar a linha das árvores, onde o nível de oxigênio era mais baixo. Mas, quando olhava para o chão à minha frente, não percebia inclinação, nem falta de oxigênio, nem dificuldade. Era um forte lembrete da importância daquilo que aceitamos em nosso pensamento. Pensando no encontro de ex-alunos, questionei-me se eu estava vendo um bando de colegas idosos, com a saúde em declínio, ou se estava vendo a perfeição presente na criação espiritual de Deus, manifestando domínio sobre as sugestões da mortalidade e do tempo?

Apesar da trilha íngreme, lembrei-me desta passagem em Provérbios: “Pondera a vereda de teus pés, e todos os teus caminhos sejam retos. Não declines nem para a direita nem para a esquerda; retira o teu pé do mal” (4:26, 27). Ponderar sobre isso e pensar nos caminhos de Deus constituíram atividades mentais. Em vez de sentir o esforço de pedalar montanha acima, vi e realizei a atividade como algo totalmente espiritual, sem massa nem peso, sem tempo nem esforço.

Não só consegui chegar ao topo, como o fiz sem sentir nenhuma dor no joelho. Ainda mais notável foi perceber, já no topo, que havia consumido apenas metade de uma das duas garrafas de água que havia levado. Normalmente, em uma trilha tão desafiadora como essa, eu teria consumido as duas garrafas. Mas eu estava tão alheio aos rótulos a respeito desse passeio, que bebi somente um quarto da água que normalmente beberia.

O benefício da clareza espiritual a respeito dessa atividade não parou por aí. No dia seguinte, não senti nenhum efeito advindo do passeio — não houve dor, câimbras nem cansaço. Atribuí isso ao fato de que não estivera pedalando de acordo com as leis da física. Pelo contrário, praticara a atividade a partir de uma perspectiva puramente espiritual. Compreendi que essa era realmente a única maneira de encarar qualquer atividade.

Você não precisa subir uma montanha de bicicleta para compreender o potencial do domínio outorgado por Deus. Onde quer que estejamos, o que quer que estejamos fazendo, é nosso direito inato vivenciar esse domínio. É o que foi prometido no ato da criação, e essa promessa permanece em vigor ainda hoje. Compreendi que não é domínio sobre a matéria, mas sim domínio sobre a sugestão de que exista matéria. E, com essa compreensão, podemos aprender a valorizar o potencial ilimitado desse dom que é concedido a cada um de nós para que o valorizemos e o utilizemos.

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